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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 15/10/2021 às 22h40

Cuide bem do jardim que as borboletas aparecem

Treinador de futebol não ganha jogo, dizem, mas é o primeiro a ser culpado quando seu time perde um ou mais jogos. Para os técnicos de futebol há uma "degola" pronta em cada clube no Brasil para nela colocar a cabeça do menos culpado nesse processo viciado, que atua como se fôra um sofft, cuja senha só o presidente do clube possui.

Embora a prerrogativa da demissão de um treinador devesse ser do diretor de futebol, não é assim que funciona na maioria dos casos. O cargo é culturalmente burocrático e decorativo porque apesar do regime ser presidencialista, o mandatário máximo se comporta como ditador no clube. Salvo poucas exceções, o Diretor de futebol é apenas uma composição formal de um sistema onde algo parecido com o casuísmo é regra.

É uma cultura errada, anacrônica, pouco inteligente, antidemocrática e exercida de forma monocrática numa "Corte" pré-julgadora da qual o presidente do clube é juiz, promotor, júri ao mesmo tempo, e onde o réu não tem direito à defesa. Ele julga, condena, dá a sentença e, cumpra-se! É sumário -- qualquer semelhança com alguma coisa extremamente antipática e detestável é mera coincidência.

Como o Bahia não é exceção nessa regra, então dispensou um treinador e ato contínuo contratou o argentino Dabove e, outra vez, em ato contínuo o dispensou. Que foi uma dispensa providencial não há dúvida, pois, o Esquadrão estava em queda livre e o para-queda não abria por natural ignorância sobre uma causa específica.

Numa tentativa de evitar uma tragédia o Esquadrão dispensou Dado Cavalcanti e a seguir noticiou -- com efeito bombástico -- a contratação de Dabove como se fosse a salvação da Nação Tricolor. Foi uma surpresa e satisfação geral que conotava status. Meu amigo Nestor Mendes ficou tão entusiasmado que enviou uma bela carta num espanhol impecável a sua manifestação de boas-vindas com algumas recomendações salutares. Faltou fazer a de despedida, meu caro amigo.

O porquê da escolha do pouco conhecido treinador argentino não se sabe. Talvez o desejo de consumo do torcedor tenha dado essa força ao presidente do Esquadrão e ele para ficar em paz foi conivente com o tal desejo. Porém, penso que o presidente Tricolor não foi prudente na escolha e ainda se enrolou com o idioma espanhol ao contratar Dabove e este idem com o português ao ouvir o presidente.

O Bahia precisava de um exorcista para expulsar o fantasma da Segundona e Dabove entendeu que foi contratado para montar um laboratório de ensaios. Não poderia dar certo e não deu. O medo chegou num ponto tal, dizem as más línguas, que o General Guilherme já não usava mais calça branca e nem jeans azul, era só calça caqui meio amarronzado, ou cor de palha. O fantasma da Segundona já parecia real e não lhe dava tréguas...

Foi então que de mãos dadas numa concentrada seção no vestiário após o jogo em Itaquera, quem sabe com velas acesas, "São" Guto foi invocado e apareceu para espantar todos os demônios que passeavam pela Cidade Tricolor e apareciam com frequência nos vestiários por onde o Bahia passava. Deu certo e tomara que assim continue para satisfação geral e bem comum da Nação.

O que esta Coluna deseja é o melhor possível para o Bahia. Queremos ver o clube verdadeiramente democrático e transparente. Não temos nada pessoal contra quem quer que seja no Bahia. Ao contrário, desejamos é que a atual diretoria amadureça e faça a coisa certa, sempre, porque o que o Esquadrão precisa é de excelência na sua administração e não das vaidades pessoais que tanto prejudicam o Bahia.

-- "Cuidem bem do jardim que as borboletas aparecem".

A Torcida Tricolor é Patrimônio Imaterial da Bahia e merece todo o respeito de quem eventualmente esteja à frente desse clube de glórias e tradições na sua história que dignificam a Bahia e o Brasil. Bem como deseja que a dedicação dos seus diretores ao futebol do clube seja prioridade indelével e indiscutível porque a locomotiva que conduz absolutamente tudo no clube é o seu time de futebol.

"Homens superiores monopolizam a audição. Homens pequenos monopolizam a fala"

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