é goleada tricolor na internet
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Publicada em 22 de janeiro de 2026 às 12:29 por Djalma Gomes

Djalma Gomes

A Maratona Já Começou






Fim da temporada especulativa, página virada, agora é a expectativa pelo que se materializou formalmente e aguardar os acontecimentos na prática porque a maratona já começou. Rogério Ceni sobe ainda mais no conceito deste escriba quando passa a ser o treinador do Bahia “B”, sinal muito pragmático de que chegou o momento de ele mesmo lapidar as joias e expô-las na vitrine. O que soa ainda melhor é o entusiasmo de Ceni com o desempenho técnico, tático e físico, com bastante disciplina desses meninos. 

O importante é que a “fábrica” de talentos no Tricolor começou a dar o resultado esperado pelo Bahia desse novo tempo porque o investimento é forte e com muita constância. Jamais imaginei o Bahia comprando potenciais sub17 por autênticas fortunas e apostando alto em jogadores já profissionalizados, porém ainda em início de carreira. Isso mostra como é o planejamento de médio e longo prazo no clube onde toda a estrutura com bases sólidas vai se consolidando.  

É a forma inteligente de como construir algo grande para o Campeonato Brasileiro e Libertadores. Fazer diferente disso seria um redesenho dos anos anteriores quando as coisas não funcionavam bem devido à ausência de recursos e o Bahia vivia da enganadora troca de treinadores na briga para não cair. Às vezes não dava para segurar a onda e a queda se tornava inevitável. Estar entre os dez melhores era só uma esperança. A Libertadores era sonho romântico do tipo amor impossível de um apaixonado plebeu, pela princesa.  

Nesta nova Era de “time inglês” (…) todos os sonhos são possíveis, inclusive o da “Gloria Eterna”. Quem vê o Bahia pelo segundo ano consecutivo na Libertadores e esquece dos porões do futebol – nas séries B e C –, amargados pelo Tricolor durante sete anos e hoje reclama do Bahia-SAF comandado pelo maior grupo de futebol do mundo, não está aproveitando a viagem. Quem além disso, ainda perde seu precioso tempo atacando pejorativamente a competência de Rogério Ceni nas redes sociais, chamando-o, entre outras idiotices, de entregador de camisas, simplesmente de nada sabe sobre esse monstro sagrado do futebol mundial, reconhecidamente um vencedor, que atualmente ostenta por mérito seu lugar na prateleira de cima entre os grandes treinadores do Brasil. 

Criticar um método ou outro sobre o trabalho de Rogério, ou mesmo algum desenho tático – se for o caso – é um direito, porque ninguém é perfeito e vai se equivocar em algum momento. Mas daí a chamá-lo de incompetente – só para não citar censuráveis impropérios – há muita diferença com causa e efeito na falta de civilidade – refiro-me à parte menor desse universo que é a torcida do Bahia. Os insatisfeitos talvez tenham saudades do tempo em que o Bahia brigava apenas pelos respectivos campeonatos doméstico e regional, e ainda assim, era uma no cravo e outra na ferradura, pelo menos do início deste Século até 2023 foi assim. 

O City Football Group tem muito respeito pela torcida do Esquadrão e isso tem de ser recíproco, é uma questão de coerência com os fatos. Só não enxerga o óbvio quem não tem a mínima boa vontade para sentir como o City se esmera na competência com muita responsabilidade no trato ao Bahia e sua Nação. Acho que a caminhada tem de ser feita com a união de ambos os lados zelando pelos mesmos interesses. Mas aí é que há uma certa dificuldade porque o lado mais racional é o empresarial. O outro lado é a paixão que pensa, em minoria, como torcedores insatisfeitos com o projeto de médio e longo prazo.  

O torcedor é imediatista. Por isso é que gerenciar as expectativas e conter o ímpeto da ânsia causada por esse imediatismo, mantendo em alta a identidade e a cultura do Bahia, e da Bahia, ter o equilíbrio entre receita e orçamento, fazer um trabalho social gigante, são fatores decisivos para o sucesso do projeto que ainda tem como desafio fazer com que o torcedor entenda que esse é o único caminho para o topo da glória. Não há meios de fazer diferente quando as propostas são sérias. 

É importante lembrar como exemplo, caro leitor, o buraco no qual o Botafogo se meteu em troca de uma Libertadores conquistada com o carro adiante dos bois. A dívida declarada pelo Botafogo Associação é de R$ 1,5 bilhão e o clube tomou um Transferban pelas próximas três janelas – a primeira já em vigor – e não poderá registrar nenhum atleta. Thairo Arruda, CEO da SAF botafoguense, diz que a dívida de curto prazo é de 700 milhões. O Jonh Textor, dono da holding Eagle Football Holdings que controla o Botafogo-SAF, é réu na Justiça Inglesa tendo como causa uma dívida não paga à Iconic Sports no valor de US$ 94 milhões 

Esse é um bom parâmetro para avaliação da SAF Tricolor, onde a casa não está sendo construída em terreno pantanoso, mas sim sobre uma base forte para transformar nem só o Bahia, mas também a forma de se pensar o futebol no Brasil. Aliás, com a construção do novo CT o Bahia será o clube, a exemplo do Manchester City na Europa, de maior tecnologia no futebol da América Latina. O que posso sugerir é que você, torcedor, faça melhores reflexões sobre o Bahia atual e adote um olhar mais periférico de dentro para fora, assim você conseguirá entender que já é feliz e ainda não tem a consciência disso. 

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