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Coluna

Carlos Patrocinio
Publicada em 08/03/2021 às 10h57

A “Regra do mas” e o Transição do Bahia

Brinco com os mais chegados sobre o que chamo de “Regra do Mas”. Principalmente em redes sociais, as pessoas começam com um texto “politicamente correto”, para não chocar, e de repente lançam um “mas”, para, então, trazer pontos de vista polêmicos. Costumo brincar dizendo que tudo o que vem antes do “mas” é enrolação e deve ser ignorado, já que aquela pessoa geralmente pensa apenas o que vem depois. Lógico que é uma brincadeira (ainda que tenha um fundo de verdade, confesso). Ainda assim, como toda regra, a minha “Regra do Mas” comporta exceções. E hoje vou trazer uma afirmativa que juro ser uma destas exceções. Vamos lá.

Sou  fortemente a favor do projeto da equipe de transição, que reputo ser um projeto interessantíssimo, apto a trazer jogadores das divisões de base para as responsabilidades de uma competição profissional com mais tranquilidade, além de possibilitar testar jovens apostas garimpadas pelo Brasil a fora. Mas, neste ano, me parece que o projeto deu uma bagunçada e precisa urgentemente de uma correção de rumos, para não se perde. Afinal, do jeito que está, em 2021, está complicado.

O primeiro ponto está na comissão técnica do Transição. Ano passado, trouxeram um treinador de verdade, com experiências em times profissionais, que foi Dado Cavalcante. Mal ou bem, tanto é treinador que está aí, no profissional (pra deixar claro, não acho que ele deveria ser o treinador principal e penso que deveria retornar pra Coordenação do Transição, inclusive como treinador). Contudo, para este ano, optaram por efetivar Cláudio Prates.

Abro importantes parêntesis: nada contra o profissional Cláudio Prates, que tem anos de serviços prestados ao Bahia. Contudo, com todo o respeito que ele merece, não o vejo como figura para conduzir um time numa competição profissional, seja com o objetivo de vence-la, seja com o objetivo de utiliza-la para revelar jogadores.

Uma equipe minimamente bem treinada é algo fundamental para que os jogadores, principalmente os mais jovens, possam mostrar seu futebol. Contudo, o que vi nestes 04 jogos da equipe de transição me assustou. Mesmo no triunfo contra o Salgueiro. Me parece um time sem boas ideias, sem capacidade de construção de jogo, que vive de bolas longas e insiste numa ineficaz saída de 3 seja contra quem for. Vejam os gols do time contra o transição: 1 penalti e 2 contra-ataques, um deles num chutão da zaga e o outro no qual o atacante pega a bola no meio de campo e sai correndo. Zero construção.

Nas partidas contra UNIRB e Conquista, dava agonia ver a tal da saída de 3. Recuava um meio campista, liberavam os laterais bem abertos, os atacantes de beirada fechavam um pouco para perto dos atacantes e ficávamos sempre apenas com 2 jogadores no meio de campo, que se tornavam presas fáceis para times com meios de campo povoados. E o time insistiu neste modelo os 180 minutos destes jogos, praticamente. Sem variação, sem repertório. As tentativas eram bolas esticadas e a busca por ultrapassagens dos laterais. Tudo muito fácil de marcar.

Outra questão que me parece questionável é a insistência em jogadores que, com o perdão da repetição, se mostram questionáveis. O primeiro exemplo é Everson. Zagueiro que surgiu bem na zaga, aparentemente apresentou problemas de comportamento, rodou em vários clubes, sempre sem chances e, agora, às vésperas de completar 24 anos, é alçado à condição de titular. Não existem zagueiros na base que mereçam esse espaço? O DADE não é capaz de encontrar zagueiros promissões mais jovens que pudessem ser observados? Porque a insistência com um atleta com essas características, que já teve inúmeras chances de mostrar futebol e não conseguiu, me parece um erro do Transição.

Um exemplo claro, neste caso, é que isso impossibilita que o atleta Gustavo Henrique, zagueiro de 21 anos vindo do Atletico Mineiro, tenha uma sequência e chances reais de mostrar se pode ou não ser aproveitado.

Poderia dizer coisas parecidas sobre Ignácio, Mayk e Gustavo, por exemplo. Outro jogador que não consigo entender nem está mais no Transição (pior, está no profissional): ALesson. É esse tipo de jogador que vamos querer ver no time de cima vindo do Transição? Tomara que não. Talvez eu até esteja exagerando neste ponto, já que indico apenas 4 jogadores num Universo de mais de 20. Mas, numa competição curta como o Baianinho, usar jogadores que tem uma pequena chance de emplacar, quando só temos 9 jogos garantidos na fase de classificação, é uma forma de prejudicar a observação de outros atletas.

Outro ponto que me chama a atenção talvez tenha a vez com o péssimo momento da base tricolor como reveladora de atletas. Afinal, olhando o elenco do Transição (https://www.transfermarkt.com.br/ec-bahia-b/kader/verein/17817/saison_id/2021), dá pra ver que praticamente todos os jogadores são contratados. Essa relação não é totalmente precisa, mas mesmo faltando alguns atletas, que quase todos vem de fora. Onde diabos está a base?

Para não dizer que apenas teci críticas, quero encerrar reforçando o que disse antes do “mas”. Sou favorável à continuidade do Transição. Tanto sou, que não consigo me conformar com os erros de rumo deste início de ano. É importante corrigir, para que possamos identificar se estes atletas tem uma mínima chance de terem chances no time profissional.

Do elenco atual, consigo enxergar algum futebol ou perspectiva em Raniele (pecado essa lesão dele), Renan Guedes, Bruno Camilo, Daniel Penha e Ronaldo (outro que teve uma lesão). Mas, como disse, é complicado avaliar qualquer jogador no contexto em que se encontram. Mas para eles ou para os outros mostrarem algo, precisam de um time bem treinado. Só me resta torcer para que haja uma correção de rumos.

@c_patrocinio

 

 
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