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Coluna

Carlos Patrocinio
Publicada em 06/04/2021 às 08h42

A bipolaridade tricolor e o que vejo deste Bahia nesse início de temporada

Dentro da bipolaridade do Bahia algumas coisas vem chamando minha atenção há algum tempo. E de forma negativa. Hoje vou tratar de duas: a insistência na saída de bola com três jogadores e a participação (?) de Edson nesse time. Começarei pelo final, ou seja, pela (não) participação de Edson no time titular.

Das duas uma: ou sou muito burro e não consigo entender bem o que Edson faz por esse time ou, de fato, temos um jogador praticamente sem funções, principalmente na fase ofensiva do time. Me chama a atenção como Edson simplesmente não faz nada na fase ofensiva. Consigo entender que a sua entrada veio pra supostamente trazer mais pegada ao meio de campo, para compensar a falta de capacidade de Rodriguinho, principalmente, de participar na fase defensiva. Mas me parece muito claro como ele não participa dos movimentos de construção ofensiva, mesmo nas saídas de bola.

E aqui entra uma outra coisa que me chama a atenção: a saída com 03 jogadores desde a área defensiva. Há uma insistência em sair assim, sendo que, quando o time é pressionado desde a saída, como foi contra o (modesto) CSA, quase sempre redunda em um chutão, em errou ou em bola quebrada. Além disso, essa insistência mostra ainda mais a ausência de capacidade de Edson em contribuir com essa saída. Abaixo trago 03 momentos em que a saída foi mostrada inteiramente pela transmissão do Nordeste FC na derrota para o CSA.

Na primeira tentativa vemos Patrick recuando, recebendo a bola e buscando opções. Há os dois zagueiros e Daniel flutuando. Nada de Edson, por exemplo. Os laterais me parecem espetados adiante. Juntamente com o trio de atacantes (neste jogo, Novaes, Rodriguinho e Gilberto).

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Patrick opta por sair com Lucas pela direita. Só agora há um avanço de Daniel e um recuo de Edson, que acaba sendo ignorado pelo zagueiro tricolor, que vai acabar forçando a bola com Nino Paraíba.

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Há um erro de passe e, com a roubada de bola, o CSA terá uma situação que, se não gera vantagem numérica, há um mano a mano com uma defesa desarmada. Por sorte o ex-tricolor Gabriel acabou chutando pra fora.

É feita uma nova tentativa. Cenário idêntico. Patrick com os zagueiros como opção. Sem aproximação dos meio campistas em condições de receber a bola. Ele opta por sair pela esquerda, com Juninho.

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Sem opções de meio campistas e com marcação adversária encaixada no mano a mano, ele força o passe e apenas ganha o lateral.

Uma terceira tentativa, quando o placar já estava desfavorável, Patrick mais uma vez tenta a saída. Nenhum meio campista próximo, apenas os dois zagueiros e o goleiro Douglas atrás. Patrick tenta a saída com Lucas.

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Vejam que quando o zagueiro recebe, está se iniciando uma aproximação dos volantes, mas as linhas de passe estão marcadas pelos atacantes adversários, o que obriga Lucas a retornar para Douglas, que vai quebrar a bola em Nino e devolver a posse para o CSA.

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Claro que a falta de qualidade dos zagueiros e do goleiro com os pés contribui, mas a falta de uma participação mais ativa de Edson, e até a falta de confiança dos seus companheiros em forçar uma bola mais complicada nele me parecem fatores que atrapalham muito essa saída de 03.

E no primeiro tempo desse jogo o time praticamente só tentava sair assim e essas foram as 03 vezes que mostraram por inteiro. Houve outras e não lembro de nenhuma ter sido bem sucedida, o que me faz pensar que falta repertório na saída de bola do time, principalmente quando pressionado. Isso acontecia no Brasileirão da última temporada e é algo que não evoluiu ainda.

No segundo tempo, logo na primeira tentativa, quando o time já tinha Ramon no lugar de Edson, dá pra notar a diferença. Ramon, apesar de ser um jogador que me decepcionou pela pouca gana, já se apresentou e deu opção. O mesmo aconteceu com Daniel. Vejam que  Patrick recebe abaixo e tem uma linha clara para o volante agora do America-MG.

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Sem opções, Matheus Bahia terá que retornar para o zagueiro Juninho. Com o balanço gerado pelo passe e movimentação de Ramon, se abrirá uma nova linha de passe, desta vez para Daniel, que também se apresenta para receber. O meia tricolor contará com o avanço de Patrick, que desmontará a linha de 3 zagueiros, e conseguirá achar Nino livre na direita, queimando os 05 jogadores mais adiantados do CSA.

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É bem verdade que as circunstâncias do jogo eram outras e que o CSA não mostrou o mesmo ímpeto em impedir a saída de bola da equipe tricolor, mas bastou um jogador um pouco mais qualificado e participativo na fase ofensiva que o time foi capaz de superar a primeira linha de marcação.

O que me chama a atenção é que, com ou sem Edson, o time não apresentava repertório para sair de uma marcação mais agressiva e insistia nessa tal de saída de 03, com o time todo espalhado pelo campo, sem meio campistas dando opções reais, sem laterais dando opções reais.

O interessante é que costumam dizer que o Bahia tem dificuldades contra defesas mais recuadas. Ele tem. Mas a verdade é que o Bahia tem dificuldades contra qualquer time competitivo.

Vejam que, no Nordestão deste ano, enfrentamos 07 equipes. Destas 07, 02 de Série A (1 triunfo contra o combalido e bagunçado Popoti e 1 derrota para o Fortaleza), 02 de Série B (2 derrotas, contra os frágeis mas minimamente arrumados CSA e Vitória da Bahia) e os demais inexpressivos, já que não sei ao certo as divisões (ainda assim empatamos contra o Botafogo/PB e vencemos os fraquíssimos Altos e Salgueiro, este ainda com o time de transição). O time principal ainda goleou o fragilíssimo Campinense.

Em suma, o retrospecto do time principal, sem contar as atuações nos jogos mais importantes, é LITERALMENTE negativo (02 triunfos, 01 empate e 03 derrotas), sem grandes evoluções.

É início de temporada e sei que há a dificuldade da falta de intervalo entre as temporadas. Mas me preocupa a lentidão da diretoria em renovar o elenco, em trazer peças ofensivas, em mexer na lateral esquerda, a não enxergar que o time não consegue evoluir com Dado Cavalcanti.

Nestes 06 jogos continuamos a ver um Bahia sem conseguir mostrar intensidade e competitividade contra times minimamente mais organizados (o retrospecto que trouxe no parágrafo anterior mostra isso). E isso passa muito pela insistência do treinador em manter o time do ano passado, já que apenas Conti passou a ser utilizado e isso aconteceu apenas nos 02 últimos jogos. Pra ter uma idéia do absurdo que é a formação do elenco tricolor para essa temporada, Alesson entrou no segundo tempo de TODOS os jogos do time principal.

Hoje temos à disposição Conti, Luis Otávio, Galdezani, Pablo (que só foi usado no transição) e Thaciano. Para o jogo contra o Fortaleza eles estavam à disposição.

Por que não começamos com pelo menos Conti, Otávio e Galdezani/Pablo ou Thaciano, por exemplo? Seriam 03 mudanças. Só por que o time goleou o inexpressivo Altos?

No inicio da temporada escrevi que, idealmente tiraria Dado do principal e o colocaria no Transição, mas que, pela falta de opções e mercado complicado, entendia sua manutenção. Aquilo foi no dia 24/02/2021. Alguém diz que apenas quem não é inteligente não muda de opinião. Pois vou me considerar minimamente inteligente e dizer que, pouco mais de um mês depois, me convenci que não dá mais pra esperar.

Até mesmo pelo PÉSSIMO desempenho de Claudio Prates no transição, e até pela chegada de uma diretoria de futebol, como presidente determinaria que eles iniciassem essa mudança e encontrassem um novo treinador, com mais repertório, para assumir o time tricolor. Aproveitar o primeiro semestre para ver se alguém consegue tornar esse time mais competitivo.

Como duvido que vá acontecer algo assim, só resta torcer e esperar por reforços. E aí? Vamos trocar ideias. Discordem ou concordem nos comentários!

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