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Condromalácia patelar
16/2/2011

Dr. Fábio Costa



Muitos tem este diagnóstico e não sabem o que significa. Vamos esclarecer e entender o que é esse nome tão difícil.

O joelho humano é formado por uma articulação composta de três ossos. O fêmur, que é o osso da coxa; a tíbia, que é o osso da perna e a patela (antigamente chamada de rótula), que é um pequeno osso situado na parte anterior (da frente) do joelho, também chamada de “bolacha” do joelho.

A condromalácia patelar é uma patologia inflamatória que resulta no amolecimento da cartilagem articular da patela (estrutura que recobre as extremidades ósseas). Esta, uma vez amolecida, expõe o osso, causando a dor. Essa doença também é conhecida como "joelho de corredor" ou de síndrome de dor patelo-femoral. Sua ocorrência é mais freqüente no sexo feminino e nos atletas que realizam grandes esforços com as pernas.

O nome da doença refere-se ao joelho que foi estruturalmente danificado, enquanto que o termo mais genérico, “síndrome da dor patelo-femural”, se referindo, as vezes, aos estágios iniciais dessa condição, na qual os sintomas ainda podem ser completamente revertidos. Porém, eventualmente, mudanças causadas por reações inflamatórias internas da cartilagem produzem um dano estrutural muito mais difícil de ser tratado.

Existe uma classificação que serve para informar o grau da lesão e poder auxiliar na evolução da mesma.

GRAUS E CARACTERÍSTICAS

• I - amolecimento da cartilagem e edemas

• II - fragmentação de cartilagem ou fissuras com diâmetro < 1,3cm

• III - fragmentação ou fissuras com diâmetro > 1,3cm

• IV - erosão ou perda completa da cartilagem articular, com exposição do osso subcondral

O grande problema desta classificação é que as dores nem sempre acompanham o grau da lesão. Assim, existem pacientes com graus iniciais e muita dor, e outros com grau IV e assintomáticos. Como falei anteriormente, esta classificação é importante para entedermos como se encontra a cartilagem a ser tratada.

Os sinais e sintomas, como inchaços e dores profundas no joelho, são comuns nessa doença. E nos quadros mais avançados pode haver dificuldade de flexionar o joelho, de se agachar, de subir e descer escadas e de ficar com o joelho apoiado no chão. Assim, atividade física fica restringida e este é um grande erro, pois ela é uma das formas de tratar a patologia. Uma ardência ou dor ao ficar com o joelho flexionado por longos períodos, mesmo sem forçá-lo, também é um sintoma comum na condromalácia patelar, além de crepitação e estalos, muitas vezes audíveis e que são queixas frequentes no consultório.

A causa exata ainda permanece desconhecida, porém, segundo a literatura, acredita-se que esteja ligada a fatores biomecânicos e fisiológicos, que resultam no enfraquecimento e amolecimento da cartilagem envolvida. Um exemplo é o período pré-menstrual, onde as mulheres contumam ter retenção hídrica e ficam mais suceptíveis a esta patologia.

Outro fator comum é o traumatismo, seja por um trauma crônico por fricção crônica entre a patela e o sulco patelar do fêmur (local por onde ela passa durante a flexão do joelho) – Isso pode ocorrer em razão do uso inadequado de aparelhos de ginástica, exercícios em step, agachamentos profundo, bem como pela prática inadequada de esportes, com força excessiva aplicada na patela; ou por um trauma distinto, como uma pancada ou choque do joelho sobre um objeto, e lesão aguda, da cartilagem femoropatelar, com impedimento da nutrição ideal dessa estrutura devido às rachaduras originadas.

O diagnóstico é dado pela ressonância magnética, pois só ela consegue classificar o grau da patologia.

Em relação aos tratamentos, existe até que indique a cirurgias, mas acredito que este método é o último recurso no tratamento, devendo a fisioterapia e os exercícios bem orientados serem uma prioridade. Academias que contam em seu grupo com professores especializados, como a WELL (prof. Cristiano) a H45 (prof. Neder), Espaço Vital (prof. André), HortoPlace (Prof. Danilo), Personal Group Ivan Ferreira (Prof. Marcelo Sopa), Paulo Meyra, fazem um trabalho diferenciado e mantêm contato com ortopedista e fisioterapeutas, dando uma maior segurança a seus atletas.

Recomendações

• Muitos orientam a suspenção dos exercícios, mas como especialista em traumatologia esportiva acho que toda patologia pode ser tratada sem a suspensão da atividade, bastando adequar e ser bem orientado;

• Reforçar os músculos fracos, fazendo exercícios leves e de baixo impacto. É especialmente importante reforçar o músculo vasto medial para equilibrar as forças atuantes sobre a patela;

• É importante avaliar o limite de extensão e flexão do joelho durante os exercícios, para não agravar o quadro. Peça ao profissional para demonstrar. Evite a sobrecarga;

• Alongar quadríceps, banda iliotibial (lateral), posterior da coxa, tendões e panturrilha regularmente. Não esquecer de alongar bem antes e depois dos exercícios;

• Colocar gelo no joelho após os exercícios;

• Evitar subir e descer escadas;

• Garantir lugar suficiente para a perna no carro ou no seu lugar de trabalho, evitando manter o joelho flexionado MENOS de 90 graus por muito tempo;

• Manter boa postura e evitar cruzar as pernas por longos períodos;

• Quando estiver deitado, não deixar o peso do corpo pressionar ou mover a patela, usando um travesseiro para manter os joelhos levemente separados e as patelas no lugar;

• Usar sapatos confortáveis, principalmente durante os exercícios;

• Evitar aplicar peso excessivo na articulação afetada, perdendo peso se necessário.

Dr. Fabio Costa CREMEB 15998 TEOT 8421
Médico Ortopedista, Especialista pela USP em Joelho,
Cirurgia Artroscópica e Traumatologia Esportiva
Coordenador Médico do Esporte Clube BAHIA
www.traumatologiaesportiva.com.br
fabiocosta123@uol.com.br


Dr. Fábio Costa, 40 anos, é médico ortopedista.

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