é goleada tricolor na internet
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Publicada em 21 de novembro de 2006 às 00:00 por Autor Genérico

Autor Genérico

Não há mal que sempre dure






“Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe”.

É somente uma questão de tempo a queda dos atuais donos do Bahia. Não é por vontade minha nem da oposição. É porque um ciclo acabou. É porque a vida é finita, é porque a mudança é inexorável. Ela é imperiosa, é necessária. Virá, como um trem desgovernado e, ninguém, poderá detê-lo.

Desde 1972 – quando o “eterno presidente” adentrou no Esporte Clube Bahia – o mundo mudou. Nesses quase 35 anos assistimos ao nascimento e morte de pessoas; ditaduras caíram e floresceram novas democracias; surgiram novas doenças, mas, também, novos remédios para velhos males. O Admirável Mundo Novo, imaginado por Huxley, se materializou na velocidade dos bytes por segundos.

Em 35 anos fomos contemporâneos da morte de velhos clubes e do surgimento de novos campeões.

Durante esse tempo, a União Soviética se esfarelou, o muro de Berlim ruiu, a estátua de Saddam foi derrubada do pedestal e arrastada em praça pública, Ceaucescu foi fuzilado.

Só o “eterno presidente” não mudou. É verdade que já não dirige mais o Fusca que fazia os serviços de leva-e-traz de alguns jogadores na porta da Fazendinha. Fez o que os sociólogos chamam de “ascensão social”. Deixou a baixa classe média para integrar a elite de poder na Bahia.

Mas a mente do “eterno-presidente” não mudou em 35 anos. Dedicou-se mais à demolição do que à construção. Impiedosamente, destruiu os rivais. Eliminou um a um todos aqueles que podiam fazer-lhe sombra em seu projeto megalomaníaco de ser o único dono do Esporte Clube Bahia.

Varreu do caminho nomes como Luís Osório, Fernando Schimidt, Virgílio Elísio, Fernando Jorge Carneiro, Antonio Pithon. Com este último foi cruel: foi o Fausto que propõe o pacto a Mefisto de acompanhá-lo em sua vida terrena e, em troca, poderá dispor de sua alma – segundo a alegoria de Goethe.

Perverteu aquilo que o business moderno chama de “caça talentos”. No caso em questão, o sentido de caçar era o de aniquilamento. Para ser eterno, se escudou em medíocres mortais. Precisava de títeres, tiranetes de meia-pataca, enquanto operava nas sombras. Organizou, em 35 anos, um pequeno exército de capachos dispostos a morder e a somente cumprir ordens.

Enquanto manipulava seus testas-de-ferro, divertia-se na cooptação de vozes midiáticas para o seu projeto de poder. Foi o real criador do Bolsa-Família radiofônico. Semeava a discórdia no meio e depois, unilateralmente, fazia juras de lealdade. Impediu que alguns profissionais fossem contratados por emissoras de rádio e TV; pedia a demissão de jovens escribas ainda não enquadrados em seus métodos; disparava, a torto e a direito, ordens, vetos, censuras.

No intervalo em que cometia suas pequenas traquinagens, dirigia o Esporte Clube Bahia. Quando o tetra-campeão Bebeto, ainda nos juniores, pediu um ajuda de custo, desdenhou: temos jovens mais talentosos. Quando Newton Motta levou um time inteiro para o rival, jurou que foi enganado em sua boa-fé, porque assinou sem ler. Quando o clube estava na iminência de ser campeão brasileiro pela segunda vez, não renovou os contratos de Sidmar e Pereira.

Também arranjava tempo para ser conselheiro, embora poucos conselhos desse, atarefado que estava em receber atletas, assinar contratos, ir à CBF, viajar ao Gabão. Recentemente, foi flagrado se escondendo no aeroporto, enquanto chefiava, de fato, a delegação do Bahia. Essa dupla jornada rendeu-lhe dissabores, inclusive um editorial irado do jornal Correio da Bahia, onde o senador ACM exortava-o a decidir-se entre o público e o privado. Ainda não estavam em vigor as PPPs.

Seremos justos. Foi campeão baiano inúmeras vezes, foi campeão brasileiro. Mas foi, também, quem permitiu que o Bahia caísse da 1ª para a 2ª e depois para a 3ª divisão, onde estamos e iremos ficar, no mínimo, até 2007; foi quem deu o primeiro tricampeonato e o primeiro tetra ao maior rival em mais de 100 anos de existência deles; foi quem conduziu o clube em situações humilhantes, como goleadas para o rival no Barradão e, mais recentemente, para o Ferroviário do Ceará; foi quem reduziu o quadro social do Bahia a pouco mais de uma centena de pessoas. É o responsável direto por uma dívida de R$ 60 milhões, menos de 10 anos após o Banco Opportunity zerar o déficit. É detentor absoluto da responsabilidade pela falta de democracia, transparência, profissionalismo e planejamento no nosso clube.

Disse candidamente que eleições diretas poderiam redundar na escolha do “anão do Baby-Beef”. Talvez o gentil porteiro do restaurante tivesse mais estatura moral que os seus bufões para impedir que o Tricolor não estivesse agora chafurdando na lama da desmoralização absoluta.

É o grande comandante dessa vergonha, dessa absurda humilhação, dessa lancinante dor que a apaixonada torcida tricolor experimenta nesse instante de vida do nosso amado Esporte Clube Bahia.

Convenhamos: em 35 anos, os defeitos já são maiores dos que os feitos.

Quem almejou um campo de sonhos, terá o deserto. Quem sonhou com o Arco do Triunfo, terá uma cova, nem rasa nem funda, suficiente apenas para o seu defunto pouco, encimada por uma lápide onde se lerá: “O presidente que quis ser eterno, foi, apenas, efêmero”.

Como a vida. Como tudo na vida. Por isso, eles passarão.

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