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Coluna

Carlos Patrocinio
Publicada em 26/02/2021 às 14h36

2020: o ano que antes era aceitável finalmente ficou ruim (e isso é bom!)

Estatísticas, dados e informações frias escritas muitas vezes podem enganar. Pela manhã, após resenhar sobre uma postagem de Barbaço no Twitter com um grande amigo, fiquei pensando nisso. O post foi este.

Pois bem, resenha com o velho Popoti à parte, coloquemos a temporada do Bahia num resumo em letras frias, por ordem inversa de importância das competições:

  • Baianinho: Campeão
  • Nordestão: Vice-campeão
  • Sul-Americana: Quartas de final
  • Copa do Brasil: Primeira fase
  • Brasileirão: Classificado à Sul-Americana

Se um ET ou alguém totalmente alheio às perspectivas do Bahia no início do ano chegasse agora e olhasse esses dados, colocados de forma fria e resumida aí a cima, poderia dizer que o ano foi OK. Afinal, ganhou o Baianinho (usando o Sub-23), chegou à final do Regional (perdendo para outro time de Série A), foi longe na competição internacional que disputou (sendo eliminado pelo Campeão da competição), conquistou o objetivo mais crível no Brasileirão, tendo como eventual único grande vexame a eliminação da Copa do Brasil pelo inexpressivo River do Piauí.

Talvez noutros anos, naqueles nefastos anos em que brigar para não cair era nossa única perspectiva, esses resultados fossem tidos como bom. Mas, que bom que crescemos e eles são insuficientes. Isso, de certa forma, mostra nosso crescimento como time e se reflete na exigência do torcedor.

Esses dados tornam-se ainda piores quando lembramos do contexto em cada uma das competições. Afinal, ganhamos o Baianinho, mas botando o time principal no último jogo, que foi pros pênaltis contra um time de Série D do Campeonato Nacional; perdemos o Nordestão jogando de forma patética, sendo totalmente dominados pelo Ceará (contra quem não conseguimos vencer uma única vez no ano); na Sul-Americana chegamos a perder para aquele time de várzea peruano e flertamos com a eliminação nas oitavas para, finalmente, sermos eliminados perdendo DUAS VEZES no confronto contra um pequeno time argentino; no Brasileirão, após iniciar o ano sonhando com uma briga na metade de cima da tabela, penamos o campeonato todo, como no início da década passada, só vindo a se livrar do rebaixamento na penúltima rodada; na Copa do Brasil, além daquele vexame contra o River, dias depois aquele mesmo time conseguiu perder para o vice, interrompendo uma longa sequência de invencibilidade contra o ex-rival, sem que isso levasse à diretoria a tirar Roger, mesmo quando veio a pandemia.

Vendo o lado bom num ano que acabou sendo ruim, ainda que no papel alguém possa enxerga-lo como bom ou razoável, ficaria com isso: a organização do clube, a sua estrutura atual, não pode fazer com que a gente se contente com pouco, com migalhas. A Diretoria precisa entender isso e saber dar o próximo passo. Reconheço que as diretorias da era democrática pavimentaram a recuperação do Bahia, reorganizaram o Clube, melhoraram sua estrutura e, com tudo isso, fizeram renascer aquela “arrogância” chata da nossa Torcida. Espero que eles estejam prontos para dar esse passo a mais, de fazer o Bahia continuar estável, mas brigando entre os 10 no campeonato de forma frequente.

Alguns vão se ofender com o que vou escrever agora: penso que um grande espelho para o Bahia deve ser o Athletico Paranaense (o velho Varanaense). Um clube que tem história bem menor que a nossa, mas que seguiu esse caminho da organização, com estruturação e, hoje, encontra-se estável na Série A. Odeio a wikipedia como fonte, mas vamos lá (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ranking_de_pontos_do_Campeonato_Brasileiro_de_Futebol#cite_note-Ranking_de_Pontos_2003-3).

De acordo com a enciclopédia virtual, de 2003 a 2020, das 18 edições de Série A em pontos corridos, o Athletico disputou 17, deixando de disputar apenas em 2012, quando subiu imediatamente da B (nós disputamos apenas 9). Tanto no ranking de participações quanto no de pontos, o Athletico fica em 11º, a frente de Botafogo e Vasco da Gama (nós estamos em 20º em ambos). Em participações, eles chegam a superar o Palmeiras, por exemplo. Nós, por sua vez, estamos abaixo de times como Goiás, Coritiba, Figueirense, Vice e Sport e acabamos de igualar a Ponte Preta. Neste período de pontos corridos o Athletico chegou 3 vezes à Libertadores por meio da classificação na Série A. Ou seja: se consolidou entre os maiores clubes brasileiros e dá pra dizer que já está superando Vasco e Botafogo, dois dos queridinhos do eixo.

O lado bom que vejo para o Bahia está no fato de termos igualado a maior sequência de um nordestino na Série A (as 5 participações do Popoti entre 2014 e 2018). Espero que esse seja o início de uma sequência que nos consolidará entre os grandes novamente. A nossa insatisfação com um ano que, antigamente, poderia ser satisfatório, por incrível que parece, me deixa otimista. Desde, é claro, que a Diretoria esteja incomodada com 2020 e pense maior para os próximos anos. Sigamos cobrando e torcendo.

 @c_patrocinio

PS.: Posso estar me precipitando e empolgando, mas como parece ser diferente esse menino Patrick de Lucca. Às vezes parece que tem 30 anos, com uns 12 anos de Série A nas costas (lá ele). Esse parece que vai ser diferente.

 
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