é goleada tricolor na internet

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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 18/07/2021 às 21h46

Página em Branco

Após a partida de ontem, contra o Flamengo, quando fomos solenemente atropelados pelo time carioca e saímos com uma sonora goleada, que nos colocou como a segunda pior defesa do campeonato brasileiro, a coluna que eu gostaria de ter enviado ao site era uma página em branco, para representar o futebol que levamos a campo.

Nesse momento, os tricolores somos levados a criticar a postura do time e o técnico, seja pelo orgulho ferido, seja pela nossa mania de ser “comentarista de resultados”. É fato que o Bahia, pela sua história, não pode se deixar acostumar a derrotas como essas, ainda que contra o melhor time do Brasil, bi-campeão e cheio de estrelas no elenco.

Mas, quero olhar para além da tragédia. O Bahia continua entre as dez melhores equipes da série A, tendo acumulado 17 pontos. 38% dos 45 pontos que, em tese, nos mantém na primeira divisão, nosso primeiro objetivo ao disputar o campeonato. Nessa toada, teremos uma vaga na Copa Sulamericana, nossa segunda meta. Além disso, o elenco tem revelado alguns bons jogadores que podem se transformar em receitas futuras, terceiro objetivo tricolor, casos de Matheus Teixeira, Renan Guedes, Patrick e Matheus Bahia.

Claro, nesse momento o torcedor quer crucificar o técnico. Podemos criticar a escalação que Dado escolheu para o meio-de-campo, com pouca marcação, o que nos levou a sermos envolvidos pela eficiente postura ofensiva do rubro-negro da Gávea. Podemos dirigir nossos impropérios à escolha de Ligger para fazer dupla com Conti ou à escalação de Rossi pela extrema esquerda do ataque do Bahia. Mas, não podemos deixar de reconhecer que, antes da bola rolar, essas escolhas não eram tão insensatas como parecem ao analisarmos pelo retrovisor, tendo conhecido o resultado delas.

Vejamos. Com as perdas de Daniel e Thaciano, escolher Tonny Anderson e Galdezani podia muito bem ter sido uma tentativa de mexer menos na estrutura do time. Tenho certeza de que muitos que criticaram Dado, teriam opinado da mesma forma se ele fechasse o meio: renunciou ao jogo! Igualmente, manter Ligger ou fazer retornar Luiz Otávio pode ter sido decidido em favor de quem havia falhado menos até então. Como ser contrário a essa decisão? Escalar Rossi pela esquerda não foi uma forma de aumentar a proteção sobre Matheus Bahia e o lado esquerdo de nossa defesa? São questões que pondero, não para defender Dado Cavalcanti, mas para ilustrar que as opções do técnico são poucas e limitadas. Como condená-lo por isso?

Apontar nossas baterias contra o técnico apenas servirão para desviar o foco de quem decide e contrata, de fato. Sabemos das dificuldades que a dívida herdada e a pandemia trazem ao caixa tricolor, mas não dá para “passar pano” em algumas decisões de contratação que, até hoje, não conseguiram mostrar-se adequadas. Tonny Anderson, Galdezani, Oscar Ruiz, Lucas Araújo, etc estão aí para confirmar nossa argumentação. Se o recurso é escasso – e é – nos resta gastar com eficiência. Estamos errando bastante nesse quesito...

Para piorar o dia do torcedor tricolor, o Fortaleza disparou para as primeiras posições da tabela, alcançando 24 pontos. O que não faltam são “análises” dos milagres que o técnico do “leão do pici” está fazendo, com elenco considerado inferior ao do Bahia, seguido por lamentos por não termos contratado esse verdadeiro “santo milagreiro”. Esquecemos que nosso técnico até há pouco também era reconhecido por tirar “leite de pedra”, nos salvando de um certo rebaixamento para a segunda divisão e nos trazendo um título de Copa do Nordeste, de “virada”, em cima do nosso então maior rival, o Ceará. Memória curta, a nossa.

Aliás, um amigo me trouxe uma imagem interessante para essa nossa mania de “achar mais verde a grama do vizinho”. Segundo ele, parece muito com aqueles gerentes de banco que tentam nos convencer a investir em determinados fundos e, no histórico desses gerentes, não consta terem investido naqueles fundos que, agora, nos oferecem. Traduzindo: no início do campeonato, dificilmente teria colocado suas fichas no Fortaleza, quem agora o elogia.

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