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Coluna

Cássio Nascimento
Publicada em 12/11/2021 às 09h09

Uma homenagem aos colonizados, puxa-sacos e submissos

Nenhuma novidade: o time rubro-negro carioca, aquele cujo mascote é um animal aparentado do abutre, venceu o Bahia por placar dilatado ontem no Maracanã. Foi roubado, foi de forma indigna, mas a imprensa nacional, sediada no Eixo Rio-São Paulo, limitou-se a citar o fato e não cobrar providências, afinal, cada um com seus problemas. Elenco indignado, o aparentemente sereno treinador indignado, presidente e vice-presidente enfurecidos, o que é justo e compreensível.

O desagradável revés, por sua vez, apenas evidenciou o reflexo do abismo técnico entre o Nordeste e o futebol do Eixo. Não tá fácil pra ninguém: o grande Cruzeiro acabou de escapar do rebaixamento à terceira divisão. O tradicional Botafogo briga palmo a palmo para voltar à elite nacional, junto com o ex-campeão Coritiba. O time da Colina, ex vice-campeão mundial, amargará mais um ano nos porões face às suas limitações. Na série A, o nordestino Sport agoniza junto com o supercopeiro Grêmio, e o também nordestino Fortaleza tenta subir um degrau na sua história. Ok, o que nos interessa é o Bahia, que amarga a condição de porteiro da zona, naquela corda-bamba de sempre. Bonfim em chamas, todos os santos convocados e terços à mão.

Não é novidade para ninguém o despreparo e a falta de profissionalismo da arbitragem brasileira. Também não é novidade que a CBF luta para se desvencilhar da pecha de alcova dos ímpios, alçando à sua presidência um notório torcedor do nosso maior rival em âmbito nacional, cuja gestão à frente da Federação local é eivada de questionamentos da parte de torcedores e cronistas.

Escândalos dos homens do apito pululam, outrora o ex-campeão mundial Internacional foi a vítima. O clube da Gávea, midiático que é, consegue adiar rodadas temendo desfalque de seus craques que servem à seleção brasileira. Outro clube midiático, este de São Paulo, já foi por muitas vezes favorecido. Os clubes de menor mídia e expressão precisam vencer em campo e torcer por arbitragens competentes para que não soçobrem em sua luta diária.

Então, o que fazer? Como o Bahia poderia sair dessa eterna espiral de nada conseguir em termos de resultados intracampo? Para tal, escrevemos nossos textos neste espaço, para reflexão e sugestões. Nós, amadores em jornalismo, tentamos colocar nossas mentes e corações na construção de um ideal de clube que é positivo para a Bahia e ao Bahia.

Seguindo nessa esteira, não podemos deixar de dedicar essa derrota de ontem a todos os torcedores chamados de mistos-frios e colonizados, emprenhados pelos olhos e ouvidos pelas grandes redes de rádio e televisão, que menosprezam seu próprio futebol local e que sonham, um dia, ser o que nunca foram e nunca serão.

Do mesmo modo, a conta chegou ao senhor presidente do Bahia, o qual não agiu de forma assertiva em recente caso de suposto racismo envolvendo este clube carioca (jamais comprovado), baixando a cabeça, submetendo-se a críticas pesadas da militância racial e pedindo desculpas antes que os fatos fossem apurados, expondo seu próprio atleta ao fogo do inferno do Facebook.

Essa derrota de ontem é para vocês, colonizadfos, puxa-sacos e sumbissos. Aos governantes que não conseguem elevar o Estado da Bahia economica e socialmente, usando o voto de cabresto como alavanca de seus projetos pessoais. Não seria exatamente uma acusação, mas a certeza de que todos vocês contribuem de forma crucial para que tudo isso se perpetue, que juiz de futebol continue nos roubando na cara dura, dando-nos tapas nas nossas caras e mandando-nos ficar em nosso lugar do qual "nunca deveríamos ter saído".

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