é goleada tricolor na internet
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Publicada em 17 de setembro de 2019 às 14:45 por Vladimir Costa

Vladimir Costa

Bahia time de amarelo e preto






Em sua nova pesquisa sobre o tamanho das torcidas, o Instituto Data Folha mostra torcida do Bahia com menos de 2% da população brasileira. Considerando que estamos atrás do Botafogo mas à frente de Fluminense, Sport, Santa, Fortaleza ,Vice e Ceará, todos na casa do 1%, arrisco a dizer que temos + de 1,3 e – de 1,6%.Assim, é seguro falar que temos cerca de 3 milhões de torcedores (de 2,7 a 3,3 considerando uma população de 210 milhões de habitantes).

A pesquisa faz algumas estratificações sociais interessantes. A maioria da nossa torcida é de pretos. Ao todo, 3% dos pretos do país são Bahia. O percentual de brancos, indígenas e pardos que são tricolores é 1%. E aí vem algo curioso: 3% dos amarelos são torcedores do Bahia. E essa etnia é a que mais gosta de futebol dentre todas (88% deles tem um time pelo qual torcem). Ainda que os asiáticos sejam a menor etnia do país, isso pode ser um sinal interessante, uma vez que, normalmente essa população tem renda acima da média do resto da população.

O trabalho revela ainda a estratificação do torcedor de futebol. Curiosamente, o maior percentual de torcedores de futebol está entre a fatia mais rica da pesquisa: 83% dos que que têm renda familiar acima de 10 salários mínimos torce para algum time ou para a Seleção. Nesse nicho, 2% ostentam as estrelas de 59 e 88 no peito. Nas demais  faixas de renda, seguimos com 1%.

Mas o que eu mais gostei de ver foi o percentual de tricolores se identificando como pretos na pesquisa. É de longe a etnia mais discriminada e mais carente, seguida pelos indígenas. Cresci no Nordeste (de Amaralina pros não iniciados) e era comum ver preto se dizendo moreno. O trabalho de autoestima feito nas últimas décadas pela militância negra (que acerta muito mais do que erra) tem conquistado cada vez mais espaço na sociedade e isso é ótimo para todos, menos para os racistas.

As ações que o Bahia tem adotado após a democratização, especialmente contra a discriminação das minorias*, têm atingido positivamente o grosso de sua torcida. Sejam os pretos tricolores, sejam os índios e pardos ou mesmo os brancos e amarelos que reconhecem a necessidade dessa política em busca de um país mais igual e de uma sociedade mais justa para todos.

Nesse sentido, a linha “Bahia clube do povo” tem conseguido agradar até mesmo quem não gosta muito de futebol. Porém ainda peca no preço. O povo na maioria das vezes não tem 88 barão pra dar numa camisa de algodão. Mesmo em 4x no cartão. Do mesmo jeito que existe a camisa de jogo popular, faz-se necessário lançar camisa do povo para o povo, ainda que isso desagrade outras marcas licenciadas e conhecidas pelos preços exorbitantes de suas peças.

*minoria aqui não significa necessariamente menor número de indivíduos mas assim grupos que, apesar de numerosos ou mesmo majoritários, seguem à margem da sociedade, sem poder econômico, condições dignas de vida, sem representação política e/ou vítimas de discriminação sexual, étnica ou religiosa.

 

 

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