é goleada tricolor na internet
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Publicada em 9 de outubro de 2007 às 00:00 por Autor Genérico

Autor Genérico

A crônica que eu iria fazer






Eu estava me preparando para escrever algo que destoasse um pouco do espírito de euforia incontida que tomou conta da nação tricolor após o jogo e as circunstâncias, de difíceis adjetivações, que tiveram lugar nesse domingo, 07 de outubro de 2007.

Eu iria chamar a atenção para o fato de não termos um time que saiba marcar no meio de campo, que deixa os adversários com tempo suficiente para dominar a bola, olhar, pensar, tocar ou lançar para os companheiros com mínima margem de erro – o que parece ser a fonte de todo o sufoco que vimos tomando jogo após jogo. Qualquer “Testinha” ou um mero “Juninho Petrolina” passeiam soltos entre nossos atarantados volantes e fazem a festa.

Tudo isso, acrescido da constatação que o oposto ocorre com os nossos jogadores quando temos a posse de bola: os adversários nos marcam com a tenacidade de argentinos e, via de regra, temos a nossa criação de jogadas bastante prejudicada. A movimentação dos nossos jogadores, a triangulação, o passe em progressão (ponto futuro do falecido Cláudio Coutinho), as tabelas, são de uma raridade só comparável à de homossexuais no mercado iraniano – se formos levar a sério as declarações do presidente maluco lá deles.

Falaria dos “14 trabalhos de Hércules” que temos pela frente, dos Leões de Neméia que temos que matar jogo a jogo nesse octogonal; compararia o CRAC ao Cérbero, o Vila Nova à Hidra de Lerna, o Bragantino ao Touro de Creta, e outras analogias que ninguém entenderia e que certamente seriam um exagero e despropósito perfeitamente dispensáveis.

Lembraria que a única jogada ensaiada relativamente eficiente que temos é a cobrança de falta de Carlos Alberto em direção ao tumulto – uma ação que pode ser denominada como “Final de Reunião de Condomínio”, ou seja, o que ocorrer. E, felizmente, têm ocorrido vários gols salvadores a partir dessa jogadinha, só não se sabe até quando.

Reforçaria a impressão de que Cléber não está jogando nem 10% do que sabe – talvez esteja jogando 100% do que pode (o mesmo pode-se dizer de Preto). Mas que isso está custando muito ao nosso time, porque o setor de criação está inoperante e que Arturzinho não tem mais Danilo Rios por ali. E que, quando olha pro banco e vê Elias, deve dar uma sensação não muito alentadora.

Pediria a Arturzinho a extrema gentileza de encaminhar o “velocista” Amauri para fazer testes de revezamento 4 x 100 metros rasos na equipe para-olímpica do Iraque e por lá deixá-lo, qualquer que seja o resultado do teste. Diria que sei que o cara parece ser gente boa, seguidor da Bíblia e coisa e tal, mas já está queimado com a torcida. Que ele pode ser bom para compor o elenco nos coletivos e treinar os gandulas da Fonte, mas insistir em colocá-lo em campo para “puxar os contra-ataques” já passou dos limites do tolerável. Que essa insistência de Arturzinho com Amauri vai acabar gerando o exílio de ambos, seja no Iraque ou na Birmânia.

Lembraria que, para o técnico Arturzinho, existem duas equipes do Bahia: uma é aquela que ele idealiza em sua cachola e escala para entrar em campo, para matar a pau, anular o adversário em seu campo, pressionar, golear, fazer e acontecer; a outra é a que joga efetivamente e não faz nada daquilo que ele pensou. E que ele, Arturzinho, deveria fazer uma reflexão para encontrar a causa dessa anomalia. Onde estará o erro, o descompasso? Por que os jogadores se desesperam e erram coisas básicas? Por que se posicionam de maneira ineficaz? Por que as substituições que ele faz são tão criticadas? Será que o técnico não está passando a devida serenidade ao time? Eu iria pedir essas respostas. Mas não vou não!

A segunda-feira amanheceu mais alegre. O céu mais radiante. A cidade mais feliz, como sói acontecer quando o Bahia ganha, mormente naquelas circunstâncias. Eu mesmo acordei meio abobalhado, nem ligando para as barbeiragens das mulheres à minha frente no trânsito.

Estou mais a fim é de agradecer a Testinha pelo pênalti a favor do Rio Branco que ele chutou na trave. Agradecer aos reservas do ABC que, dignamente, lutaram pelo primeiro lugar no grupo e pelos 200 mil reais que a diretoria do Bahia ofereceu (e não há ironia nesse agradecimento – creio que devo parabenizar a diretoria do Bahia por ter-se mexido e trabalhado nos bastidores de maneira eficiente, mas chega de elogio para eles).

Quero dar uma moção de apoio e desagravo ao juiz do jogo que, diferentemente do que afirmou a imprensa rubro-negra terrorista e nefasta, acertou totalmente ao não marcar um pretenso pênalti a favor do Fast, num lance em que goleiro Márcio ficou parado e com os braços estendidos para baixo, enquanto o atacante se projetou sobre ele – exatamente como faz Apodi, o maior simulador de faltas em atividade, que costuma se jogar para cima dos adversários com espalhafato, mas com uma sincronicidade em relação ao movimento do adversário que o faz candidato ao Oscar de efeitos especiais.

Quero agradecer aos jogadores do Bahia que, mesmo caoticamente, empenharam-se em conseguir o triunfo, que já parecia impossível, diante de um Fast Clube surpreendentemente combativo com apenas nove homens em campo – como é que eles tomaram 3×0 do Rio Branco dentro de casa? Estranho. Esse Fast, apesar do nome, não passará rápido na memória. Ficará por muito tempo; durará em nossas lembranças sensoriais, afetivas e aflitivas.

Agradecer a Inho pelo lançamento, a Carlos Alberto pelo cruzamento e a Charles pelo gol e por ter esse nome que evoca aquel’outro homônimo que brilhou no comando do ataque no time Campeão Brasileiro de 1988 e em anos subseqüentes. Charles é mais um sergipano que parece fadado e registrar sua marca positiva no tricolor baiano.

Louvar Arturzinho por ter reconhecido, ao final do jogo, que ele não teve nada a ver com o triunfo. Só discordar dele quando atribui a responsabilidade disso a Deus. E a torcida que ficou lá se movendo de um lado pro outro atacando e defendendo com o time? Que se apinhou atrás do gol da Ladeira da Fonte para pressionar o adversário? E as mandingas todas que foram postas em prática pelos supersticiosos e pelos cartesianos como eu?

Quero demonstrar o meu desdém, desprezo e sorriso irônico aos torcedores do Vitória em Rio Branco e àqueles que foram para a Fonte Nova presenciar e se deleitar com mais uma possível derrocada do Bahia. Pode ser que não percam por esperar, mas nesse domingo vocês tiveram de amargo o que nós tivemos de doce. E como foi bom!

Quero me solidarizar com todos aqueles que buzinaram incessantemente depois do jogo, que gritaram ensurdecedoramente, que soltaram fogos, que choraram… Sim, quantos choraram lágrimas sublimes nesse domingo… E quantos, como eu, tiveram um nó na garganta ao tentar cantar “Bahia minha vida, Bahia meu orgulho, Bahia meu amor”…

Bora BAAHÊÊAA, minha porra!

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