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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 07/12/2023 às 00h07

A bola não entra por acaso

Cansei de torcer, de perder horas e gastar energia à tôa. De acreditar e me decepcionar. De torcer por resultados favoráveis de outros times. De achar que com um jogador a mais sairemos triunfantes. De procurar culpados nas arbitragens e nas conspirações que não existem. Cansei de viver da esperança de não ser rebaixado. De ficar simulando os efeitos na tabela de resultados positivos que quase sempre não acontecem. Cansei de ser iludido por uma paixão mal correspondida. Chega de decepções. 2023 nos deixou farto delas. E não vou me iludir para 2024. O Bahia ficou na série A, mas a temporada foi sofrível.

A vida já nos estressa o suficiente, não precisamos incorporar mais um ingrediente nesse processo, que deveria ser de emoções positivas, mesmo nos momentos difíceis. Quantas vezes nos pegamos abraçando o time lá embaixo e carregando-o para momentos gloriosos? Sofrendo, mas mantendo a persistência e a paixão. Mesmo perdendo, voltamos correndo para apoiar em mais uma partida, deixando a raiva de lado e procurando qualquer sinal para reacender a esperança no futuro. Exemplo disso foram os abnegados torcedores que compareceram ontem na Arena Fonte Nossa para apoiar o time.

Esse Bahia que vinha entrado em campo não me representava e não é o Bahia que acompanhei e aprendi a gostar. Chega de ser maltratado por um bando de incompetentes dentro e, principalmente, fora de campo. Precisamos de jogadores de futebol famintos, daqueles que correm atrás da bola com quem corre atrás de um prato de comida (com a permissão do Neném Prancha, filósofo do futebol pelas palavras do mestre Nélson Rodrigues...). Jogadores que se portem com a postura que o time apresentou ontem, contra o Atlético-MG. Por que não se exibir assim nas 37 rodadas anteriores?

Já disse aqui que o Bahia é maior que a SAF. E sua torcida também. A SAF não nos tem merecido. Sejamos sinceros, precisamos de grupo de gestão de futebol estrangeiro para passar o sufoco que passamos em 2023, tendo gasto R$ 120 milhões? Seguramente, não. A única diferença para nosso passado recente é o limite da conta bancária. Gastamos muito. Gastamos muito mal, mas isso já fazíamos antes, só que em limites mais modestos! Nos mandaram “curtir a viagem”. Quero dizer que estou curtindo. Só não me disseram que embarcaria na terceira classe de um vapor barato que só acertou o GPS na última chance, antes do encontro com o iceberg.

Faltou competência ao Bahia em campo nessa temporada. E sobraram desatenções e falhas. Normalmente, quando isso acontece em campo, cabe ao extracampo (a estrutura do clube que não joga) atuar para modificar o cenário. No nosso caso, até atuaram, mas fracassaram. Assinaram um contrato de fracasso previsível, apostaram no acaso. E numa situação em que não faltavam recursos financeiros. Não perdoo o grupo City por isso. Essa é uma relação que começou mal e, dificilmente, glórias futuras apagarão essa péssima impressão de quem colocou um estagiário para tomar conta de um time da envergadura do Bahia; que menosprezou o Bahia, a torcida e a dificuldade do campeonato brasileiro. Deve ter imaginado que só o nome do grupo City faria a bola entrar, esquecendo da lição do próprio chefe: “a bola não entra por acaso”.

Menos mal que garantimos a permanência. Vou aguardar as providências subsequentes que o grupo City vai adotar. Não imagino que vá modificar tanto assim o elenco. Porém, é inadmissível que a estrutura extra-campo não seja alterada, seja nas pessoas, seja nos processos. Não dá para admitir que toda esse sofrimento seja encarado como um “problema de percurso”, algo natural. Há algo sim, mas de podre. Mudanças Já! BBMP!!

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