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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 15/11/2022 às 17h28

A corneta do torcedor vai ter que mudar de nota

A partir do dia 3 de dezembro próximo, o E.C. Bahia deixará de existir como instituição de futebol e cederá lugar à inciativa do capital privado, no novo modelo institucionalizado na condição de Bahia SAF – embora o escudo continue sendo o original, com a marca E.C. Bahia, só que agora como nome fantasia.  Saem de cena; os adoradores de holofotes; os grupos cheios de sentimentos egoístas; repletos de vaidades refletidas nos camarotes da Fonte Nova; os oportunistas e a Política partidária.    Eis que entra em cena a gestão profissional no futebol negócio, cuja finalidade é a lucratividade gerada pela qualidade do produto de campo. 

O Grupo City não veio para fazer tudo igual ao que já conhecemos como filosofia anacrônica no Bahia. Agirá baseado em suas metodologias e não na pressão da torcida, afinal, trata-se do City Football Group, a maior empresa de futebol do mundo. Entre seguir sua filosofia empresarial, visando fazer do Bahia seu segundo maior negócio, e tomar uma atitude populista para agradar ao torcedor – como demissão de técnico, contratação desse ou daquele jogador, por exemplo –, certamente a escolha será pela primeira opção, mesmo que isto signifique perder sócios ou bancar uma taxa de inadimplência maior. 

É claro que o objetivo do Grupo City é também fazer a torcida feliz, aproximando-se mais dela e consequentemente fazê-la aumentar o consumo, mas isso não será drive de decisões, já que o investimento virá de outras fontes e não apenas do consumo da torcida. É algo lógico e compreensível. Não à toa, o presidente Guilherme Bellintani fez um esforço enorme e detalhista para que tudo ficasse claro e mais fácil para o torcedor decidir – o presidente do Bahia agiu como o Pilatos do bem.     

O fato é que o torcedor Tricolor terá que decidir no próximo dia 26 que rumo ele quer dar ao Bahia. Se quer ver seu clube saindo do seu poder através do voto “sim” e, paradoxalmente, ganhando a liberdade que o investidor lhe proporcionará por motivos óbvios; dizer “não” e deixar o clube sujeito aos vexames de sempre; continuar torcendo por um clube escravo do seu destino como construtor de escadas e abridor de portas para donos pobres e desconhecidos, o que é igual a perder a oportunidade de ver o seu Bahia gigante.  

Ao torcedor caberá uma decisão razoável, fria e bem calculada. É preferível a satisfação de estar nas arquibancadas do estádio, torcendo legitimamente pelo Bahia dos seus sonhos, a ter times medíocres e diretorias amadoras querendo fazer profissionalismo com base em interesses mais pessoais do que clubístico -- com raras exceções. Essa satisfação, em claro português, tem um nome garantidor de sucesso; Grupo City.  

Dizer “não” à SAF pelo simples e idiotizado desejo de votar para presidente e dizer que o clube é democrático e pertence à torcida, sem se dar conta de que seu voto só serve para eleger um presidente previamente escolhido por algum grupo, é um claro sinal de cognitivo aquém do senso crítico de análise.  Sabemos que a venda do Bahia significa algo definitivo e não haverá meios possíveis para arrependimento de nenhuma das partes, principalmente, por parte do vendedor. Mas sabemos também que é melhor torcer para o Bahia dos nossos sonhos do que dar adeus ao sonho de ser campeão da Libertadores, por exemplo. 

Binha do São Caetano pode até não ser levado a sério, mas sempre teve a coragem de revelar o Bahia com o qual sempre sonhou. Pois bem, o sonho do Binha pode sim se tornar uma realidade. Tudo é possível onde a moeda é farta e forte.  

Pessoalmente, só passei a ter ideia dessa nova dimensão do Bahia a partir do mês de dezembro, próximo, quando li uma entrevista concedida por Pep Guardiola, a um jornal espanhol, onde ele diz que o Manchester City ainda levará 10 anos para se igualar a clubes como Real Madrid, Barcelona, Juventus, Bayern de Munique e outros desse naipe. Então, dá ou não para ficarmos impressionados? Eu que pensava que o Manchester City já fosse um top-line...  

O sócio torcedor do Bahia precisa ser sensato para entender que, após o “SIM”, fora do que está em contrato, ele não mais terá voz e nem os legítimos direitos dos quais era detentor. Ao torcedor restará o direito legítimo de torcer pelo seu time de coração nas arquibancadas onde poderá aplaudir e vaiar, se necessário, mas é só isso e nada mais. É mais ou menos como um casamento desfeito amigavelmente, devido às incompatibilidades causada por dificuldades, então o casal vai ao cartório e assina documento de divórcio, depois não deve ficar nem com ciúmes, quanto mais com direitos de um sobre outro. 

Disse-me com feliz propriedade o meu amigo Marcelo Barreto, aqui do ecbahia.com, sobre toda essa transformação no Tricolor; “é uma adaptação para a torcida. A corneta do torcedor vai ter de mudar de nota”. 

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