Ao falar sobre o confronto deste sábado, logo vem à cabeça o que ocorreu no Brasileirão de 1981. Mais do que maior duelo entre as equipes, a partida está na galeria de jogos inesquecíveis da história do Tricolor de Aço.
O time do então técnico Aymoré Moreira disputava a Segunda Fase do certame, caindo num grupo em que estavam Corinthians, Ponte Preta e Santa Cruz. Pela combinação de resultados e após ter levado 4 a 0 dos pernambucanos no Recife, o Bahia precisava golear o Santa por uma diferença de cinco gols na Fonte Nova, na última rodada, para se classificar.
Além da grande rivalidade entre os Estados pela hegemonia do futebol do Norte-Nordeste, o adversário – que já havia sapecado 4 a 1 no Corinthians em pleno Pacaembu – contava com o centroavante e ídolo nacional Dario, o Dadá Maravilha. Irreverente como sempre, ele ironizou a situação: “Baiano só faz cinco quando acerta na quina da loto”.
Trajando seu uniforme número 2, o Esquadrão ia a campo sem sua força máxima: Renato, Edinho, Zé Augusto, Édson Soares e Ricardo Longhi; Washigton Luís, Léo Oliveira e Emo; Toninho Taino, Dirceu e Gílson Gênio. Do outro lado, o Santa de Wendell, Celso Augusto, Alfredo, Silva e Hilton Brunis; Deinho, Baiano e Carlos Roberto; Egnaldo, Dario e Joãozinho.
O estádio estava vazio quando o juiz apitou, no dia 5 de abril daquele ano. Logo aos 4 minutos, o capitão Léo Oliveira passou para Gilson Gênio, que deu dois toques na bola e fuzilou no ângulo, abrindo o placar. Aos 9, em contra-ataque rápido, a defesa coral vacila e Gilson chuta forte, rasteiro, aumentando o escore. O terceiro só acontece aos 43: Léo ganha de Hilton na esquerda e descobre Dirceu livre na área, que cabeceia para o fundo da meta.
Com o resultado, pela primeira vez o Octávio Mangabeira teve mais gente na etapa final do que na inicial. Animada, a torcida tricolor foi chegando. Quando recomeçou o duelo, o clima era de alegria e tensão. O treinador adversário até que tentou segurar o marcador, mas foi acuado pelo Bahia e sua massa. Depois de 22 minutos de ataque, a galera delira no momento em que Gilson Gênio dribla três e cruza para trás. Toninho Taino, de primeira, faz um golaço.
Mesmo perdidos no gramado, os pernambucanos resistem ao bombardeio e barulho soteropolitano. O quinto e salvador tento empacou. Debaixo da trave, Dadá perde um gol feito. O torcedor tem chilique, síncope, constipação.
Aos 41, porém, quando os refletores já iluminavam mais que a luz do dia, no desespero, o zagueiro Zé Augusto dá um bico. Léo Oliveira fica cara a cara com Wendell, que realiza a defesa parcial. Mas Toninho Taino pega o rebote e estufa as redes, fazendo o quinto e milagroso gol do triunfo que, por todos os tempos, será inesquecível. Êxtase total: o impossível aconteceu, Bahia 5×0 Santa Cruz.
Leia também
Retrospecto histórico dá vantagem ao Esquadrão
Último confronto foi válido pelo Nordestão 2002
Sonho de subir em 99 foi sepultado pelo Santa
Clique aqui para saber tudo sobre o Campeonato Brasileiro 2004







comentários
Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ecbahia.com.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral, os bons costumes ou direitos de terceiros.
O ecbahia.com poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios
impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.