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Coluna

Caio Vasconcelos
Publicada em 10/10/2019 às 12h38

Minha Análise - Bahia 0 x 0 São Paulo

Meus Amigos,

Numa das piores noites que já tive no Estádio da Fonte Nova, o Bahia empatou de forma medrosa com o São Paulo e não conseguiu subir na tabela de classificação do Brasileiro 2019.

Desde a chegada no estádio, com uma desorganização absurda no caríssimo estacionamento do Dique, passando pelo PÉSSIMO ACESSO AO ESTÁDIO, com currais que poderiam ter causado uma tragédia, pela quantidade de pessoas querendo entrar e o espaço extremamente reduzido, criação fruto de alguma mente desprovida de inteligência, além da notícia da BOMBA lançada pela torcida Bamor na Torcida do São Paulo, ontem foi uma noite que, com certeza, afastou qualquer torcedor dos estádios. A experiência de assistir ao jogo foi no mínimo prejudicada com essas situações acima. Não tenho nem vontade de convidar uma pessoa à ir ao estádio depois de ontem. DEPRIMENTE.

Falando do jogo, a escalação de Roger Machado foi outra coisa que me fez desanimar para a partida. Ronaldo e Fernandão foram escolhas erradas para começar a partida. O primeiro porque não é, repito, não é jogador para fazer essa função. Ele é somente reserva de Gregore, nada mais. Não tem característica alguma de meia que chega a frente, inclusive jogando torto. Pífia ideia e mais uma apresentação ruim deste bom jogador, muito por culpa de uma insistência em escalá-lo fora de sua posição. Se queria congestionar o meio campo do SP, deveria ao menos ter escalado João Pedro, que tem qualidade para sair com a bola.

Já a crítica à escalação de Fernandão decorre principalmente do estilo de jogo do time. O pesado centroavante lutou muito, correu demais, deu tudo que podia em campo, mas não pode ser escalado sem que o time jogue para ele. Sem aproximação, principalmente dos pontas, ele foi presa fácil para a defesa adversária. Se ele justificou a escalação de Ronaldo para fechar o meio, liberar os laterais e trazer os pontas para dentro, com Fernandão a bola não chegou praticamente em momento algum. Ademais, Moisés é um lateral que quase não vai ao ataque, dando pouca opção pelo lado esquerdo. Além do que, a forma como os times do Treinador do SP jogam, com saída de bola na defesa, não favorecia o estilo de jogo do camisa 20. Talvez Lucca ou Arthur Caíke de primeira. Até Rogério seria uma opção para essa posição, pelos dribles e velocidade.

O esquema tático adotado pelo Tricolor para essa partida deve ser novamente questionado. O Bahia respeitou o São Paulo de forma demasiada. O time paulista tinha um meio campo fraco na marcação e um ataque com o cansado Alexandre Pato. Não precisava de tanto respeito. Faltou coragem à Roger Machado para mostrar que o Bahia poderia brigar de igual para igual com o time paulista. Um confronto ruim de se ver, modorrento, fraco tecnicamente. Seguramente entre os 3 piores jogos do Bahia no Brasileiro.

No primeiro tempo tivemos apenas a chance de Fernandão, após linda jogada de Élber, que recuperou a bola na defesa e fez um passe de 3 dedos para o camisa 20. Esse, em vez de dominar, proteger e bater de direita, preferiu cortar e tentar o chute de canhota, que foi bloqueado.

De resto, foi um jogo ruim na primeira parte, onde somente cabe o destaque negativo para a torcida do Bahia que APLAUDIU A CONTUSÃO DE MOISÉS! Comemorar a lesão de um atleta do seu próprio time é no mínimo uma atitude de pessoas ignorantes. Quem não se recorda das vaias a Nino, Moisés, Élber e Guilherme esse ano? Élber e Guilherme antes mesmo de entrarem em campo, num Bavi? E sempre no mesmo setor leste. Uma vergonha o que aconteceu. A torcida do Bahia precisa rever seus conceitos. Nada está bom. Aliás neste setor leste algumas pessoas não respeitam sequer os acessos das escadas. Até quando iremos passar por isso?

Na segunda parte Roger Machado foi obrigado a mexer novamente, com a saída de Élber, que vinha sendo o melhor jogador do Bahia. A entrada de Arthur Caíke foi até boa, mas o time continuava sem força ofensiva. Isso só mudou de patamar quando Roger finalmente teve a coragem necessária para ganhar o jogo e tirou Ronaldo para colocar Rogério. O espevitado camisa 90 entrou e começou a dar muito trabalho à defesa do SP, fazendo muitas vezes bons movimentos pelos lados.

O Bahia ainda teve 2 chances de gol, com Arthur Caíke de cabeça (a melhor jogada do time para mim), em bom cruzamento de Nino, e no chute de Gregore que o arqueiro defendeu.

No fim o 0x0 se manteve e vaias merecidas à postura medrosa do time em boa parte do jogo.

Para piorar, na saída do estádio novamente tive problemas com o estacionamento. Além da superlotação, com diversos carros e ônibus estacionados na rampa de acesso, o que deve ser proibido (até pela necessidade de escoamento rápido em caso de acidentes de grande proporção), a ausência de orientadores da ESTAPAR fizeram com que a saída desse um nó por completo. Fiquei quase 30 minutos tentando sair, sem conseguir. E para terminar, no portão de saída havia um gradil afunilando a saída para 1 carro somente por vez. Uma noite para esquecer.

Douglas – Muito bem quando foi exigido, fez uma belíssima defesa no início da segunda parte.

Nino Paraíba – O mais lúcido construtor de jogadas do time após a saída de Élber. Fez uma partida muito boa.

LF – Seguro como sempre, fez uma partida muito regular.

Juninho – Fez uma partida bastante regular. O ataque do SP foi bastante ineficiente.

Moisés – Fazia uma partida satisfatória até se lesionar. Não merece que comemorem sua lesão. Apesar de ser um crítico de seu futebol neste campeonato, acho inaceitável alguém comemorar a lesão de um atleta, ainda mais do próprio time.

Gregore – Fez uma partida razoável. Na primeira parte, errou muitos botes, falhando na proteção da área. Cresceu muito de produção com a saída de Ronaldo e o seu deslocamento para o lado direito.

Flávio – Taticamente perfeito. Bastante consciente da posição que ocupa no campo, fez coberturas muito boas de Nino na primeira parte, além de infiltrações sem bola pelo setor direito. Na segunda parte, com a saída de Ronaldo, foi deslocado para o lado esquerdo dos volantes, dando qualidade a saída de bola e auxiliando Giovanni na marcação. Para mim o melhor em campo do Bahia.

Ronaldo – Não tem culpa de ser escalado fora de posição. A justificativa para a sua escalação foi que liberaria mais os laterais e meias de lado e fechar o meio de campo para o SP. Nada disso aconteceu. Tem qualidade, mas não pode jogar nesta função. É reserva de Gregore, somente.

Artur – Mais uma partida abaixo do que pode apresentar. Errou todas as bolas paradas. Não tem ninguém no Bahia que consiga revezar com ele esse fundamento? Além disso, se deslocou errado em algumas oportunidades, além de só querer correr com a bola no pé.

Élber – Era o mais lúcido do ataque até se lesionar. Uma belíssima atuação. Titular absoluto.

Fernandão – Lutou muito. Correu bastante, apertou saída de bola, marcação. Mas falta jogar como centroavante. Ontem em 2 oportunidades estava fora da área, quando a bola foi ao fundo e por isso não tivemos sequência na jogada. Parece que o time joga em uma rotação diferente da dele. Eu acho que Roger deveria o posicionar dentro da área, pegando sempre o último zagueiro. E o time passaria a jogar sem ele, construindo a jogada e botando a bola na área para ele então finalizar. Dadá Maravilha pedia a bola na frente, para trombar com o beque, porque não tinha habilidade. Talvez seja essa a solução. Criar a jogada e botar a bola para ele se virar contra o zagueiro. Exigir menos dele na marcação e construção das jogadas. E, obviamente, acertar mais cruzamentos na cabeça dele dentro da área.

Giovanni – Entrou e não comprometeu defensivamente, mas também nada fez ofensivamente. Se Moisés não jogar sábado, terá a grande chance de mostrar seu valor.

Arthur Caíke – Entrou bem na partida, buscando jogar mais próximo de Fernandão. É o único jogador do elenco com essa característica e por isso deve ser mais utilizado nesta função. O SP recuou quando ele passou a rondar a área.

Rogério – Entrou bem e deu nova cara ao ataque do Bahia. À sua maneira, meio espalhafatoso, conseguiu criar as 2 melhores chances de gol do Bahia na segunda parte. Pegou uma bola de primeira, fraco e criou a jogada que gerou o chute de Gregore. Vai nos ajudar muito neste segundo turno, principalmente por sua forma de jogar menos “engessada”.

Roger Machado – Foi muito mal na montagem do time para essa partida. Respeitou demais o SP, Fernando Diniz e esqueceu que estamos no mesmo patamar no campeonato. Precisa ter mais coragem se quiser classificar o time à Libertadores. Essa conversa de orçamento e elenco aqui no Brasil não cola com facilidade, visto os absurdos que os clubes brasileiros fazem com seus orçamentos e quantidade absurda de jogadores medianos nos elencos dos clubes considerados “grandes”. Temos jogadores com fome, precisamos ensiná-los a comer. Assim chegaremos à Libertadores depois de 30 anos.

OBS: Não consegui assistir ao jogo contra AtlPR em sua totalidade e por isso não fiz a análise da partida. A falta de contrato com o Premiere, aliada a forte infecção instestinal contraída, me tiraram de combate.

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