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Publicada em 15 de setembro de 2009 às 00:00 por Autor Genérico

Autor Genérico

A Esquadra da Rainha






No final do século retrasado, a grande potência mundial era o império britânico, cujo território conquistado através de séculos de guerras expansionistas era tão vasto que seus cidadãos costumavam afirmar que nele o Sol nunca se punha.

Grande parte do sucesso deste império se deu diretamente por conta da esquadra da rainha, a marinha do império britânico.

Tecnologicamente avançada em relação aos seus inimigos, a esquadra real garantiu vitórias sobre grandes rivais, como na destruição da “invencível armada” espanhola e os seguidos triunfos obtidos contra as armadas de Napoleão.

No início do século passado, surgiu o império alemão. Um dos trunfos deste novo império era a renovação da sua marinha, com uma inovação tecnológica que viria a mudar o mundo: o uso do petróleo como combustível para geração de força.

Na época, a esquadra real britânica ainda era propelida por motores movidos a carvão, muito menos eficientes que os novos motores alemães, movidos a óleo combustível derivado do petróleo.

Detectando a nova ameaça, o grande estadista britânico Wiston Churchil, então chefe civil da armada real, decidiu apostar na renovação da marinha britânica com a adaptação de seus navios ao uso do óleo combustível, a fim de mantê-la tecnologicamente superior à marinha alemã.

Mas para decidir por adotar a nova tecnologia, era preciso garantir a oferta do petróleo a preços razoáveis em tempos de paz, e seu fornecimento seguro em tempos de guerra. Isto foi conseguido com o apoio à criação da Britsh Petroleum e o domínio de campos produtores do oriente médio.

Churchil previa que a guerra contra a Alemanha seria inevitável e que a Inglaterra deveria estar pronta para ela a qualquer instante. O resultado foi que a primeira guerra mundial ocorreu e a Inglaterra venceu porque, entre outros fatores, soube manter a dianteira tecnológica de sua principal arma.

Além disso, o uso do petróleo com gerador de força foi difundido mundialmente e deixou de ser um diferencial, tornando-se por muito tempo item obrigatório para a sobrevivência das marinhas nacionais.

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No futebol do século passado, quando a principal “tecnologia” para gerar receitas era a bilheteria dos jogos, havia clubes que eram superiores a seus rivais regionais, pois auferiam maiores receitas de sem fazer força, devido a sua imensas torcidas.

Eram os chamados clubes de massa: Bahia, Atlético-MG, Internacional, Santa Cruz, Corinthians e Flamengo. Com a profissionalização do futebol, sua “tecnologia” mudou e a bilheteria passou a ser secundária na manutenção de um time competitivo em longo prazo.

Investimentos em estádio próprio, gestão profissional, divisões de base, marketing esportivo, direitos televisivos, franquias e adaptação à nova lei do passe tornaram os antigos clubes secundários em novas potências regionais e até mesmo nacionais.

A ascensão de clubes como São Paulo, Cruzeiro e Atlético-PR sobre seus antigos rivais papões de títulos comprova isso. Por não terem um administrador previdente, os clubes de massa entraram em crise com suas estruturas “tecnológicas” defasadas.

Hoje, pode-se ver o Bahia penando na série B e o Santa Cruz na D. Atlético-MG e Corinthians também tiveram que passar por este inferno, enquanto Flamengo e Internacional só não tiveram o mesmo destino por muita sorte.

Acontece que o Internacional, após perder a hegemonia regional para o Grêmio e passar algumas temporadas fugindo do rebaixamento, importou da Europa a “tecnologia da associação em massa” e conseguiu retomar o caminho das conquistas, chegando a superar seu passado glorioso ao se tornar campeão mundial.

Dessa forma, a associação passou a ser percebida como diferencial tecnológico no mundo do futebol e sua adoção pelos clubes tornou-se inevitável. Levará vantagem quem adotá-la primeiro. Quando todos tiverem abertos seus olhos, deixará de ser diferencial e se tornará item obrigatório para a sobrevivência de um clube.

Mas, para que essa nova “tecnologia” seja adotada, ou seja, para que um projeto de associação em massa dê certo, é preciso que o tripé credibilidade, gestão profissional e investimento em marketing seja facilmente identificável pelo público consumidor do clube: sua torcida.

No caso do Bahia – antigamente o imbatível esquadrão de aço -, a diretoria deu seu primeiro passo e começou sua aposta lançando o novo “Bora Bahêa”, nosso incipiente projeto de associação em massa.

Para que funcione, é preciso que a diretoria sedimente sua credibilidade junto à torcida, mantendo a empolgação dos que a apóiam, atraindo os indecisos, e conquistando a confiança dos que ainda não enxergam mudanças significativas na nova administração.

Só enxergo uma maneira para isso: alterar os estatutos para adoção de eleições diretas e sem filtros em 2011, com posterior e intensa campanha de marketing para a associação em massa, com vantagens reais para os sócios.

Se o Bahia não adotar essas medidas, estará fadado a ser segunda força regional e time pequeno em âmbito nacional por mais algumas décadas devido à insistência em permanecer defasado tecnologicamente.

Nosso presidente precisa fazer isso enquanto essas medidas ainda forem um diferencial e se tornar nosso Wiston Churchil. Afinal, é questão de tempo para que todos os clubes de elite, e aspirantes à elite, adotem a associação em massa.

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