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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 30/10/2020 às 11h15

A responsabilidade tem também a sua porção de medo

Rotular comportamentos profissionais como ruins, péssimos ou, determiná-los como desastrosos é uma atitude contraprodutiva, se você quiser corrigir tais “defeitos”. Todo e quaisquer comportamentos, ou hábitos, estão sob controle inconsciente e refletem quem você é. Para mudá-los terá inicialmente que reconhecê-los, validá-los e só após isto rotulá-los para que se possa agir conscientemente sobre eles. É necessário  entendê-los para que não haja prejuízos crônicos que venham extrapolar os benefícios,  porque o ser humano é um conjunto com três níveis diferentes de energias: corpo, mente e espírito. 

Posto isso, vamos ao ponto objetivo que é a inconstância técnica do Bahia, em campo. Volto um pouco no tempo e encontro Roger Machado na metade da metade da segunda fase do campeonato brasileiro do ano passado dizendo que “não tenho mais o que tirar desse grupo, chegamos ao limite técnico, físico e motivacional”. Isso acendeu a luz vermelha. Havia um comandante capaz de fazer uma primeira fase para classificação direta – o Bahia chegou a estar em quinto lugar – no grupo da Libertadores e, na mesma pessoa, um mesmo comandante incapaz de tirar seu time do buraco em que inexplicavelmente se meteu no segundo turno.  

Apesar disso não diria que o Presidente Tricolor atrasou o processo de mudança no comando técnico, diria que a responsabilidade tem também a sua porção de medo oculto por conta de uma consciência de fazer sempre a coisa certa para que tudo dê certo. Não adianta inflacionar inchando uma folha de pagamentos e depois entrar no buraco negro no qual entrou o Cruzeiro Esporte Clube. A conta chega se você gastar mais do que ganha, e o que o Presidente do Bahia tenta é ser fiel ao orçamento projetado. Esta sem duvida é a melhor forma de se administrar qualquer empresa, principalmente no futebol. O que está sendo construído no Bahia desde a gestão de Marcelo Santana é algo sólido para dar a sustentação ao futuro. 

Discordo convictamente de quem acha que o elenco do Bahia é ruim. Mas em futebol cada torcedor é um presidente, um técnico, ou um diretor de futebol mais competente do que um mestre. Não dá para rotular o jogador pelas palavras irracionais da paixão a cada insucesso ou, a cada sucesso. Porém, o papel de quem dirige o clube, em todos os seus níveis, é fazer tudo dentro do que é possível para conscientizar cada indivíduo do seu potencial para que esse perceba a sua própria capacidade. 

Então a primeira providência pós Roger Machado foi partir para um treinador da primeira “prateleira” no mercado, de conceito profissional irretocável, e capaz de administrar com tranquilidade momentos conturbados de muita tensão. Mano Menezes veio para equacionar problemas, serenar conflitos, nortear o grupo de jogadores e dar comando com a autoridade de quem conhece e pratica a gestão de pessoas. Se até agora as atuações do Bahia ainda são instáveis, é perfeitamente compreensível porque estabilizar o emocional de um grupo, incutindo nele a sua real capacidade, leva um tempo razoável.  

O que Mano está fazendo é tentando alinhar a sua ideia à várias ideias para que harmonizando o interior de cada indivíduo, torne o grupo uníssono e de mente focada no objetivo porque tudo que fazemos na vida, da construção de uma casa à criação de uma ideia na mente, é uma forma de comportamento que resulta em ações  positivas. Mas isso precisa ser cobrado em médio prazo e não através de um número de jogos num espaço de 40 dias, como escutei um radialista dizer que “Mano já completa onze jogos e só ganhou tês partidas, o resto perdeu e empatou, tá na hora de ser cobrado”. Com todo respeito, isso é de uma insensatez a toda prova. O torcedor, sim, pode dizer coisas que partem do coração, mas um formador de opinião não deve dizer isso sem antes analisar o contexto cuidadosamente. 

Lidar com o imediatismo do futebol para obter resultados na bacia das almas tem sido o fator principal para essa “dança” inconsequente de treinadores demitidos ainda no início de uma implantação de métodos tático e comportamental de um grupo que, dificilmente obterá o sucesso desejado se, em condições adversas de um sistema que insiste em fazer a coisa acontecer em cima da perna funciona como tônica. Essa é a marca registrada do futebol brasileiro.  É claro que quando você pega o “bonde andando” está correndo risco de ser taxado como incompetente, mas admiro a coragem de alguém que pega esse “bonde” porque das duas uma:  ou ele é um “louco”, ou confia demais na sua competência e sabe perfeitamente onde vai chegar. Fico com esta última hipótese. 

Em geral não estamos conscientes das possibilidades que a mente nos oferece, mas sentimos as tensões e as dúvidas criadas quando partes diferentes defendem ações  e posturas diferentes. Todos nós sentimos conflitos ente a ética e o interesse pessoal,  entre a simpatia por alguém e os riscos evidentes, entre o bom senso racional e a emoção contrária. Mas a reflexão tem de ser a mediadora entre o conflito e a razão. 

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