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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 27/09/2021 às 11h45

Nau sem Rumo

Ano passado, quando já frequentávamos a temida Z-4 do Brasileirão de 2020, o Presidente do clube disparou durante uma pausa no campeonato: se o futebol “tiver uma lógica, o trabalho que a gente está fazendo vai surtir efeito e a gente vai superar essa fase bem ruim”. Deve estar arrependido do que disse, pois se o futebol realmente tiver lógica, o Bahia não só merece a colocação em que está na tabela do campeonato (agora de 2021), como terá como destino certo a série B, em 2022. Precisamos muito que a lógica abandone o futebol.

É hora de deixar um pouco a paixão de lado e encarar a realidade. Não foi o acaso que nos trouxe até aqui, nem tampouco a falta de sorte. Construímos, tijolo a tijolo, cada metro dessa estrada. A começar pela falta de planejamento no início da temporada. Sim, em parte devido ao calendário afetado pela pandemia. Mas, muito em razão de nos iludirmos com os resultados da Copa do Nordeste e acreditar que, por obra de um milagre, um time que mal escapou do rebaixamento numa temporada, com poucas peças novas e algumas de qualidade duvidosa, renasceria das cinzas como uma fênix rediviva e estaria apto a figurar entre as dez melhores equipes do torneio. Não é mesmo Lucas Drubscky?

Continuamos nossa jornada em direção ao abismo com a ampliação dos gastos com a folha de pagamentos do clube, ora com a chegada do novo treinador e comissão técnica, ora com a manutenção no elenco de jogadores sem função ou, ainda, com a contratação de outros de pouquíssima utilidade, como o goleiro Danilo Fernandes. Tudo isso sem ter equacionado as pendências financeiras com a parcela do elenco de 2020 que permaneceu no clube. Claro, o clube sofre com os efeitos financeiros da pandemia. Mas, não precisa ser “o gestor dos gestores” para antecipar que uma hora essa contradição entre não ter dinheiro para pagar os atrasados e ter para trazer mais jogadores e comissão mais cara iria explodir.  O Bahia é uma nau sem rumo em meio à tempestade. E a Diretoria Executiva não demonstra ter a competência necessária para retomar a navegação nessas águas turvas. Basta ver a forma com que reagiu à notícia de que os jogadores estavam insatisfeitos e começariam uma retaliação aos atrasos nos recebimentos. Preferiu insultar a mensageira a admitir a verdade, de modo transparente. Bastaram quarenta e oito horas para todo mundo saber quem tinha razão. Mais uma vergonha para nossa coleção. Antes, era só dentro de campo. Agora, fora também.

A troca de treinador merece um capítulo à parte em nossa trajetória. Não discuto que era hora de trocar Dado Cavalcanti. Vamos focar na pergunta seguinte a essa decisão: quem colocar no lugar? Arriscaria um palpite de que 8 em 10 torcedores concordariam em trazer um técnico estrangeiro, movidos ao já conhecido “Efeito Vojvoda” no Fortaleza. Todavia, nem o trabalho de uma comissão técnica deve ser acolhida em razão da opinião dos torcedores, nem a Diretoria Executiva pode se pautar por modismos. Como já afirmei aqui, não tenho dúvidas de que a decisão por Dabove buscou trazer um “escudo protetor” para Bellintani e seus diretores. O problema é que, se num primeiro momento Dabove mostrou compreender a situação do tricolor e as características do elenco, isso durou até o jogo contra o Santos. A partir de então tem apresentado escalações heterodoxas e decisões de jogo que mais parecem experiências de laboratório. Como entender, após todos os jogos com Dabove treinador, Edson ser titular e Lucas Araújo no banco? Ou a entrada de Galdezani durante a partida? Após a partida, em entrevista, nosso treinador disse que não via motivos para tratarmos como “drama” os gols em bola parada que sofremos aos montes. Assiste razão ao nosso comandante técnico. Motivo para “drama” é toda a situação por que passamos, não só os gols de bola parada que sofremos, embora estes tenham parcela importante de culpa pela situação do tricolor.  O tal escudo protetor parece já estar com um furo bem no centro...

Bom, se não foi o acaso que nos trouxe até aqui. Só nos resta acreditar que o “acaso vai nos proteger” porque andando distraídos já estamos. E não faz pouco tempo. Só nos resta saber “até quando?”

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