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Coluna

Carlos Patrocinio
Publicada em 31/05/2021 às 13h30

Segue o líder. Ou, pelo menos por enquanto, quase isso.

Lógico que é brincadeira com o fato do Bahia ter virado o sábado no topo da tabela de classificação, condição perdida com o triunfo do Red Bull, que ficou logo à frente por não ter recebido cartões amarelos. Mas vale curtir a resenha e o momento.

O fato é que mais um Brasileirão começou e o Bahia, apesar de não ter sido brilhante, fez uma partida que definiria como inteligente e eficiente.

Dado parece ter entendido que contra os times de Fernando Diniz você não precisa brigar pela posse de bola, já que os caras treinam o tempo todo para jogar assim, ainda que, no caso desse Santos pelo menos, ter a bola não seja exatamente o mesmo que saber o que fazer com ela. O Bahia me pareceu armado pra usar isso a seu favor, alternando momentos de pressão na linha defensiva, para tentar aproveitar/criar erros na saída de bola, com momentos de linha mais baixa, tirando espaços para um time que tenta entrar na área com a troca de passes.

No primeiro tempo a segunda parte da estratégia funcionou bem, já que o Santos foi estéril e só teve uma finalização perigosa, bem defendida por Claus. Esse lance veio pouco tempo depois de Rodriguinho perder a grande chance do jogo até ali, cara a cara com o goleiro, mandando pra fora um verdadeiro “gol feito”.

No segundo tempo a primeira parte da estratégia e da cartilha para vencer os times que jogam unicamente com posse de bola, ou seja, a pressão nos defensores, deu resultado. O Bahia voltou com a marcação mais agressiva e com transições rápidas.

No segundo gol deu pra ver um time bem postado com duas linhas de quatro compactas, mas com pressão no portador da bola, gerando o erro. Quando Patrick fica com a bola, após pressão de Daniel (vou falar sobre esse jogador daqui a alguns parágrafos), graças a essa formação de Dado, com meio campistas que sabem jogar com a bola, o Bahia sai em transição com 6 jogadores atacando os 4 defensores do Santos. No momento Thaciano arma o chute do segundo gol, o Bahia está com 5 jogadores na área adversária, em igualdade númerica.

Depois disso o Bahia chega ao terceiro gol com Juninho, que cresceu uma barbaridade desde que entrou naquele primeiro jogo da final, naquela fria, após a expulsão de Luiz Otávio e ficou impossível tirá-lo. Gol que serviu como consolo numa semana difícil para o zagueiro tricolor. Confesso que me emocionei quando vi o gol dele.

Depois daí o Bahia administrou o jogo, com suas linhas baixas, encaixadas, sem dar chances ao Santos, mostrando que um sistema defensivo sólido não precisa de jogadores que só marquem ou deem pancada. Um dos grandes êxitos que consigo ver neste início de trabalho de Dado, afinal são apenas 06 meses dele no comando do time tricolor, é a capacidade de recuperar jogadores. Primeiro Nino, Rossi e Rodriguinho, depois Daniel e Juninho. Além disso, acho que dá pra destacar o uso de jogadores jovens, vindos da base ou do transição, como foi o caso de Matheus Teixeira, Patrick, Matheus Bahia e agora Renan Guedes, que se não é brilhante, não vem comprometendo.

Sobre Juninho falei pouco acima, mas gostaria de falar sobre Daniel. A composição de meio de campo do Bahia é, pra mim, a prova que é possivel criar um time seguro defensivamente, que negue espaços ao adversário, sem precisar recorrer a jogadores com muita disposição e pouca capacidade de construção. É lógico que em certas circunstâncias é necessário trazer mais pegada, mas em todos os jogos importantes que o Bahia fez nesta temporada (Fortaleza, Independiente, Ceará e Santos), não vi a presença do meio campista fragilizando o sistema defensivo do Bahia. Na verdade, o que vejo é um meio campo moderno, com capacidade de passes, de criação, mas com organização pra se defender.

 Dá pra dizer que o Bahia de Dado tem um meio de campo moderno, alternando os desenhos na marcação, muitas vezes marcando no 4141, com mudança no jogador que fecha o lado esquerdo (às vezes Thaciano, outras Rodriguinhos e noutras até Gilberto, com o camisa 10 ficando a frente), em outras num 442, também com mudanças na composição da linha, como foi no gol ilustrado a cima. Ainda acho que contra times mais fortes Dado vai precisar de atenção a esta recomposição defensiva no lado esquerdo, mas já dá pra notar um caminho claro no trabalho do treinador tricolor.

Já há alguns times que conseguem jogar assim. O Fortaleza de Rogério Ceni muitas vezes jogou sem volatnes brucutus, o Flamengo joga com 2 meias na volância e o Red Bull ontem teve Ramires e Lucas Evangelista jogando na faixa central, sem volantes pegadores, no triunfo sobre a Chapecoense fora de casa.

Lógico que é importante relativizar o resultado, já que é um adversário que vem mal, com sucessivas derrotas fora de casa, em péssimo início de temporada, mas é inegável que tivemos mais um jogo sólido, que ajudou a iniciar o campeonato com o pé direito.

@c_patrocinio

 
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