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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 02/10/2021 às 11h50

No Bahia a verdade morre por claustrofobia

No Bahia nada é precisamente pontual; nem a palavra, nem a promessa e nem a verdade. Tudo é retórica para dourar a pílula Tudo é muito duvidoso e diferente. Tá causando vergonha a bagunça administrativa no clube. Jamais ouvi dizer que a desorganização não implicasse em consequências nocivas. Esse é o receio maior que se tem porque o porte das dívidas assusta bastante e a afonia do dirigente irrita o torcedor e a imprensa. No Bahia a verdade morre por claustrofobia.

Culpar uma situação de saúde ao invés da confissão de incompetência é transferência de responsabilidade. Claro que as dificuldades consequentes de uma situação mundial existem. Mas não é só para o Bahia. Os dois clubes do Ceará, por exemplo, estão indo bem e acima das expectativas, lidam com as mesmas dificuldades impostas pela pandemia. Porém, não estão de pires na mão ao ponto de atrasar todas as suas obrigações, principalmente, os salários -- não que as obrigações tributárias e previdenciárias devam estar em segundo plano.

O Fortaleza segue competindo com Bragantino, Flamengo, Palmeiras e Atlético no G-4 desde a fase inicial. Sinceramente, não acho que o clube cearense tenha um elenco melhor do que o Bahia. A vantagem dos cearenses está no foco ao futebol e não em tempo perdido radicalizando no social de viés Político. Quem ouve alguma entrevista do presidente do Fortaleza nota que não há vaidades pessoais e nem outros afins que não se coadunam com o futebol. Esse é o segredo da atual campanha dos clubes do Ceará.

Desde 2017 a coisa vem ruindo silenciosamente no Bahia e só agora veio à tona um clube sem comando e sem norte devido à ausência de liderança confiável. Já passa do momento de o Conselho do Bahia tomar as rédeas e exigir uma posição definitiva de tudo que acontece no intramuros do clube para saber como este é administrado, detalhadamente. Toda a diretoria Tricolor é paga pelo clube e portanto deve satisfações públicas. Mas no Bahia o Presidente impõe ao Conselho que o conteúdo das reuniões fique em absoluto sigilo.

Tenho até a informação de um requerimento direcionado à diretoria executiva do E.C. Bahia, solicitado pelo Conselho Deliberativo -- que ainda não foi atendido --, para que o Presidente Tricolor esclareça como funciona a atual estrutura administrativa do clube, inclusive, querem explicações do porquê de uma folha administrativa absurda.

É bom que isso aconteça porque o Bahia tem pressa e boa parte do Conselho Deliberativo quer explicação -- digo boa parte porque tem a parte corporativista que ao invés de questionar fica é elogiando o questionado para evitar as perguntas "desagradáveis".

-- Senhores conselheiros, diz o sábio que o segredo da felicidade é a liberdade e o segredo da liberdade é a coragem.

A entrada do time Tricolor na zona de exclusão não acontece por mera consequência... tudo que acontece atualmente é fundamentado nas ações administrativas na Cidade Tricolor. É lastimável a situação no Bahia. Pelo visto, o clube se tornou um cabide de empregos sem precedentes e infla a folha salarial do Bahia a níveis insuportáveis.

O retrato dessas mazelas aí está ao vivo e a cores num pálido Tricolor sem forças, com salários atrasados e desgovernado que nem água morro abaixo. E mais contratações do tipo apostas vêm sendo feitas, como sempre aliás. Por que dessa insistência? Tudo precisa de explicação mas não o fazem.

Após a saída do treinador Dado Cavalcante os jogadores se rebelaram com justa razão. Não concentrarão antes dos jogos e nem darão entrevistas enquanto os salários estiverem atrasados. Pasme. Querem uma solução porque a palavra de quem os dirigem é duvidosa e o cara que avalizava e "segurava o vestiário" foi mandado embora por suposta culpa da má campanha do time.

-- Jogador é profissional e cumpre o seu papel, mesmo porque o insucesso do clube que defende será também o seu insucesso profissional. Se alguém pensa que algum jogador faz "corpo mole" porque os salários atrasam, tira isso da cabeça, por favor. O que faz "corpo mole" é o lado psicológico do ser humano que precisa estar em dia para que tudo funcione como uma máquina. O cidadão que ganha cem mil tem compromissos pessoais de acordo com o que ganha, idem para quem ganha dois salários mínimos, por exemplo.

Gastaram os milhões das TVs e das vendas de jogadores com esse inútil time de transição, que nada ganha e pouco ou quase nada revela, e com as chamadas "apostas" em jogadores que, salvo uma ou outra exceção, jamais chegam para ser titulares. O Bahia chegou a ter por um longo tempo 44 mil sócios pagantes e tudo continuou do mesmo modo em campo e administrativamente também.

Existem dois BAHIAs, bem antagônicos, um é o que funciona pessimamente na prática do discurso dourador de pílulas paraguaias dos seus atuais diretores. O outro era dirigido por Osório Vilas Boas e Paulo Virgílio Maracajá Pereira, respectivamente.

É dos feitos do Bahia desses dois monstros sagrados que o atual Bahia ainda sobrevive. Nem me questione épocas diferentes porque senão terei de dissertar sobre como ganhar títulos com pouco dinheiro e discursos empolgantes em tempos de pouca mídia. E como não ganhá-los com muito dinheiro e discursos furados em tempos midiáticos onde se planta mentiras a torto e direito para justificar fracassos.

Winston Churchill dizia que "não há nada de mal em mudar se for na direção certa. Se melhorar é mudar, portanto, para a perfeição devemos mudar frequentemente".

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