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Coluna

Publicada em 22/12/2023 às 14h54

O pré-requisito

‘’ Acredito que não só nós jogadores, como a torcida, prefere jogar mal e vencer o jogo. Mas sei do nosso crescimento com o professor Rogério Ceni, o time está querendo jogar. Infelizmente tivemos descuido, mas também erro da arbitragem no gol sofrido. Mas é nítida nossa melhora. ‘’

David Duarte em entrevista coletiva.

"Jogo decisivo é assim. A gente sabia da importância do resultado aqui dentro de casa, com a nossa torcida nos apoiando. Foi um triunfo muito importante para os nossos objetivos. Sabíamos que seriam cinco decisões em casa. Uma já foi, conseguimos o triunfo. Hoje, a gente sabia que não precisava jogar bonito, podia jogar feio. O importante era o triunfo. E foi o que aconteceu. 1x0, meio a zero, é triunfo. Nessa reta final de campeonato é muito importante", afirmou Vitor Hugo em entrevista ao Premiere.

 

                É com essas duas declarações de atletas do Bahia que inicio a coluna de hoje e trataremos de algo que nós, a turma tricolor, devemos aprender a lidar: um modelo de jogo. E mais que isso: um padrão de desempenho. A temporada acabou, respiramos aliviados, nossos jogadores estão de férias, nós estamos pagando nossas promessas pela salvação do rebaixamento, mas, o Bahia não pode parar. E já que o Bahia existe por causa da gente, hoje vou propor uma reflexão.

                Outro dia passei horas debatendo em um grupo de amigos sobre o eterno conflito entre resultado e desempenho. É notório que na cultura futebolística, sobretudo a brasileira, o resultado é o que pauta as análises da imprensa e é o grande termômetro de qualquer torcida. Não é incomum escutar de algum torcedor a frase: - eu prefiro jogar mal e vencer, se eu quiser ver jogo bonito, vou ver futebol europeu. Virou um mantra do nosso futebol e é o que leva nossos clubes a interromper os trabalhos dos departamentos de futebol ao longo do país.

                No  debate com os ilustres tricolores, eu estava nas trincheiras do resultadismo com a finalidade de defender o trabalho de Rogério Ceni no Bahia naquela altura. Não me arrependo, precisávamos fazer os pontos necessários para não ter que voltar a jogar a segunda divisão. A cortina caiu, o show terminou, o Bahia ficou e agora é a hora de fechar pra balanço e definir o que será feito para jogarmos melhor em 2024. E a atual administração do Bahia já dá indicativos que vai intensificar o olhar para este fator.

                Intitulei este texto como ‘O pré-requisito’ porque um dos tópicos que consta no nosso contrato com o City Football Group é que o Bahia deverá adotar como modelo o  ‘jogo de posição’, o modelo de jogo mais vencedor do século. Só a título de informação, todo mundo se acostumou a dizer que a Premier League é o campeonato mais disputado do mundo, entretanto, das últimas 5 edições, 4 foram vencidas pelo Manchester City, mesmo enfrentando o melhor Liverpool do século e mais quatro grandes competidores como Tottenham, Arsenal, Chelsea e Manchester United. Detalhe: o Man City conseguiu algumas dessas taças lidando com lesões graves dos seus principais jogadores. Isso tem uma razão e se chama modelo de jogo.

                Feito o preâmbulo, vamos exercitar a memória: quantas vezes o Bahia iniciou as partidas no campeonato brasileiro jogando bem, tocando a bola com calma, com uma saída de jogo apoiada, com transições bem construídas e a partir do primeiro erro, parava de jogar dessa forma e virava uma bagunça? Quantas vezes o Bahia parecia um time bem treinado em um jogo e um baba no jogo seguinte? . Isso aconteceu incontáveis vezes nessa temporada. O Bahia foi uma verdadeira montanha russa nesta temporada. E para mudar isso e termos um time mais coeso e linear, vai ser necessário se adequar em três setores: comissão técnica, jogadores e torcida.

                Quanto à comissão técnica do treinador Rogério Ceni, já é possível notar um encaminhamento. Rogério foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, mas ainda é um treinador iniciante, embora já tenha conquistado alguns títulos. É sem dúvidas um técnico extremamente promissor cujo nome oferece certa blindagem para o Grupo City, pois, seu nome impõe respeito em qualquer lugar do Brasil. Mas, ele é suficientemente capaz de implementar o jogo de posição?. Rogério precisa melhorar em dois aspectos para ser o treinador certo para esse projeto. Detalho:

1 – Comportamento

Rogério precisa se separar da sua imagem de capitão histórico de um time de futebol e assumir de vez o comportamento de um técnico de futebol. Ações como criticar seus jogadores em coletivas de imprensa, afastar um jogador por indisciplina e não manter o critério com outros que fazem a mesma coisa e centralizar as ações em si próprio não são atitudes de uma pessoa que vivencia e possui a mentalidade para executar o jogo de posição. Inclusive, este último fator tem que ser a mudança mais radical do nosso técnico para 2024. Esse modelo de jogo foi criado para ser uma identidade em campo da cultura de um povo que tenta fazer as coisas de forma coletiva sem haver a necessidade de um grande líder ou um salvador da pátria.

2 – Treinamento

Eu nunca acompanhei um treinamento de Ceni, mas, pelo que foi possível notar nos jogos, o Bahia regrediu em vários comportamentos do modelo de jogo que o treinador anterior estava próximo de implementar. Em nome de uma dita simplicidade, o técnico Rogério conseguiu fazer o Bahia aumentar a efetividade no aproveitamento de chances de gol, o que nos rendeu o melhor ataque do segundo turno, mas o Bahia continuou levando os mesmos gols que levava com técnico anterior e reduziu muito seu repertório de criação de jogadas.

                Dito isso, fico feliz com o movimento do treinador de buscar a melhoria indo realizar esta imersão nos clubes de maior destaque do CFG e fico ansioso para ver o proveito que ele vai tirar deste período. Espero ver melhora nos dois sentidos, afinal, ele é o principal elo entre o modelo de jogo e os jogadores.

                Sobre os jogadores a transformação precisa ser ainda maior. Eles precisam acreditar no modelo de jogo, confiar que executar aquilo que está sendo treinado vai trazer os resultados. São eles que desistem da estratégia para o jogo a partir do primeiro erro e começam a fazer aquilo que eles sempre fizeram na vida inteira por não confiar. Cito como exemplo as saídas pro jogo do goleiro que começam com toques de bola e depois que toma o primeiro susto parte para os chutões e os nossos meio-campistas que estão doutrinados a ficar circulando o campo inteiro atrás da bola e não conseguem perceber as vantagens do jogo nos espaços entrelinhas. São comportamentos antagônicos ao jogo posicional. Leva tempo e é uma transformação de mentalidade.

                A primeira sinalização que o CFG notou este problema é a pré-temporada do Bahia em Manchester. Há quem diga que é perfumaria, outros estão preocupados com o clima frio e o choque térmico quando retornar, mas eu vejo com muito bons olhos esta temporada. O nosso elenco vai ter a oportunidade de passar praticamente duas semanas respirando a metodologia de um clube de alto nível que executa o modelo de jogo, desde os protocolos administrativos até os treinamentos no CT do Manchester City. Eles terão a oportunidade de ver de perto a tecnologia adequada ao nível de exigência que esse time é submetido, de lidar com a mentalidade vencedora deste clube, mas sem deixar de lado o comportamento coletivo. Uma imersão completa. Torcerei muito para que tirem proveito e tragam essa vivência para o Bahia.

                E por último e mais importante: a voz do campeão. Temos que parar de sofrer tanto com derrotas de primeiro semestre e parar de pressionar tanto o nosso clube em competições como Campeonato Baiano e Copa do Nordeste. Já somos os maiores vencedores das duas, vamos fazer algo diferente ano que vem. Temos que embarcar menos na sanha corneteira da imprensa que acha que o Bahia tem que jogar com o time titular todas as partidas destes campeonatos e chegar ao brasileirão já com 30 partidas disputadas. Isso nos prejudica ano após ano e nada muda.

                O calendário do futebol brasileiro é complicado demais, os times não treinam e os mais ricos sempre se sobressaem na individualidade. Quem conseguiu quebrar o protocolo foi quem teve peito de segurar esse rojão e dar tempo aos seus jogadores e técnicos de trabalharem para fazer um brasileirão de alto nível. Que tal se em 2024 concedêssemos a oportunidade do Esporte Clube Bahia chegar ao Brasileirão mais bem treinado, sem protestos no aeroporto ou CT porque perdeu um jogo, sem dia após dia a diretoria ser pressionada para demitir o treinador?.  Para dar certo o pré-requisito é deixar  essa turma acima trabalhar.

                Vai dar certo, vai dar Bahia. BBMP !

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