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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 20/09/2020 às 21h16

Do sucesso de Mano Menezes depende o sucesso de Bellintani

A fantástica diversidade de pensamentos sobre um determinado assunto, sobretudo quando essa vai da sensatez à extrema paixão, é tão sensível e ao mesmo tempo difícil quanto encontrar consenso em temas que envolvem religião, política partidária e futebol. Mas se o assunto é Esporte Clube Bahia, então essas dificuldades ganham proporções extraordinárias e os conflitos se agigantam e a competência é questionada. Faço esta analogia tentando iluminar um momento de dificuldade pelo qual passa o Bahia – que é bem complicado até aqui.    

Parte da Torcida vê em Guilherme Bellintani um gestor capaz e indispensável pelo fato de ele ter conduzido o clube ao patamar de excelência estrutural, inclusive, projetando-o nacional e internacionalmente de forma diferente, através das ações sociais e que naquele momento soou como algo novo no futebol  brasileiro e, até mesmo pelo ineditismo que transcendeu fronteiras, deu à gestão Tricolor uma visibilidade tal que o Bahia se tornou modelo de organização, credibilidade e exemplo de crescimento no futebol brasileiro. A própria contratação de Mano Menezes ratifica o atual conceito do Bahia, nacionalmente. Fato.

Outra parte da torcida demoniza o Presidente e até diz que ele transformou o Bahia numa “ONG” político social – aqui entra a tal diversidade de pensamentos geradora de conflitos em épocas de vacas magras – e esqueceu que o Bahia é essencialmente um clube de futebol. É claro que em algum momento Bellintani se equivocou ao misturar o clube com suas ideologias políticas como se dono fosse dele e pudesse correr o risco de dividi-lo  – haja vista o episódio patrocinado por ele, Bellintani, quando criticou o Presidente da República por este usar a camisa do Bahia. Ora, sabe-se que o Bahia é um clube eclético que pertence à massa e por isso mesmo é democrático e indivisível. 

– Não é demais lembrar que Bellintani e seus pares na diretoria são funcionários do E. C. Bahia e não proprietários. A nação Tricolor, sim, é a legitima proprietária. No seio dessa massa heterogênea tem padres, médicos, crentes, professores, músicos, trovadores, poetas, escritores, céticos, padeiros, católicos, evangélicos, ateus, empresários, taxistas, homens e mulheres de todas as raças e opções sexuais, pobres, ricos, crianças, pipoqueiro, sorveteiro etc. etc. e várias etnias, o que foi ignorado pelo Presidente Tricolor ao criticar deselegantemente o Presidente da República.    

Mas enfim, se não houvesse essas intercorrências e o time estivesse dando retorno em campo não haveria nenhum espaço para questionamentos conflitantes ao ponto de a essa altura colocar em xeque a reeleição de Bellintani.  Pior é que esses conflitos geram um desgaste de energia mental e física nos dirigentes que, talvez, isso tenha até alguma influência sobre o insucesso do time em campo.  

– Nesse laboratório de conflitos as “bactérias” tornam-se monstros difíceis de se controlar. Porém, habilmente o presidente Tricolor abriu mão sensata e eventualmente do princípio que sustenta suas convicções e demitiu Roger Machado, e ato contínuo contratou um dos melhores técnico do Brasil e jogou água fria na fervura. Entretanto o Bahia amarga uma péssima posição na tabela do campeonato, e, embora estar na zona da morte não quer dizer que não haja vida, ainda assim torna o momento do Presidente do Clube bastante desconfortável já que pretende se reeleger. 

Mas tem de rezar muito para São Judas Tadeu entrar em ação. Todavia Mano Menezes é um treinador muito experiente e acostumado com situações complicadas, e acredito que ele não viria para o Nordeste se não enxergasse totais condições de trabalho com objetivos definidos. Claro que não. Se veio é porque quer marcar época no Bahia e porque o projeto que lhe apresentaram é ambicioso.   

Claro que alguns ajustes nesse elenco atual precisam ser feitos em âmbito de reforços, psicológico e técnico tático, e é isso que certamente está sento trabalhado respectivamente pelo Presidente e pelo novo treinador nessa providencial parada de 10 dias que o calendário da competição permite ao Bahia. Fato é que nem só dos bastidores depende a reeleição de Guilherme Bellintani. É, principalmente, do sucesso de Mano Menezes que depende o sucesso de Bellintani nas próximas eleições do clube. É bem simples assim

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