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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 14/03/2019 às 16h41

Dez mil pares de olhos

Lembro-me que quando Enderson chegou ao Bahia teve grandes dificuldades para finalmente encontrar o caminho. À época, critiquei o fato e achei que ele não daria certo no Bahia. Não discutia sua capacidade profissional. Questionava simplesmente o seu tamanho para o clube, haja vista que ele não houvera acertado nos clubes chamados grande pelos quais havia atuado.

Mais à frente ele encontrou um padrão e as coisas começaram a funcionar em campo ao ponto de merecer elogios de Felipão e Tite. Sendo assim, não seria eu para ir de encontro aos fatos favoráveis à ocasião porque na prática Enderson começou a mostrar competência. Precisava apenas de tempo.

Quando o E. C. Bahia resolveu renovar o vínculo com Enderson para este ano, achei certo e sensato, afinal o Bahia houvera cumprido uma jornada – desde a saída de Guto Ferreira – excelente e por pouco não chegou à final da Sul-Americana – diga-se, não chegou impedido pelo VAR.

Começa o ano de 2019, saíram peças importantes, foram preservadas outras, e vieram algumas contratações que poderíamos dizer ótimas para o porte do Bahia – achava hipoteticamente arrumada a casa tricolor.

Este colunista esperou que o novo Esquadrão saísse da pré-temporada tinindo, prontinho para os campeonatos a serem disputados, e veio o primeiro Bavi... uma decepção total. Frustrante. Empate com efeito moral de derrota. Aqui nesta coluna, porém, contemporizei de forma justa, já que apenas haviam decorridos 30 dias desde o fim da tal pré-temporada. Clamei por paciência.

Sessenta dias depois, o fim do sonho tricolor de conquistar a Copa Sul-Americana chegava ao fim de forma bisonha, e não parou mais. Tombo aqui, queda ali, tropeços contínuos e o Esquadrão começa a descer a ladeira... Mais um Bavi e outra decepção, outro filme embaçado numa câmera de grife...

Mas a quarta-feira chegaria trazendo um visitante tranquilo e de fácil domínio, em tese, para o Bahia. Ah... qual nada! Dez mil pares de olhos bem tricolores na Fonte Nova testemunharam uma catástrofe. Dessa vez foi o desacreditado atual Sergipe, que chegou à Bahia fragilizado -- porém de técnico novo --, prestes a levar “chumbo grosso” e saiu ileso e vitorioso como nunca. Calou até o mais “paraguaio” Binha sergipano e fez a torcida do Bahia ir dormir incrédula e acordar de cabeça inchada.

Presidente Bellintani, os números de Enderson neste ano, já decorridos mais de 70 dias de trabalho prático oficial, não credenciam o Bahia para nenhuma conquista em curto prazo. Nem para se classificar entre os quatro na tabela do Campeonato Baiano. Não é pelo trabalho existente nos treinamentos e nem no aparente bom relacionamento entre comandante e comandados que analiso o momento, sim pela falta de repertório tático durante os jogos.

O sistema tático do Bahia é como música de uma nota só. O Bahia ataca mas não finaliza e nada muda. Dois laterais direitos de ofício no banco e Enderson começa e termina a partida improvisado. Nem me fale em queimar Borel porque lançar jovens em time de profissionais experientes é mais velho do que contar dinheiro. A verdade é que o técnico tricolor não tem mais condições psicológicas para continuar à frente do time e insistir teimando contra a sensatez torna-se algo muito desinteligente.

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