é goleada tricolor na internet
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Publicada em 4 de setembro de 2026 às 14:00 por Djalma Gomes

Djalma Gomes

A Aposta ainda tem de ser no amanhã






No ano 2024 o Bahia criou uma forte expectativa no seu torcedor porque ali surgiu um time que encantou a torcida. A expectativa para 2025 aumentou e o torcedor passou a exigir mais. Ano 2025 findo, janela à vista, o anseio era por contratações que viessem para elevar o padrão. Entretanto, ao iniciar o ano 2026 aconteceu o primeiro fiasco: Bahia eliminado bisonhamente na Libertadores. 

Não parou aí. Quase que em ato contínuo, veio de forma ainda mais bisonha a pancada mais dolorosa: a desclassificação na Copa Brasil, jogando contra o Remo – fato que estremeceu a relação torcedor x clube. 

Essas eliminações interromperam o ritmo das receitas vitais ao projeto do clube que é embasado na agenda que gera o orçamento anual. O City Football Group, ao contrário do que se pensa e fala, não envia dinheiro para o Bahia além do valor que foi investido na aquisição da SAF. 

Esse valor aportado na SAF seguiu o seu rito devidamente distribuído para pagamento das dívidas e investimentos na parte estrutural no futebol profissional.  

Algo acerca de R$500 milhões foram disponibilizados como capital de giro do clube para a montagem do time e sustentabilidade de todo o departamento do futebol profissional desde a Era City no Bahia. Popularmente se diz que é do próprio couro que se tira a correia, assim sendo, com esse dinheiro foi feito todo o planejamento do clube. Nesse contexto se estabelece para cada ano um orçamento de acordo com as receitas, afinal chovendo ou fazendo sol, o custo operacional do Bahia gira em torno de R$ 44 milhões, mensalmente. 

Costumeiramente as pessoas se manifestam nas redes sociais com ilações do tipo: “o City investe no Manchester £40 milhões num jogador e aqui no Bahia, nada!”. Há um tremendo equívoco nessas ilações. A Holding não banca contratação de jogador em nenhuma das suas unidades – clubes. O Manchester City atingiu esse patamar de investimento ao longo de 18 anos. Como mostram os dados, a autossuficiência não foi construída no curto prazo e nem sequer no médio. 

Vale a pena lembrar que o Manchester foi adquirido em 2008 pelo Sheik Mansour Bin Zayed, através do grupo Abu Dhabi United Group, e só conquistou o seu primeiro título na Premier Ligue em setembro de 2012, com um gol de Sergio Aguero aos 94 minutos – estilo Raudinei. Isto, 44 anos depois do último título conquistado pelo Manchester em 1968. Todavia, a régua só subiu mesmo a partir da Era Guardiola, iniciada em 2016. 

Com o Bahia o roteiro não será muito diferente, cuidar da marca é o papel da direção Tricolor. Quanto maior a visibilidade, tanto maior será a venda de produtos da marca. Não obstante, ser eliminado respectivamente da Libertadores, Copa do Brasil, e excluído da Copa Nordeste, não fechou a torneira por completo, contudo, diminuiu o volume de vazão sensivelmente. Nem poderia ser diferente. Futebol tem de ser gerido com responsabilidade e não ao contrário, como fazem por aí os clubes já habituados ao transfer ban. 

Posto isto, o Bahia é quem precisa se organizar cada vez melhor dentro do seu planejamento para que eliminações precoces no próximo ano não mais aconteçam, pois, isso funciona como tirar o pé do acelerador e passar a usar mais o freio, atrasando assim a viagem – no sentido figurado é claro. Esta coluna não tem a pretensão de desestimular o torcedor. Apenas sugere que se veja o Bahia como um projeto bem elaborado e planejado com o claro propósito de alcançar objetivos maiores. O Grupo City não veio ao Brasil brincar de perder dinheiro.   

Faltam 13 rodadas para o fim do Brasileirão deste ano e o Bahia não esteve em nenhum momento fora da zona de conforto na tabela de classificação. Se mantém razoavelmente próximo à vaga direta na Libertadores. Isto é um fator que deveria ser motivo para se acreditar nesse projeto, que, com apenas 3 anos, tem obtido mais êxito do que insucesso. Contra números não existem argumentos. Há 3 anos seguidos o Bahia figura entre os 06 melhores clubes do Brasil e atualmente ostenta o 5º lugar na tabela de classificação. 

Entretanto, pode ser que alguma coisa não explicável pela lógica faça o Bahia conquistar um título de alta relevância, nacional ou internacional, antes do previsto. Acontece. Todavia não seria algo natural com o atual orçamento. Observe, leitor, quantos dos chamados grandes clubes brasileiros estão afundados em dívidas impagáveis. 

A verdade é que a ânsia virou pressa, o sonho ficou maior do que a compreensão para com a realidade, e o amanhã virou retórica para uma boa parte da torcida do Bahia. Apesar de todos esses sentimentos do torcedor, a aposta ainda tem de ser no amanhã porque o sol Tricolor já está se erguendo às margens da Avenida Metropolitana, num projeto vital e respeitoso de tão imponente que é pela sua própria realidade.

É assim que o Bahia caminha, célere e determinado às conquistas que ora reclama a nação. A felicidade não se encontra no destino, sim no trajeto, pois, à medida em que a caminhada avança, a paisagem vai ganhando beleza.

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