O Bahia segue como o maior vencedor isolado do Nordestão. Sim, você não leu errado. E a razão é simples: é um equívoco atribuir pesos idênticos a todas as edições da Copa do Nordeste.
Infelizmente, a história da Copa do Nordeste não conhece uma trajetória regular e é marcada por altos e baixos. Oscila entre momentos de 1) elevado prestígio e competitividade, 2) baixa e esvaziamento e 3) interrupção pura e simples. As edições de 1994, 1997-2002 e 2013-2025 se enquadram na primeira categoria e são dignas do aumentativo (Nordestão); as edições de 2003, 2010 e 2026 se enquadram na segunda categoria e fazem jus a ser tratadas no diminutivo (Nordestinho); já nos anos de 1995, 1996, 2004-2009, 2011 e 2012, a competição não foi disputada.
As razões para chamar as esvaziadas e desprestigiadas edições de 2003, 2010 e 2026 de Nordestinho são factuais, objetivas e lógicas, nada há de clubismo nisso. Vejamos:
• Em 2003, com o advento do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, a CBF decidiu excluir do calendário a Copa do Nordeste e todas as demais competições regionais; a Liga do Nordeste resolveu organizar a competição sozinha, mas Bahia (o então atual bicampeão), Fortaleza (um dos três clubes nordestinos na Série A daquele ano, junto com a dupla Bavi), Sport, Náutico e Santa Cruz não aderiram e ficaram fora da competição, que, portanto, não contou com cinco dos maiores clubes nordestinos;
• Em 2010, depois de seis anos de interrupção, a competição voltou a ser disputada por força de ordem judicial e foi organizada às pressas, tendo iniciado em junho (em plena Copa do Mundo) e sendo disputada quase integralmente no segundo semestre; todos os clubes que disputavam simultaneamente alguma divisão do Campeonato Brasileiro participaram daquela edição integralmente com formações alternativas ou mesmo com as divisões de base (o Bahia a jogou com a equipe sub-20);
• Em 2026, a competição foi rebaixada em importância pela CBF e passou a não contar com as equipes classificadas para competições continentais – ou seja, as melhores da região –, motivo pelo qual o Bahia (o atual campeão) foi impedido de participar, não por suas deficiências, mas por seus méritos.
Coincidentemente, essas três edições foram conquistadas pelo Vitória, que é oficialmente considerado pela CBF pentacampeão da Copa do Nordeste junto com o Bahia. Mas há uma diferença essencial entre as conquistas dos dois clubes soteropolitanos: enquanto o Bahia conquistou cinco edições plenas em prestígio e competitividade, com todos os grandes clubes da região disputando com suas respectivas forças máximas, o Vitória ganhou apenas duas, a última no século passado.
Trocando em miúdos: o Bahia ganhou cinco Nordestões dignos do aumentativo; o Vitória ganhou dois Nordestões e três Nordestinhos esvaziados e desprestigiados. Portanto, os três últimos títulos do Vitória na Copa do Nordeste deveriam vir acompanhados de um asterisco contendo as devidas ressalvas.
Infelizmente, a CBF, a imprensa e o senso comum tratam todas as edições como uma coisa só, sem as necessárias qualificações. Mas esta coluna visa justamente desafiar esse consenso equivocado e afirmar uma obviedade no mais das vezes ignorada: o Bahia é o único pentacampeão da Copa do Nordeste disputada por todos os grandes clubes da região com suas respectivas forças máximas, ou seja, do verdadeiro e legítimo Nordestão. E isto não poderá ser alterado enquanto vigore a esdrúxula regra que deixa de fora da Copa do Nordeste os clubes classificados para as competições continentais (regra que eu critiquei aqui mesmo quando de seu anúncio).
Excluídos os Nordestinhos, os títulos da Copa do Nordeste são assim distribuídos:
- Bahia – 5 (2001, 2002, 2017, 2021 e 2025);
- Sport – 3 (1994, 2000 e 2014);
- Ceará – 3 (2015, 2020 e 2023);
- Fortaleza – 3 (2019, 2022 e 2024);
- Vitória – 2 (1997 e 1999);
- Santa Cruz – 1 (2016);
- Campinense – 1 (2013);
- América/RN – 1 (1998);
- Sampaio Correa – 1 (2018)
No mais, cabe sempre frisar que, se o Vitória quiser se considerar “hexa”, somando um obscuro torneio do longínquo ano de 1976 aos seus Nordestões e Nordestinhos, o Bahia é eneacampeão, pois conquistou competições regionais em 1948, 1959, 1961 e 1963, além das cinco edições da moderna Copa do Nordeste.
Portanto, torcedor tricolor, não se esqueça que o Bahia segue sendo isoladamente o maior campeão da Copa do Nordeste, por qualquer critério, já que cinco Nordestões superam dois Nordestões + três Nordestinhos e nove campeonatos regionais superam seis. É simples assim.






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