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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 04/11/2021 às 16h11

Casados ou separados

A maior dúvida que paira atualmente sobre a torcida do Bahia é a continuidade de Gilberto no clube. Para uns tornou-se um pesadelo, para outros simples preocupação, para os mais apaixonados angústia. Enfim, há um generalizado sentimento de perda porque o verdadeiro Tricolor já não acredita mais nessa diretoria que aí está. Fala bonito para os incautos e usa o termo "responsabilidade" como justificativa pelos seus insucessos.

De formas que qualquer justificativa sobre o assunto Gilberto, caso o centroavante goleador e ídolo tenha assinado um pré-contrato com algum outro clube, cairá por terra porque nesse caso será uma questão de dias para Gilberto estar distante do Tricolor, o que supostamente ratificaria a incompetência de uma diretoria em maus lençóis perante à torcida.

Conto também com a possibilidade das conversas entre diretoria e jogador estarem bem avançadas para uma conclusão favorável porque no Bahia da transparência zero tudo é possível.

Porém, se não há esse pré contrato, então a torcida Tricolor pode ficar em paz porque certamente a vontade de Gilberto não reflete sua saída. Motivos para esse desfecho não faltam, senão vejamos; atacante está com 32 anos completos e isso pesa numa assinatura de contrato longevo fora do Bahia. Para sair de onde ele vive um belo momento, já que é artilheiro do certame brasileiro, exigirá um contrato longo e com salários bem acima do que ele tem atualmente. Salário alto conseguirá porque o jogador vale. Contrato longo já seriam outros quinhentos.

Além disso, é claro que o staff do jogador haverá de ponderar com o mesmo alguns pontos importantes como por exemplo os prováveis destinos: Flamengo, não será titular. Fluminense; talvez para substituir Fred que deverá parar (...) em 2022. Vasco ou Botafogo; clubes com graves problemas de liquidez, aventuraria? No São Paulo não seria titular absoluto. Palmeiras; pode acontecer mas não seria titular. Corinthians; sempre uma incógnita com dificuldades financeiras e não seria titular absoluto.

Atlético Mineiro; não cabe. Coritiba; seria uma troca desinteligente. Athletico Paranaense; possibilidade que acho remota. Internacional; tipo do clube que não faria um contrato longevo com Gilberto e de igual modo o Grêmio. Santos; instabilidade financeira total. Bragantino; a Red-Bull é antes do futebol uma instituição investidora. Para jogadores acima de 30 anos torna-se mais difícil.

Questões objetivas; Gilberto não rendeu muito nos clubes por onde passou antes do Bahia, nem sempre pela questão técnica, sim por um lado mais afetivo e questões de adaptação. Sobre esses detalhes haverá reflexões por parte do jogador, que rodou bastante em busca de um clube que lhe desse condições de trabalho. Ao Bahia chegou com 28/29 anos de idade e acertou o pé, literalmente, se tornou ídolo muito rapidamente e dificilmente deixará de ponderar sobre o peso dessas verdades.

No Esquadrão atingiu marcas históricas e superou o fabuloso Douglas Franklin na artilharia do Campeonato Brasileiro. Douglas é recordista do Século XX e Gilberto é o recordista deste Século XXI, até então. Com certeza não seria sacrifício nenhum do Bahia investir num contrato longo com o atleta ainda que no mínimo 30% mais caro que hoje. Isto e mais a longevidade contratual seria o prato da balança pesando mais para o lado do Esquadrão para que o homem gol não se vá.

Afora os aspectos aventados acima, no Bahia Gilberto sempre teve e tem ambiente ideal para desenvolver seu futebol e ser feliz atingindo objetivos pessoais e profissionais. Tem identidade com a torcida e é reconhecido pela sua garra vestindo a camisa Tricolor. Fale dos defeitos do Gilberto, se for o caso, mas jamais diga que ele não se entrega nos jogos completamente. Além da volúpia de fazer gols, o que dispensa comentários.

Pode ser também que não haja um acordo entre clube e jogador. Porém isto está mais para ser posto na conta do dirigente do que na conta do jogador. Sabemos que o bom custa caro, mas jogador como Gilberto não é despesa, sim um investimento com retorno garantido na prática. Não sei como pensa, e se pensa, o Presidente Tricolor sobre Gilberto, mas no mercado brasileiro outro igual ao Giba vai ser muito difícil encontrar. E se encontrar.

Porém tem alguns pontos importantes a serem largamente considerados: Estados Unidos, o novo eldorado e destino dos "trintões". Ou uma possível volta do atacante à Turquia. Ou a ida para algum médio clube da Espanha. Podem ser destinos prováveis do astro Tricolor, por que não? Nesse ponto a concorrência fica completamente desleal porque o dinheiro representado pela moeda forte, principalmente a do outro lado do Atlântico, liquida com qualquer tentativa do Bahia.

Na opinião deste colunista, olhando pelo prisma circunstancial do caso, acho também que ficou algo conotando de leve um "vamos pra frente que tu me paga" devido a essa declaração no meio deste ano: "Vi uma recente declaração de Bellintani que eu tinha contrato até dezembro e que, possivelmente, se não fosse alguma coisa boa para o Bahia, não iria sair. Então sigo na minha. Até por ter contrato, né?” Entrevista de Gilberto ao Correio da Bahia.

Aí está para reflexão do torcedor e da própria imprensa. Não é realmente uma equação fácil a continuidade ou não de Gilberto no Bahia. Deve ser mais ou menos 50% para ficar e 50% para sair. Quando Dezembro chegar tudo se transformará em 100% para alegria, ou tristeza, da torcida do Esquadrão. Até lá, apenas continuarão os sonhos e pesadelos sobre como será Gilberto e o Bahia em 2022, se casados ou separados.

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