Um velho ditado parece vir sendo seguido à risca pela diretoria tricolor: “Se não consegue vencê-los, junte-se a eles”. Isso porque antes mesmo de entrar em contato com Mauro Fernandes, comandante do Ceilândia-DF que tirou o Bahia da Copa do Brasil, o “eterno” presidente Paulo Maracajá telefonou para o técnico Ferreira, carrasco da equipe no Estadual. O treinador do Colo-Colo agradeceu a melhor proposta que já recebeu na breve carreira, porém não aceitou.
Pesou na decisão do campeão do primeiro turno o seu compromisso profissional com a diretoria e torcedores do Tigre, além do grupo vitorioso que formou na competição e, principalmente, a ética. Eram 9h30 da manhã desta sexta-feira quando seu telefone celular tocou pela primeira vez.
“A proposta foi muito tentadora mesmo, mas não podia deixar Ilhéus. Eu e o Zé Maria (presidente do Colo Colo) construímos tudo que está acontecendo agora. Todo um sonho”, justificou Ferreira sobre o porque rejeitar a proposta, desmentindo ter temido o desafio de enfrentar a crise tricolor.
“Sei que futebol é momento. Pode acontecer que perca três ou quatro jogos e me cobrem, questionando meu valor. Mas pesou demais a identificação e o compromisso até junho que assumi”, comenta, referindo-se à relação presente apenas no campo verbal com o dirigente maior do Tigre. “A conversa foi boa, tranqüila, e a oportunidade em assumir o Bahia futuramente ficou em aberto”, continuou, ciente que bastava pronunciar “sim” para materializá-la.
Após a negativa, em que a ligação falhava e que foi preciso a parte tricolor telefonar por seis vezes, ele foi questionado sobre o Bahia. “Comentei o que acho de bom e ruim no time, especialmente em campo. Falamos rapidamente sobre jogadores e me pediram opinião sobre uma ou outra coisa a mais”, acrescenta Ferreira. “Houve, inclusive, manifestação de alguns torcedores no estádio. Não sei nem como eles descobriram, mas deve ter sido no rádio ou internet. Então, imagina como seria deixar o Colo Colo e amanhã, no próprio Mário Pessoa, treinar o Bahia? Não seria correto”, argumenta, indicando ter encontrado compreensão.
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Correio da Bahia (Adaptado)
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