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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 18/04/2021 às 19h52

Meio Cheio, Meio Vazio

Muito conhecida nos circuitos de palestras e workshops, a metáfora do copo “meio cheio, meio vazio” é normalmente associada à distinção entre otimistas e pessimistas ou entre insatisfeitos e acomodados. Mas, também pode ser vista como uma tradução da realidade (o copo está simultaneamente metade cheio e metade vazio). Realidade esta sempre mais complexa, com mais nuances e desafiadora. Vale dizer, temos algo (metade cheia) e nos falta algo (metade vazia).

Pensei nessa última forma de enxergar a metáfora, ao refletir sobre a mais recente partida do tricolor, na qual obtivemos a classificação para as semifinais da Copa do Nordeste. Vencemos o CRB-AL e vencemos bem, sem falhas no setor defensivo e com uma linha ofensiva que não deixou espaço para o adversário respirar. Mais que os 4x0 do placar, a partida serviu para mostrar que as mudanças na zaga trouxeram segurança e alívio nas jogadas aéreas. A dupla de zaga formada por Conti e Luis Otávio antecipou-se corretamente nas jogadas do ataque adversário, postou-se bem nos lances dentro de nossa área defensiva e ocupou os espaços nas bolas altas, não deixando brechas para os jogadores do time alagoano. E esse novo momento de nossa defesa vem sendo coroado pelas boas partidas de Nino e de Mateus Bahia. Nosso lateral direito vem fazendo dobradas com Rossi e realizado cruzamentos certeiros, enquanto o esquerdo tem mostrado uma evolução constante e melhora em fundamentos como passes e cruzamentos.

Para a alegria e festa do torcedor tricolor, o ataque tem funcionado muito bem. Rodriguinho, Gilberto e Rossi não só tem feito gols, como tem aberto espaço para gols e jogadas ofensivas de outros jogadores, como Patrick, Thaciano, Oscar Ruiz, dentre outros. Dado Cavalcanti acertou ao avançar Rodriguinho e fazê-lo jogar bem próximo de Gilberto, assim como em fazer Rossi jogar aberto pela direita e, algumas vezes, entrar em diagonal na área, no famoso “facão”. É inegável que o bom momento ofensivo do Bahia está diretamente relacionado à formação do meio-campo, com jogadores mais leves, sem toques laterais, de transição rápida para o ataque e de postura mais agressiva que de marcação.

E é aqui que fica evidente a metade vazia do copo. Na minha opinião, o meio com Patrick, Daniel e Thaciano deixa a equipe muito vulnerável, com pouca combatividade, já que são jogadores que costumam se apresentar muito no ataque. O treinador entende que o posicionamento avançado, encurralando o adversário em sua zona defensiva, acaba por trazer equilíbrio ao jogo e, por isso, pode abrir mão de um volante de maior pegada. Discordo. Creio que esse equilíbrio até houve nas partidas que jogamos com esta formação (contra ABC-RN e CRB-AL), todavia possibilitado por duas outras razões que se somam àquela trazida por Dado Cavalcanti: 1) O Bahia jogou em casa e os adversários respeitaram o mando de campo tricolor; 2) ambos os adversários são equipes de menor poder ofensivo e com deficiências de criatividade e rapidez na transição da defesa para o ataque.

A sequência de partidas do Bahia, contra Montevideo City (Copa Sul-americana) e contra o Fortaleza (Copa do Nordeste) trarão um pouco de luz a essa questão, não só porque jogaremos fora de casa, como também porque enfrentaremos equipes de melhor posicionamento nos rankings do futebol, sobretudo a partida decisiva contra o Leão do Pici, valendo vaga na final do Nordestão. Dado Cavalcanti terá a oportunidade para mostrar que sua leitura dos jogos e seu entendimento sobre o elenco tricolor estão maduros o suficiente para a torcida depositar nele sua confiança. Terá ainda a chance de calar aqueles que pensam que seus bons resultados e goleadas são fruto da pouca capacidade competitiva dos adversários e do mando de campo. É a hora de Dado mostrar que merecia a chance de comandar o tricolor na temporada 2021. É a hora e da torcida mostrar que pode apoiar incondicionalmente o time, sem as reclamações usuais. Afinal de contas, o grupo de atletas apresentou, em campo, aquilo que a torcida mais cobrava: garra, determinação e compromisso. Os resultados não aconteceram por acaso. BBMP!!

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