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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 02/06/2021 às 18h29

Meio hospício e meio razão

Acho que estão apimentando um pouco mais do que o ideal a muqueca. Seguinte: parece-me um pouco exageradas as dificuldades para renovação do contrato de Gilberto. Entendo esse exagero mais como marketing de ambos os lados, chamando o sócio torcedor inadimplente para voltar à adimplência, bem como fazer com que aconteçam novos sócios aproveitando uma fase ascendente do time que no momento é de regular para boa, do que a anunciada dificuldade para renovar com o ídolo Tricolor. O possível anúncio "Gilberto é do Bahia" seria um paradigma quebrado, bom para ambas as partes.

A sensação que tenho é que a continuidade de Gilberto é líquida e certa através de um novo contrato. Pode ser que a discussão sobre a longevidade desse contrato esteja travando o seu curso e, aliado a isso, o valor desejado pelo jogador. Às vezes isso coloca um muro médio entre os oponentes, mas nem tão muro assim que não possa manter o diálogo para chegar num final feliz.  
 
É claro que as dificuldades em tempo de incertezas, como o atual, torna tudo mais difícil e no futebol não é diferente. Por outro lado quem precisa fazer campanha intensa no principal certame do Brasil tem de ir ao limite máximo, pois,  prescindir de um jogador como Gilberto, simplesmente deixando-o ir, seria um contrassenso. Então tem de dourar a pílula para ter argumentos mais consistentes para alcançar o verdadeiro objetivo.
 
A questão é bem lógica, se quero vencer a "guerra" tenho de contar com meus soldados mais qualificados.  Deixar um desses bem estratégicos da artilharia sair do front, seria como abrir mão  de um soldado capaz para decidir batalhas. O futebol e seus bastidores funciona muito em cima de linhas dinâmicas. Num momento são filosóficas, num outro momento objetivas, e noutros confusos. Então para encontrar a linha certa tem de ter estratégias inteligentes.  
 
Mas a torcida com a bipolaridade induzida pela paixão não quer saber de entender esses aspectos e não baixa a guarda para encontrar um ponto sensato. Recentemente a maioria elogiava o Presidente do clube e as contratações, e isso impressionava-me pela quase unanimidade. Afinal num novo momento pós conquista da Copa Nordeste a conduta do Staff Tricolor estava de acordo com os anseios da Nação. Todas as contratações vinham sendo elogiadas e até Dado Cavalcante já era visto como um treinador que poderia cumprir uma grande temporada. Eloquência natural de ocasião.
 
Mas como o vento na Sul-americana foi fraco e não favoreceu o voo, então o torcedor fez da poeira uma tempestade. Nessa turbulência Dado virou dúvida angustiante, Gilberto um "irresponsável querendo sair" -- havia perdido o maldito pênalti --, os novos contratados tecnicamente estariam abaixo do desejado, Bellintani voltou ao lugar de vilão e até o time de Dado voltou a ser taxado de inconstante e sem esquema tático definido. Já tem até os que acham que Oscar Ruiz não é jogador para o Bahia. A massa é meio hospício e meio razão.
 
Lembro-me do Rossi numa fase que durou um tempão na boca da imprensa e do torcedor, que o tinham como uma das piores contratações... Atualmente  é, no meu modo de ver, junto com Nino, Rodriguinho, Conti, Patrick, Thaciano e Gilberto, a alma do Bahia. Ou um "garçom" perfeito e indispensável ao estabelecimento Tricolor.
 
Não sei como anda nesse pós Santos e Vila Nova respectivamente, a ambiguidade da torcida Tricolor. Tenho a sensação de um silêncio com um grito entalado na garganta prestes a soltar um BBMP!!! mais alto do que as nuvens no próximo jogo Bahia x Bragantino. Também pode estar prestes a soltar um peculiar "disgraçaaaa de time!!!!", em caso de insucesso. Talvez, depois de tantas decepções o torcedor passou da leveza romântica de outrora para a atual "panela de pressão".
 
É necessário para a tranquilidade do treinador do Esquadrão que lhe deem espaço livre e sem cornetas para que seu trabalho faça acontecer ainda mais as coisas boas, que em parte já ocorrem, como por exemplo o time definido que o torcedor já decorou. Outros avanços embasados em conceitos teóricos e eficientes que o treinador propõe, trabalha e pratica, certamente levarão o Bahia a cumprir os seus objetivos nesta temporada. 
 
MEMÓRIA

Dado Cavalcante resgatou para o Bahia jogadores como Rodriguinho, Rossi, Nino e por último Juninho -- zagueiro --, motivando-os de forma pragmática e assim está trabalhando com Juninho Capixaba. Foi com uma mistura de treinador e psicólogo que Dado livrou o Bahia de um iminente rebaixamento. Não tenho dúvida que o seu trabalho, sua forma intrépida, o homem compromissado com o clube e dedicado à profissão, mas sobretudo que mostra muita competência fará o Bahia fluir e fruir. Aguarde.

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