é goleada tricolor na internet

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Coluna

Cássio Nascimento
Publicada em 18/07/2021 às 22h15

Quando falta ódio

Que é perder do Flamengo, o maior elenco do Brasil na atualidade, com plantel galáctico para os padrões tupiniquins? Normal, não é? E o que é tomar uma goleada humilhante de 5 dentro de casa (embora sem torcida)? O fim do mundo?! 

Para quem já frequentou séries alfabéticas as mais diversas do campeonato brasileiro e tomou 7 de Cruzeiro e Ferroviário; bem como seis do seriecezável Cruzeiro e do próprio Flamengo, apenas mais um capítulo da mediocridade crônica e agudizada. O tempo passa, outros bons resultados pontuais virão, e o Bahia seguirá sua saga do "quase" ou do "se" indefinidamente. O importante é bater meta, diriam alguns dirigentes.

Ando sumido e escrevo pouco: há gente mais qualificada do que eu aqui e sinto um certo tédio em conjecturar qualquer coisa a respeito do Bahia. Críticos dirão "ora, ele só aparece quando as coisas vão mal", mas a verdade é que não há muito o que falar do Bahia, contextualmente.

Aos que lamentaram a desclassificação precoce no pútrido campeonato estadual, e o justo título regional, há o alento de observar que os nordestinos Bahia e Cearenses tem frequentado posições na parte de cima da tabela, e salta aos olhos a campanha do Fortaleza, o mesmo que demos quatro há não muito tempo. Contudo, o resultado de hoje, senão sintomático, assevera o baixo nível técnico dos elencos neste campeonato brasileiro, com destaque aos milionários Palmeiras e Flamengo. 

Nada mudará enquanto o Bahia não conquistar uma vaga na Libertadores: e com alguma frequência! Nem a Sulamericana seria o caso, porque possui como critério de inclusão praticamente quem ficou de fora da maior competição sul-americana e quem não caiu no brasileiro: e as pífias campanhas tricolores na "Sula" são auto-explicativas do quanto precisamos mudar, e muito, se quisermos sair deste marasmo. Basta lembrar que, além da eliminação precoce deste ano, houve a derrota evitável para a "Catuense" portenha, literalmente um time de empresa de ônibus, que é o tal do Defensa y Justicia.

Créditos para a acachapante goleada continuam sendo dirigidos a quem de direito: os dirigentes tricolores, os quais contrataram o mais do que duvidoso treinador Dado. O elenco, com muitos talentos em potencial, refuga em momentos decisivos; e desta vez, o wannabe flamengueiro Gilberto enterrou, definitivamente, o sonho de compor o time C da Gávea no carioquinha-brasiliense-manauara 2022.

Não podemos esquecer de você, Belintani, o qual possui o maior orçamento do Nordeste em mãos, foi reeleito com maioria esmagadora de votos (por falta de concorrentes à altura), e tenta vender o antigo Fazendão para a especulação imobiliária em condições que estão sendo questionadas à vera por segmentos tricolores. Não pelo valor exatamente, e sim pelo parcelamento camarada, que para uma grande empreiteira, parece ser desnecessário. Eu, particularmente, sou contra a venda, uma vez que este dinheiro se evaporará em dias, mas que seja feita a vontade da Assembleia Geral.

O Bahia não acabou, o Bahia pouco provavelmente será rebaixado, o Bahia continua a mesma coisa, sempre em "construção e evolução", certamente crescendo, mas nunca se superando. E exatamente por continuar a mesma coisa, não há o que fazer senão lamentar-se ou conformar-se. E comemorar o afundamento inexorável do rival a mais uma infame "Cerei C".

E qual seria a fórmula para o clube se superar e sair dessa caverna do dragão futebolística, fazendo com que 88 seja definitivamente arquivado?

Talvez o torcedor mediano tenha razão: montar uma grande equipe e conquistar o quinquagésimo título estadual será a meta de 2022.... e ser campeão da Copa do Brasil Libertadores Mundial porque o Bahia é maior do que o Barcelona Real Madrid Bayern de Munique e Manchester United. Agora, com licença que vou tomar meu carbolitium com 51 pra ver se tenho uma good trip, porque de bad trip já basta a cada rodada do brasileiro. 

Falta ódio, falta sangue no olho, falta vontade. Ódio de ver carioca passear e cuspir na sua cara, ódio de ver a Bahia e o Nordeste colonizados pela mídia global flamenguista, ódio de não sair do chão. Um resultado destes é pra cair a comissão técnica inteira e apertar a oposição ao presidente. O que tem feito a torcida? O que tem feito os dirigentes? Colocam a culpa em jogador, na própria torcida (que nem tem ido ao estádio por causa da pandemia) ou no azar?

Saudações tricolores!

É isso: vou ali comprar cigarro.

Mas eu volto.

Um dia.

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