é goleada tricolor na internet
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Publicada em 18 de maio de 2020 às 09:33 por Autor Genérico

Autor Genérico

Minha Análise – Internacional 0x0 Bahia – 1988






Meus Amigos,

Ontem na TV Bahia tivemos novamente o privilégio de assistir (ou reassistir) a grande final da Copa União de 1988, entre Bahia e Internacional, partida que nos deu a segunda estrela de campeão brasileiro.

Antes de falar da partida, importante destacar o que este jogo gerou de expectativa para muita gente. Poucas pessoas da minha faixa etária (39 anos) para baixo lembram desta época, muito porque o futebol não era tão presente na TV como hoje, muito porque o Brasil não ganhava uma Copa do Mundo desde 1970 e vinha de derrotas doloridas em 1982 e 1986, muito porque vivíamos anos tensos na economia e política nacional. Eram tempos difíceis na Bahia e no Brasil!

Eu, particularmente, vivi intensamente este campeonato. Apesar da minha pouca idade à época (tinha 7 anos), eu já ia para o estádio desde 1986, colecionava o álbum de figurinhas da Copa União (as famosas figurinhas carimbadas), sabia o nome de todos os atletas, ouvia a Rádio Sociedade na hora do almoço com Marco Aurélio e cia, assistia o Telesportes e o Lance Livre da TV Itapoan, fui pela primeira vez ao Fazendão, ganhei a mimha primeira camisa do Bahia (camisa tricolor, sem escudo e sem número) e sonhava em ser Bobô. Uma das coisas mais marcantes deste título foi na volta às aulas. Todos os alunos eram Bahia. Todos torciam para o melhor time do Brasil! Além disso tudo, quando este jogo acabou, recebi do meu pai o abraço mais apertado da minha vida. Nem quando me formei, nem quando o meu filho nasceu, recebi um abraço de tamanha emoção. Parafraseando minha saudosa avó e madrinha (que Deus o tenha em bom lugar): “Saudade, a gente só tem de coisa boa. Niguém tem saudade de coisa ruim.” E eu tenho uuma saudade enorme desta época!!!

Voltando ao jogo, a partida foi marcada por muita tensão na torcida tricolor. Quase 5 mil baianos foram até Porto Alegre, o que era algo muito difícil na época (hoje já é, imagine à 31 anos), muito pela força que o time demonstrou na fase final, empatando com Sport e Fluminense fora de casa e pelos belos resultados que o deixaram com a vantagem do empate nesta partida.

A vantagem de 2-1, construída na quarta-feira para mais de 80 mil pessoas, mostrou que o Bahia era um grande time e que não seria facilmente batido no Beira-Rio. Um jogo que começou tenso, com muitos passes errados e com poucas chances de gol para os 2 times. Ronaldo, o melhor em campo, e Claudir segurando a defesa, uma vez que o meio campo não conseguia segurar a bola e Paulo Robson sofreu muito com Maurício e Luis Carlos Winck pelo seu lado. O milagre de Ronaldo, pegando uma bola na linha, mostrou que o Inter teria que suar sangue para ganhar do Esquadrão. O Bahia conseguiu levar o jogo para o intervalo com o empate ao seu favor. 0-0.

No segundo tempo, entretanto, o Bahia mudou. O time voltou melhor, jogando como sempre fez durante o campeonato. Atacando em bloco, com muita mobilidade e muita força ofensiva. Era um time muito bem montado por Mestre Evaristo, com jogadores sabendo desempenhar bem suas funções ofensivas e defensivas. Variando entre o 442, 4231 e 4141, Gil, Bobô, Zé Carlos, Marquinhos e Charles causaram desequilibrios na defesa adversária por não guardarem posição fixa e poderiam ter feito um gol, pela quantidade de gols perdidos, inclusive com bola na trave. Ronaldo, cria da base tricolor, foi fundamental para acalmar os ânimos e esfriar o ímpeto Colorado, que atacava e não tinha sucesso. Ronaldo foi o melhor em campo na partida, sem sombra de dúvidas.

Aos 30 minutos da 2. parte já não se percebia força no Inter para incomodar o Bahia. A postura Colorada em campo, junto com a força Tricolor, esfriaram a torcida mandante e o que se ouvia das arquibancadas era o grito de é campeão, da torcida Boca Quente do Bahia! E foi assim até o final do jogo. O Bahia perdendo gols e o Inter sem forças para marcar. Aos 47 minutos o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilla, com grande atuação, encerrou o jogo e então pudemos gritar BAHIA, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1988! O maior momento da história do futebol do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.

Importante destacar que o Bahia na terça feira estreou na Copa Libertadores contra o mesmo Internacional no Beira Rio e venceu por 2-1, não deixando dúvidas de quem era o melhor time naquele momento. E chegamos até as quartas de final, sendo eliminados pelo mesmo Internacional, num dos jogos mais polêmicos da história do clube.

Ronaldo – O melhor em campo. Garantiu o 0-0 com uma atuação soberba.
Tarantini – Edu Lima pouco fez pelo seu lado. Mais uma atuação muito segura.
João Marcelo – Fez um grande jogo, com bons cortes defensivos, principalmente pelo alto. Desarmes duros, mas sempre eficientes.
Claudir – Grande partida, com muita força defensiva e atuação de respeito. Para mim o segundo melhor jogador da final.
Paulo Robson – Não foi bem na partida. A sua atuação não condiz com o que jogou durante todo o campeonato.
Paulo Rodrigues – Fez um jogo muito bom na segunda parte. Termômetro do time, soube ser importante nos momentos decisivos.
Gil – Jogador extremamente moderno, muito importante para o esquema tático, ajudou muito Paulo Rodrigues na proteção defensiva.
Bobô – Não foi o craque que resolveu a partida da quarta-feira, mas fez um bom segundo tempo. Distribuiu passes e levou muito perigo ao gol de Taffarel. Acertou a trave.
Zé Carlos – Não foi tão bem no ataque como na quarta-feira. Mas ajudou muito defensivamente. Fechou bem demais o lado direito da defesa tricolor.
Marquinhos – Azougue do lateral adversário, foi fundamental na partida pela sua aplicação tática. Muitas vezes recuando para deixar Bobô mais livre no ataque, foi importantíssimo no jogo. Foi a puxada de contra-ataque muitas vezes.
Charles – Se não marcou, abriu espaços para receber os passes de Bobô e Gil. Além disso, deu muito trabalho aos zagueiros.
Newmar – Entrou e cortou uma linda bola de cabeça, num dos vários cruzamentos perigosos de Luis Carlos Winck. Não comprometeu.
Osmar – Entrou e deu um novo fôlego ao ataque. Poderia ter feito o gol do título.
Evaristo de Macedo – Um time muito bem montado, com uma variação tática impressionante e um preparo físico invejável (Parabéns ao Preparador José Carlos Queiróz), que foi encantador de se ver. E que marcou o futebol baiano e brasileiro, tanto que é um time até hoje bastante falado nas rodas de futebol.

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