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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 08/12/2020 às 14h48

Entre a realidade e a incógnita

O que esperar do Bahia daqui em diante, eis o dilema da torcida Tricolor. Como o futebol, absoluta razão de ser do Bahia, será tratado a partir de Janeiro, eis a dúvida. A torcida Tricolor está entre a realidade e a incógnita, mas sempre cheia de esperança. Diante dos fatos é que vem a dúvida junto com a pergunta; se reeleito, Guilherme Bellintani priorizará de fato o futebol revolucionando o departamento, e, se eleito Lúcio, terá este de fato a competência para dirigir um clube com exigências extremas pela sua grandeza e levá-lo a bom termo?     

Um dos pecados nessas eleições do dia 12 próximo foi a bipolarização do pleito. Isto não foi salutar ao clube e nem à democracia, embora não a fira. Porém é mais prejudicial ao Bahia já que tudo se consumou com a falta de mais opções para o eleitor se motivar e, em massa, escolher o seu Presidente.  Agora é tarde e os culpados são àqueles que se omitiram e deixaram  o Bahia à mercê de duas candidaturas, com viabilidade maior para Bellintani.   

O Bahia se resume somente a dois abnegados? Nada pessoal contra Lúcio ou Bellintani, questiono somente o fato dessa polarização desnecessária que retrocede um processo quando tira outras alternativas. Ficaria mais de acordo com a democracia a pluralidade, que ao Bahia faria muito bem.  

Polarizado dá uma impressão do “voto de curral” porque os grupos funcionam como partidos e evidentemente a maioria está com o atual Presidente Tricolor, já que por simples acordos abriram mão de lançarem candidatos próprios favorecendo assim a candidatura à reeleição de Guilherme Bellintani. Por outro lado  Lúcio causa dúvidas quanto a sua performance, caso aconteça ser eleito, devido ao fato de não apresentar um projeto atraente que seja, senão maior, mas que possa ser mais abrangente ao futebol do que o trabalho organizacional que Bellintani trouxe ao Bahia, inegavelmente. 

Entre os aspectos mais importantes que precisam ser considerados está o futebol de resultados em campo e neste quesito a gestão de Guilherme Bellintani  não funcionou conforme a expectativa que ele mesmo criou com a sua reconhecida competência administrativa organizando o E.C. Bahia. Apesar desse lado positivo, faltou robustez ao departamento de futebol como um todo, mas  discordo de quem diz que ele contratou mal. O elenco que o Bahia tem à sua disposição passa ao largo de ruim, no entanto pode estar sendo mal utilizado – também não ouvi nenhum torcedor reclamar quando as contratações estavam sendo feitas, pelo contrário, foram elogiadas. 

O equívoco da má utilização do elenco prende-se, na opinião deste colunista, numa equação lógica de que para se ter um time intenso em campo e bem entrosado tem de definir esse time para que o torcedor o decore. A filosofia de poupar jogadores  em detrimento de um time uníssono é faca de dois gumes. Os treinadores atualmente mudam seus times de acordo com o próximo jogo, e pedra mudada a todo instante não cria limbo. Admito que a culpa é do calendário desumano que se tem, mas convenhamos que, se não tiver um time “na cabeça”, nada acontece e os resultados tornam-se pífios, afinal o Bahia não tem um elenco linear em qualidade.    

A crítica que faço tem aspecto logístico e não é ostensiva, muito menos depreciativa, é construtiva e tem como objetivo criar um estado de alerta contra o excesso de metodologias no futebol. Salvo proporções, até cito o Flamengo do ano passado que não descansava nenhum jogador e isso era filosófico no português Jorge Jesus. O resultado todos sabem. Tudo que disputou ganhou com essa filosofia e o time, a exemplo do Bahia de hoje, era constituído por jovens e veteranos e ninguém precisava ir pro formol – sem ofensas, antecipo desculpas porque está  longe de mim ser leviano, mas diante de tantos fracassos em campo resta saber se o elenco do Bahia é profissionalmente consciente além dos muros do clube. 

Por outro lado o Bahia precisa ter uma filosofia de jogo definida pela diretoria e executada pelo treinador. É assim na Europa, e por ser desse jeito é que os treinadores se eternizam nos clubes com excelentes trabalhos. Aqui o que se vê atualmente é um Bahia desfigurado em campo e com estado anímico abaixo do normal muitos furos, e isso precisa ser mudado.  

As inovações marketeiras no clube criaram um evidente estado letárgico no Staff do Bahia, possivelmente consequência dos elogios demasiados, motivos pelos quais ficou envaidecido e achando que tudo estava maravilhoso também no futebol. Não esteve e nem está. 

Repito mais uma vez que nada tenho contra ações de cunho sociais realizadas pela direção do clube. Mas é parte elementar no contexo se imaginar que os elogios recebidos de toda a imprensa esportiva do Brasil e além fronteiras, tenham deixado o Presidente em estado de êxtase ao ponto de relaxar um pouco e isso deu conotação à torcida de que o Bahia havia se transformado numa instituição político social – abatidos os exageros –  de tal forma que o futebol virou um detalhe no contexto. Coincidência ou não, no auge do embevecimento com as ações sociais, da segunda fase do campeonato brasileiro do ano passado para cá, o time se tornou completamente irregular.  

Concluindo, desejo muita sorte aos dois candidatos e que o melhor seja acolhido por todos os tricolores, porque o eleito será o Presidente de toda a nação Tricolor. A partir de Janeiro não deverá haver mais espaço para os apelos grosseiros como o clichê detestável “fora fulano!” – ou  sicrano. Tem de ser todos pelo Bahia. Esta Coluna estará sempre no seu papel de apoiar o que for justo, sem no entanto abrir mão da crítica construtiva. Quem quer que esteja à frente do destino do Esquadrão Tricolor para o próximo triênio, que saiba exatamente para onde levá-lo, sem vaidades e à parte do ego da autossuficiência. Quem não tem ideia clara do que quer fazer, dificilmente saberá chegar lá.  

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