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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 26/07/2022 às 19h38

Que se perdoe a quem pede o perdão

Nos últimos anos, muitas pesquisas foram realizadas sobre a inteligência humana. Surgiram também estudos e conhecimentos na área chamada Inteligência Emocional. Esses estudos demonstram a importância da educação para desenvolver a maturidade emocional e relacional das pessoas; conhecer suas emoções e como lidar com elas; a importância da empatia no sucesso social e profissional; as habilidades interativas para um relacionamento íntegro e mutuamente benéfico. 

Antes da Inteligência Emocional, existiram, porém, outros estudos práticos que demonstraram que as pessoas não tinham apenas a inteligência cognitiva como meio fundamental para seu desenvolvimento e sucesso profissional. Havia mais, portanto, como formas de ver e sentir fatos e coisas, a percepção, intuição, por exemplo; que nos impede de praticar atos já projetados, ou fazer julgamentos sem o devido conhecimento de causa.  Atente, porque o prejulgamento é um pecado e tanto que se pratica à toa, irresponsavelmente. 

Foi necessário fazer esse preâmbulo para falar mais diretamente ao torcedor do Bahia sobre a possível contratação de Marcinho, lateral direito que passou pelo Botafogo e Athletico Paranaense.  Ora, trata-se de um ótimo jogador para uma das posições mais carentes de experiência e habilidade que há no Bahia.  Não que o jovem André esteja mal por ali, tem até dado conta do recado. Mas quem quer ascender à série A, tem de ter qualidade com experiência porque a competição é do tipo salve-se quem puder. 

Porém, há uma parte da torcida, ainda que em minoria, que entoa o coro da central de lacração, e, quando essa central dá a senha, o sistema de imunização cognitiva entra como efeito dominó. Senhores; gostem ou não, mas o jogador Marcinho se tornou réu por crime culposo – quando não se tem a intenção de matar – e responde na Justiça com essa qualificação. Atropelos acontecem, sempre, por imprudência de alguma das partes, ou de ambas.  

Mas no caso, Marcinho é execrado como se fora uma figura que praticou um estupro, bateu em mulher, assassinou e deu para os cachorros – como dizem que fez o goleiro Bruno – e fica sem poder exercer sua profissão só porque uma parte ínfima da opinião pública assim o deseja? Não pode e nem deve ser assim porque o caso em pauta na Justiça não tem nada a ver com crueldade premeditada.  

Marcio Oliveira – o Marcinho – era à época um jovem de 24 anos de idade e, possivelmente, se apavorou com a cena causada por ele e fugiu do local do acidente sem prestar o devido socorro. Errou. É claro que errou. Mas isso não faz dele um assassino. Há momentos em que o espírito nos deixa a sós, à mercê do pior, e essa solidão nos faz tomar decisões infelizes.   

– Duvido que o arrependimento por não ter prestado o devido socorro às vítimas não lhe tenha chegado muito depressa, principalmente, ao ouvir seus familiares logo após o acidente. São coisas para as quais todo entendimento é necessário e toda compreensão é pouca. 

À época, segundo o advogado da família Lemos de Oliveira – Marcinho é sobrinho dos técnicos de futebol; Oswaldo Oliveira e Waldemar Oliveira – o jogador vinha trafegando na velocidade permitida na avenida e, subitamente, surgiu o casal à frente, fora da faixa de pedestres, e o impacto foi inevitável -- Ali o caos estabeleceu-se na mente do jovem. Disse ainda o advogado, que Marcinho estava dando todo o apoio necessário à família das vítimas, representadas pela filha do casal vitimado.  

Como vemos, não se trata de alguém mau caráter e muito menos de um monstro. Trata-se apenas de uma pessoa que infelizmente vitimou o casal Alexandre Silva Lima e Maria Cristina Soares. São fatos trágicos que gostaríamos de evitar, mas nem sempre é possível. São duas vidas cerceadas pela fatalidade num caso absolutamente fortuito. Qual cidadão de bem, começando na sua profissão, que aos 24 anos de idade, tem a infelicidade de atropelar e matar duas pessoas, pode se sentir feliz na vida? Isso pode ser atenuado, mas jamais curado. Então, se nada pode ser feito por quem já partiu, então, que se perdoe a quem pede o perdão pelo mal que causou sem nenhuma intenção.  

Há quem diga que Marcinho já treina no CT Evaristo de Macedo. Tomara que seja verdade. A diretoria do Tricolor tem mais é que contratá-lo porque a maioria da torcida vai apoiar.  Mesmo porque; lateral com a qualidade técnica do Marcinho está raro no futebol brasileiro. O Bahia não deve se privar porque uma ala da torcida, que gosta de lacrar, não quer Marcinho jogando no Bahia. O assunto extracampo diz respeito a vida particular do cidadão, que é réu na Justiça do Rio de Janeiro onde o caso está sendo resolvido. E será; de acordo com quem pode de fato e de direito julgar. Contratar o jogador Marcinho depende do Bahia, do atleta, e ponto final. 

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