é goleada tricolor na internet

veículo informativo independente sobre o esporte clube bahia

Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 06/12/2020 às 19h10

Entre o Céu e o Inferno

Nas últimas partidas, o torcedor do Bahia tem se alternado entre a euforia e a depressão, entre a raiva e a satisfação, entre a alegria e a tristeza, parecendo ter sido acometido por alguma combinação de fatores que provocou um distúrbio bipolar. Em alguns casos, é perceptível inclusive a perda de contato com a realidade, como um amigo tricolor que, nos jogos da Sulamericana, tem a certeza de que seremos campeões mundiais muito em breve e, nos jogos do Brasileirão, desata a chorar antecipando uma possível humilhação com o descenso à série B. Brincadeiras à parte, torcer pelo Bahia tem significado ultimamente viver entre o céu e o inferno, a tal ponto que muitos torcedores tem pedido para perder na Sulamericana, a fim de concentrar forças no Brasileiro, por mais insano que isso possa parecer!

O drama é reforçado pela quinta derrota perante o Ceará, nas últimas sete partidas desde 2019, em que o Bahia alcança apenas dois empates. Para piorar, foi a quarta derrota na temporada de 2020, confirmando a freguesia para a equipe alvinegra. Tenho comigo que não há explicação óbvia para a variação de rendimento tão grande entre o Campeonato Brasileiro e a Copa Sulamericana. O desgaste, tão sublinhado pelo nosso comandante Mano Menezes, vale para ambas as competições. A visita da Covid-19 até pode explicar o mau desempenho contra o São Paulo - quando estávamos com o time desfigurado, não só pela doença, como pelas contusões e suspensões –, mas não explica o desempenho diante do Bragantino, muito menos perante a equipe cearense e, pior, teria sido motivo para desclassificação na sulamericana, o que não ocorreu.

Muitos torcedores reclamam de falta de empenho ou dedicação do elenco. Pode ter acontecido no confronto com o time de Bragança Paulista, mas, em sã consciência, alguém acusaria de falta de garra o elenco que conseguiu a classificação na Argentina, diante do Unión Santa Fé, jogando praticamente o segundo tempo com uma defesa improvisada? Não creio... Possivelmente, estamos diante de vários motivos, sejam de natureza individual de cada jogador, sejam de natureza coletiva, onde se sobressaem as más escolhas nas substituições durante o jogo. De longe, é incompreensível a presença de Elias no time. E olhe que até o elogiei nas primeiras partidas, por dar maior consistência ao meio de campo. No entanto, visivelmente fora de forma e com dificuldades para acompanhar os jogadores do time adversário, Elias mais parece um “guarda de trânsito” antigo, observando a cena e abrindo os braços para orientar os companheiros de time: marca aqui, cerca lá... porque ele mesmo já não consegue!

Mas, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Se procurarmos olhar para as últimas partidas individualmente, sem querer analisar o conjunto, temos motivos para comemorar e não é só por estar nas quartas-de-final da Copa Sulamericana. Vários jovens jogadores vem se destacando, na esteira da má apresentação dos titulares: Ramón, Matheus Bahia, Alesson, Zeca. Mesmo Fessin e Edson fizeram boas apresentações. Gabriel Novaes fez boa estreia. Isso traz esperança para a temporada de 2021 porque, na atual, temos que buscar permanecer na série A, o que fará enorme diferença na sequência do Bahia, pós-intervenção. A Sulamericana pode nos aproximar do céu ou pode ampliar nosso inferno! BBMP!

Outras colunas
comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ecbahia.com. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral, os bons costumes ou direitos de terceiros. O ecbahia.com poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.