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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 23/05/2021 às 22h04

Amor e Ódio

Decorridos quase cinco meses do ano de 2021, o Bahia já encerrou sua participação em dois campeonatos, o Baiano e a Copa do Nordeste. Na Sulamericana, joga durante a semana aquela que deve ser sua derradeira partida nesta edição do torneio da Conmebol. Sendo assim, podemos refletir um pouco sobre as lições aprendidas até o momento e suas consequências para o restante da temporada.

Em primeiro lugar, devemos ressaltar a importância do time de transição, sub-23, Bahia B ou como se deseje chamar. É absolutamente necessário em razão do caótico calendário do futebol brasileiro. Nunca é demais lembrar que o Bahia completará 31 partidas disputadas em cerca de 90 dias, sem falar em jogos realizados em dias seguidos, alguns dos quais envolvendo deslocamentos para outros estados e, até mesmo, para o exterior.

Mas, não só por essa razão devemos ter um time de transição. Trata-se de excelente (e barato) laboratório para revelar jogadores que podem ser úteis ao nosso tricolor, tanto para reforçar o time principal (alguém aí quer jogar a série A sem Patrick?) quanto para servir de vitrine de revelação de atletas que poderão dar retorno financeiro ao clube (dá para dispensar os R$ 10 milhões da venda de Thiago?).

“Ora, ora, ora, onde já se viu disputar o Baiano e não ganhar? Com a estrutura que o Bahia tem?” Diria o torcedor inconformado com a ausência da 50ª. estrela estadual. Bem, a vida é feita de escolhas. Não se pode ter tudo e onde tudo é prioritário, nada é priorizado. Acertadamente, foram colocadas em ordem maior de importância as disputas da Copa do Nordeste (fomos campeões, embora muito torcedor já tenha se esquecido disso), da Copa Sulamericana (não devemos nos classificar para a próxima fase, muito mais em razão do regulamento do que de uma má atuação) e da Copa do Brasil (estamos avançando de fase e com boas perspectivas).

Creio também que não deva ser difícil entender que o time de transição que disputou o campeonato baiano foi formado às pressas, em razão de só termos definido a permanência na série A nas últimas rodadas do Brasileirão, disputadas entre janeiro e fevereiro deste ano. Pessoalmente, tenho uma crítica ao modus operandi da equipe de transição. A meu ver, deveria atuar como espelho da equipe principal, com técnico de filosofia semelhante e com padrão similar de jogo. Isso facilitaria o “encaixe” de peças quando necessário e reduziria o tempo de adaptação dos jogadores que “subissem” para o time considerado titular.

Recentemente, a diretoria tricolor anunciou que reformulará a equipe de transição, optando por contratar jogadores ainda mais novos. Decisão correta no meu entendimento. Mas, exigirá paciência por parte da torcida, pois claramente estaremos priorizando a formação e revelação de jogadores. Títulos estaduais até poderão vir, mas não será o objetivo maior desse grupo.

A segunda lição que podemos levar para o restante da temporada é que, sim, podemos voltar a sonhar em ter um time competitivo, capaz de disputar e ganhar campeonatos de tiro curto, como a Copa do Nordeste. Mas, se quisermos fazer bonito em torneios longos, como o Campeonato Brasileiro, será necessário investir um pouco mais, de forma a podermos contar com um elenco mais diversificado. Isso se quisermos ficar na primeira página da classificação. Com o time atual, arriscaria dizer que ficaríamos entre 11º e 13º. Sem risco de cair, mas sem fôlego para vôos mais altos.

Não podemos achar que Daniel e Rodriguinho vão jogar inspirados em cada partida, muito menos que tenham energia para correr 90 minutos. Precisamos urgentemente de peças de reposição para estas posições, assim como para substituir Rossi. Conseguimos acertar o sistema defensivo, mas nosso ataque não funciona adequadamente em todas as partidas, seja por cansaço, seja por deficiências técnicas.

Por fim, uma opinião polêmica. Os jogos da temporada serviram para mostrar a importância de Gilberto para o time tricolor. Mas, também, serviram para evidenciar que é hora de encontrar um substituto e liberar o craque para deixar o clube e seguir sua vida, sob pena de sair não como ídolo, mas como alguém por quem a torcida nutrirá sentimentos confusos, de amor e ódio. BBMP!!

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