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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 26/11/2020 às 17h51

O Bahia não foi fundado, foi inspirado pelos deuses e esculpido pelo homem

Do futuro presidente Tricolor a torcida espera que haja um trabalho de resgate da tradição do clube injetando o sangue tricolor na veia de cada jogador. É evidente a descaracterização que se verifica hoje através de atuações medíocres e sem um pingo de denodo dos jogadores – salvo raras exceções – com a camisa que no passado contagiava todo o ambiente do Tricolor de Aço. Que isto seja definitivamente superado com esse resgate porque a esperança que o torcedor tem de rever seu autêntico Bahia, torna-se em sofrimento e decepção a cada jogo. Atualmente é só angústia ao invés do otimismo certeiro de outrora. 

Francamente, não sei porque o Bahia perdeu essa sua identidade com a intensidade que existia durante 90 minutos, especialmente na Fonte Nova onde era quase imbatível. Tenho a maior das boas vontades para falar só de coisas positivas, entretanto quando vejo o “Esquadrão” jogando dentro de casa, com medo do adversário  – vimos isso contra o Union Santa Fé, que parecia estar em seu território – e ganhar com Douglas salvando tudo e, até do inferno astral, a alma de Nino Paraíba, não posso dizer que foi algo meritoso o triunfo. Aconteceu. Apenas aconteceu.  

Esse é o Bahia que a torcida tem tido e aguentado com compreensão e paciência incríveis. A próxima diretoria que fique bem atenta porque o torcedor Tricolor não quer uma ordem inversa na razão de ser do Bahia. Explicando melhor quero dizer que em primeiro lugar deve estar o futebol e depois o resto para completar a grandeza dos resultados em campo. Com um time vencedor, ou que na pior das hipóteses venda caríssimo uma derrota – que é coisa do jogo –, aí o marketing pode jogar à vontade para a mídia nacional... mas até isso acontecer é o futebol que precisa triunfar. 

O Bahia tem de ser cuidado em todas as frentes, sim, mas tem de começar pelo futebol em todas as suas esferas – principalmente em se falando das divisões de base – e isto é ponto pacífico. É até uma questão de sabedoria começar um mandato seguindo a história que foi construída obedecendo a ordem natural  do que nasceu para vencer. O Bahia não foi fundado. Foi inspirado pelos deuses, esculpido pelo homem e, à escultura, dado vida e luz pelas estrelas. Sua história de sucesso é tão óbvia e bonita quanto conclusiva.  

E por falar em história, tá na hora de reconhecer mais ao maiores presidentes do Bahia, aqueles que definitivamente deram ao Tricolor expressão internacional e dois títulos de Campeão Brasileiro. Falo respectivamente de Osório Vilas Boas e Paulo Virgílio Maracajá Pereira. Mas tem outros heróis desses dois campeonatos brasileiros que estiveram em campo realizando as históricas proezas que também precisam de reconhecimento. 

Sem demérito aos demais, no Centro de Treinamento Evaristo Macedo, deveria estar um monumento em bronze, de tamanho adequado, do grande Leone, capitão e maior lateral direito da história do Bahia, com a taça de primeiro Campeão Brasileiro erguida. 

Não sou contra as ações propositivas, oportunas e úteis  à sociedade. Achei inoportuna foi a forma como vinham sendo feitas. Pior, disparando em sequência essas ações e o time de futebol decepcionando completamente. Isso só parou devido à pandemia. Mas o time continua não oferecendo nenhuma confiança. 

Em primeiro lugar tem de estar o E.C. Bahia numa busca ininterrupta por grandes conquistas dentro de campo, de acordo com a sua trajetória. O torcedor não aceita outro Bahia que não seja de luta e tradição porque este é o princípio do clube que tem como slogan Nasceu para Vencer. O atual Presidente, Guilherme Bellintani, deixou de ser maioria esmagadora como antes porque não entendeu a essência Tricolor. Pode se reeleger? Sim. Acho que são favas contadas. Mas já não há mais aquela idolatria que ele houvera conquistado e isso é devido à postura dele com relação ao futebol. Se cada grupo tivesse lançado um candidato, seria uma reeleição bem difícil. Espero que dessa vez, a partir de Janeiro, o novo (...) presidente olhe muito mais para os anseios do torcedor do que para a vaidade pessoal. 

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