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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 06/11/2022 às 20h40

Final Feliz e Melancólico

O Bahia chegou ao fim do campeonato nacional da série B, na partida contra o CRB domingo passado em Maceió, com a inacreditável marca de não ter vencido, até então, um único jogo fora de seus domínios, no returno do campeonato. Justificava-se, portanto, todo o pé atrás da torcida, que já tinha lotado a Fonte Nossa nos dois últimos jogos em casa, para ser testemunha de dois ridículos empates contra Vila Nova-GO e Guarani-SP. A desconfiança dos torcedores se disfarçou em apoio irrestrito, com muitos tricolores tendo encarado os quase 600 quilômetros de distância em cansativa viagem de carro, ônibus ou, mais confortavelmente, com uma onerosa passagem aérea no bolso.

Tudo isso e mais uma chuva chata não foram obstáculos para a torcida apoiar a equipe naquele que se transformou no “jogo do acesso” por única e exclusiva incompetência da equipe baiana. A esperança da volta de Daniel, o melhor do elenco, ao time concretizou-se em gol ainda no primeiro tempo, que foi quando tivemos jogo, já que o estado do gramado não permitiu que o Bahia mantivesse o ritmo na segunda etapa. Sofremos um gol em falha de Matheus Claus, mas Mugni nosso segundo melhor jogador na temporada descontou. O Bahia venceu seu único jogo fora de casa no segundo turno, mas quem subiu foi a torcida que não abandonou o clube em momento algum.

Nos resta agora voltar nossas atenções ao processo de formação da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) e à parceria com o City Football Group (CFG). Sobre este ponto, a Comissão Provisória da SAF, criada pelo Conselho Deliberativo em 27 de janeiro passado, divulgou semana passada um excelente parecer, bastante esclarecedor e bem elaborado, sobre a proposta do investidor – o CFG. Para quem, como eu, ressente-se de não ter informações detalhadas sobre a transação, o parecer é um alento, pois permite que entendamos claramente como se dará a aquisição, pelo CFG, de 90% das ações da SAF, bem como os mecanismos de proteção do Bahia em relação a dois pontos que me preocupavam. Em primeiro lugar o que no mercado acionário chamamos de “risco de diluição”, que ocorre quando o acionista majoritário aumenta o capital da empresa, de modo a, se não for acompanhado pelo minoritário, reduzir o percentual de participação deste último, no caso do Bahia. Isso é importante porque a legislação da SAF garante direitos específicos e importantes para quem detenha, no mínimo, 10% do capital acionário. Por fim, há também garantias para o Bahia caso o CFG não cumpra os compromissos de investimento da ordem de R$ 500 milhões em aquisição de jogadores e de R$ 200 milhões em infraestrutura, já que o único aporte em troca dos 90% de ações diz respeito ao pagamento da dívida do clube. Obviamente, em negócios desta natureza e porte, há também instrumentos que garantem o CFG caso o Bahia não cumpra suas obrigações contratuais e/ou caso haja um endividamento superior ao que foi apurado na chama due diligence ou avaliação prévia. A Comissão Provisória também chamou a atenção para eventuais riscos existentes no contrato, especialmente para o fato de não estarem detalhados em contrato os investimentos que comporiam os R$ 200 milhões na chamada infraestrutura de futebol.

Embora estejamos alegres por termos conseguido o acesso não deixa de ser um fim de temporada melancólico. Apesar dos discursos ufanistas que a diretoria vai fazer, esse foi um ano que deixou bem evidente a incapacidade da gestão Bellintani/Ferraz no que diz respeito ao futebol. O próprio processo de criação da SAF e parceria com o CFG não deixa de ser uma esperança a que a torcida se agarra exatamente para se ver livre destes riscos. A arquibancada subiu o time, não esqueçamos disso! BBMP!!

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