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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 27/05/2020 às 13h43

500 tons de cinza

Esta coluna tem estado um pouco ausente devido à parada do futebol, freado pelo Covid-19, essa desgraça que tomou o mundo como refém causando além da enfermidade e uma cruel letalidade, o isolamento social que dificulta o cidadão comum prover a própria sobrevivência. Pior é que isto poderá se agravar porque os governantes assim o querem pela forma horizontal, como estão tratando essa pandemia, quando poderia ser tratada verticalmente porque os estudos científicos apontam que 70% da população será infectada de uma forma ou de outra.

 – Nada mais devastador do que milhares de famílias com fome, e isso no Brasil é maioria. Fica a dica para reflexão dos governantes.

Essa conta também chegará ao futebol que não terá público caso os campeonatos voltem ainda neste ano aqui no Brasil. E não terá público por dois motivos óbvios: aglomeração impedida por Lei e a falta do dinheiro para o ingresso. A prioridade será com o bem estar da família. Futebol é negócio grande para uma parte da sociedade e diversão para a maioria, e essa maioria é quem sustenta a máquina do futebol.

Porém, se não há combustível para a máquina, a usina para. Recentemente foi publicado pela imprensa que o canal por assinatura, Premiere,  havia perdido até o dia 20 próximo passado 300 mil assinaturas, e isto continuará evoluindo. Então a cota da TV também deverá ser revista. Nada mais será como antes pelos próximos 5 anos porque mesmo que se descubra uma vacina para o vírus, o problema será a reorganização financeira da Economia mundial.

Será que empresários e jogadores assimilarão à realidade da Terra quando retornarem da Lua? Creio que sim porque aqui neste Planeta os clubes não suportarão pagar os milhões de dólares, ou euros, para contratar jogadores e pagar seus milionários salários. Se na Europa preveem ajustes rigorosos com toda a organização existente, imaginemos a situação dos clubes brasileiros que por via de regra vivem com o pires na mão.

No futebol desse lado de cá do Atlântico o cenário deverá ser com 500 tons de cinza... Só para citar dois exemplos; quando o Cruzeiro voltará a ter um timaço? E o Vitória, terá condições suficientes para se manter na Segunda Divisão? Você pode até arguir que todos estão na mesma tempestade, mas eu diria que nem todos estão no mesmo barco. Os que já estavam razoavelmente organizados conseguirão segurar o leme para levar o barco até um porto seguro. Outros não.

Falo com espasmos metafóricos para que se entenda a realidade desse temporal que surpreendentemente pegou todos os navegantes no mar, mas muitos desses ainda não se deram conta do tamanho do iceberg com o qual mundo colidiu causando todo esse mar revolto com ondas que apavoram.

É triste para o futebol ter clubes interrompendo um início de reorganização que afinal já mostrava alguma luz no fim do túnel. E cito aqui no Nordeste alguns tradicionais clubes como os pernambucanos Náutico, Santa Cruz,  e na Bahia o Vitória. Esses vinham numa ascendência mediana organizacional, dentro do possível, de razoável para boa. Agora terão que recomeçar em algum ponto do futuro o mesmo trabalho interrompido. Levantar e sacudir a poeira será a primeira atitude, mas daí em diante começam as dores causadas pela queda.

 – É nessa paisagem de tons de cor cinza que todos os clubes, principalmente os da Segunda Divisão, darão partida. Os que conseguiram se organizar melhor em 2019 largarão na primeira fila. Quais são esses não sei, porque até do Cruzeiro – pela bagaceira que fizeram no clube – com toda a tradição do seu nome, passei a ter dúvidas.

Atualmente o Nordeste tem quatro clubes na Primeira Divisão. Que são Bahia, Sport, Fortaleza e Ceará. Não que esses estejam salvos da crise, mas dentro dessa “pandemia econômica”  sobreviverão com mais segurança mesmo sendo forçados a fazerem ajustes interrompendo projetos, diminuindo planteis e revendo salários. A responsabilidade com a qual seus dirigentes – exceto o Sport – já vinham gerindo seus respectivos clubes será decisiva para evitar essa crise radical anunciada pela China desde antes do carnaval. Se nossos governadores e prefeitos não levaram isso ao pé da letra, aí já são outros quinhentos tons de cinza.

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