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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 21/02/2024 às 21h27

Aldeia Potemkin

Atribui-se ao russo Potemkin - Marechal de Campo e íntimo amigo da Imperatriz Catarina - a ideia de se construir uma aldeia de “fachada” para fingir que se tratava de um vilarejo verdadeiro. Segundo relatos, ele teve essa ideia durante uma viagem da Imperatriz à Criméia, quando mandou construir estruturas falsas ao longo do roteiro de Catarina e ia desmontando essas vilas à medida que a Imperatriz passava, reconstruindo mais à frente, de modo a impressioná-la e dar a idéia (uma fake news por excelência) de que a região estava habitada. Hoje, provavelmente chamaríamos essa construção de cidade cenográfica. 

Mal comparando é o que o Bahia – Rogério Ceni à frente - fez com sua torcida neste início de temporada. Friamente, sempre soubemos lá no interior de nossa consciência que nunca tivemos um elenco digno desse nome. Já disse aqui neste espaço que nos faltam um ou dois zagueiros, um lateral esquerdo, um ou dois centroavantes de respeito e um atacante de beirada que jogue pela direita. Há quem também reclame a necessidade de um goleiro. Mas, ficando apenas nas lacunas da linha de 10 jogadores, precisamos de meio time. Isso mesmo que você ouviu: metade de um elenco. E você, caro leitor, acha muito ou pouco?

Estamos sendo iludidos com um cenário irreal. O meio-campo tricolor – esse sim, digno de receber elogios pelas contratações – foi capaz de magnetizar e fazer com que o torcedor acreditasse que o time realmente recebeu um upgrade de dezembro para cá. Doce ilusão. Terá sido provocada pelo nível mais baixo dos adversários? Pela facilidade que tivemos em vários jogos de tocar a bola e construir jogadas ofensivas? Difícil achar uma resposta precisa a essas questões, porém mesmo em jogos em que vencemos com sobra restou evidente nossa fragilidade na transição defensiva, particularmente pelo setor esquerdo da defesa (por que Camilo Candido foi liberado mesmo?).

No ataque, a criatividade e a aproximação sempre perigosa dos meias, aliadas à boa fase de Ademir, serviu para disfarçar nossa incapacidade e incompetência ofensivas. Até hoje Everaldo não justificou sua contratação, salvo em episódios muito esporádicos. Biel parece ter esquecido seu futebol em 2023, Rafael Ratão até teve um início de ano razoável, mas depois deixou de ser escalado pelo treinador (também não sabemos o porquê). Contratamos um centroavante recentemente, Óscar Estupiñan, Vamos ver se entrega minimamente o que seus companheiros não fizeram até agora. A julgar pelo sua estreia podemos ter esperança.

Esse falso cenário positivo apresentado pelo Bahia não resistiu ao clássico local contra nosso ex-rival. Verdade que Ceni errou bastante naquela partida. Ao contrário de muitos, acho que acertou mantendo o planejamento inicial de revezamento de jogadores. Todavia, foi infeliz nas substituições, expondo demasiadamente o time do Bahia às investidas adversárias. Nem por isso concordo com as virulentas críticas feitas ao nosso treinador. É o momento dele testar soluções alternativas, embora até para isso deveria ter um limite. Colocar Cicinho de lateral esquerdo, sacar Ademir e manter Everaldo improdutivo em campo não são testes. Parecem mais gambiarras. E daquelas bem mal feitas! A torcida tem certa razão em se revoltar contra as gambiarras de Ceni, mas não precisa exagerar e se comportar como se treinador e jogadores não fossem humanos e, portanto, sujeito a erros. Tem sim que aumentar os protestar contra a diretoria que insiste em fingir que não vê nossa aldeia de “fachada”. BBMP!!

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