Embora o estatuto do Bahia não defina quais são os uniformes números 1 e 2 do clube*, na prática, historicamente, o primeiro uniforme foi, em regra, composto por camisa branca, calção azul e meiões vermelhos. Foi com esse uniforme que o Bahia, entre vários outros momentos e títulos de glória:
• Virou para cima do Inter na Fonte Nova e empatou em 0x0 no Beira-Rio, sagrando-se bicampeão brasileiro;
• Conquistou sete estaduais seguidos nos anos 70;
• Ganhou, na Fonte Nova, as partidas das finais das Copas do Nordeste de 2001 e 2002, contra Sport e Vitória, respectivamente.
Entretanto, o padrão com camisa branca, calção azul e meiões vermelhos, que tanto nos caracteriza, vem sendo submetido a um progressivo desprestígio. Esse processo não começou agora, pois desde 2017 a camisa branca vem perdendo terreno para a camisa tricolor, o que já era lamentável. Ocorre que esse desprestígio da camisa branca se acentuou significativamente na Era City.
Para se ter uma ideia, a última vez que o Bahia jogou uma partida na Fonte Nova usando a camisa branca foi no longínquo 15/07/25, no empate sem gols com o América de Cali pela Sul-americana. Nas últimas 20 partidas como mandante, o Bahia usou a camisa branca apenas uma vez (justamente na partida contra o clube colombiano), enquanto usou a tricolor em 12 jogos, a vermelha (em homenagem a Glauber Rocha) em 4 jogos e a camisa do Super-homem em outros 3 jogos. Segue levantamento:
- Fortaleza – Tricolor
- Galo – Super-homem
- América de Cali – Branca
- Juventude – Tricolor
- Retrô – Super-homem
- Fluminense – Glauber
- Ceará – Glauber
- Santos – Glauber
- Fluminense – Tricolor
- Confiança – Tricolor
- Cruzeiro – Tricolor
- Palmeiras – Tricolor
- Flamengo – Tricolor
- Grêmio – Super-homem
- Inter – Tricolor
- RB Bragantino – Tricolor
- Fortaleza – Tricolor
- Vasco – Glauber
- Sport – Tricolor
- Jequié – Tricolor
Note-se, portanto, que o Bahia usou a camisa branca em apenas 5% das últimas 20 partidas em casa, e que o uniforme número 1 do Bahia foi, na prática, rebaixado a número 4, pois até camisas temáticas – a que homenageou Glauber Rocha e a do Super-homem – foram utilizadas muito mais vezes nas partidas na Fonte Nova nesse período.
Eu não tenho nada contra a camisa tricolor, muito pelo contrário, eu a amo. Mas relegar o uniforme principal do clube ao limbo em que atualmente se encontra, rebaixando-o a um padrão usado apenas ocasionalmente como visitante, é atentar contra a tradição e a estética típica do clube.
A meu ver, o uniforme com camisa branca, calção azul e meiões vermelhos deveria ser o mais usado nos jogos como mandante, como ocorreu na grande maioria dos anos até 2016 (com algumas exceções pontuais, como 1994 e o segundo semestre de 2001, quando a camisa tricolor foi a principal); mas, no mínimo, ele deveria alternar com a camisa tricolor em pé de igualdade.
Encerro esta coluna com um apelo aos atuais mandatários do Bahia para que resgatem do limbo o nosso padrão com camisa branca, calção azul e meiões vermelhos, devolvendo-lhe o protagonismo que nunca deveria ter perdido.
* Art. 7o, III: os uniformes já consagrados pelo uso terão predominantemente as mesmas cores da bandeira, conterão o escudo do Bahia nas camisas e eventualmente nos calções e meiões, poderão ainda variar em modelos que forem aprovados pela diretoria da entidade, tanto para o primeiro como para o segundo uniforme, podendo ser criado terceiro ou mais padrões, em cores diversas às supracitadas.





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