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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 14/01/2021 às 20h21

Só os tolos não mudam

A responsabilidade do Bahia só aumenta, e o drama da torcida também.  O caminho ficou ainda mais tortuoso com a ascensão do Vasco da Gama na tabela, agora sob o comando da indiscutível competência de Vanderlei Luxemburgo. Na contrapartida a incompetência do Bahia alarga e pavimenta a estrada para a Segunda Divisão. Para piorar o quadro vem o fator psicológico dos jogadores, que num afunilamento desse porte é de difícil terapia.

Ainda temos nove rodadas pela frente, mas a performance do Bahia no atual campeonato não o qualifica para conquistar 16 pontos e se safar definitivamente da degola. É uma situação muito incômoda pela dúvida que o time causa. Mas a matemática diz que o Bahia tem todas as condições de evitar o rebaixamento e é nisso que dirigentes e torcedores se amparam esperando que o time também reaja.

Olhando a coisa pelo prisma da realidade, o sentimento que o torcedor do Bahia tem agora é de retrocesso dentro de um suposto processo de evolução que ele imaginava. É como se tudo que foi feito tivesse perdido a razão de ser, pasme... É nesse ponto que deve estar a reflexão de Guilherme Bellintani sobre sua insistência em cometer equívocos bisonhos como a tal “Carta à Sociedade”.

A questão é: Bellintani e seus pares ainda podem efetivamente ser úteis ao Bahia? Viverá o Bahia sob uma nova ordem filosófica de ideologia política? Algumas atitudes fora da sensatez como tentar colocar Cerri de bode expiatório e demiti-lo como se isto fosse a solução dos problemas, só para dar uma satisfação à torcida, está certo ou é sinal de que os equívocos se tornaram marca registrada da atual gestão no Bahia? São questionamentos, apenas e tão somente isto.

Até ser dito com todas as letras que o futebol no Bahia “não é um fim em si”, eu acreditei no trabalho amplo em todas as frentes, entendia que o clube crescia, preservava sua essência e buscava se destacar ainda mais, como bicampeão brasileiro que é, no cenário nacional. Mas diante dos fatos acontecidos nos últimos dias confesso-me confuso e cheio de dúvidas quanto ao futuro do E.C. Bahia, principalmente, me perguntando se Bellintani é o gestor ideal para o clube, já que futebol para ele está em segundo plano.

Isto talvez explique o desastre do time em campo e acende o farol vermelho no meio do caminho que dá passagem para o futuro. Futuro esse que não passou da retórica à materialização tão sonhada pelo torcedor. Não é demais lembrar que desde metade do ano passado para cá o Bahia parou de jogar futebol. Por que será? É claro que Bellintani sozinho não é culpado. Seus pares também o são porque é responsabilidade de todos. Porém o líder é Guilherme Bellintani.

Ocorre que se o líder fracassa os liderados se perdem. Quando praticamos a mesma ação, as reações e os resultados serão os mesmos. É um princípio natural. Alguém disse que “Insanidade é querer que as coisas mudem enquanto você continua fazendo as mesmas coisas”, e acrescento... com as mesmas pessoas. É assim que o meio se torna um fim e o fim objetivo real se perde.

Ou se trata o Bahia com embasamento numa proposta de profunda renovação de ideias e valores, tendo o futebol como princípio, meio e fim, esquecendo esse viés político progressista que possivelmente fluirá para o Estatuto do clube – caso o Conselho aprove –, o que de acordo com a proposta contida na absurda “Carta à Sociedade” é algo esdrúxulo, ou tudo acontecerá no Bahia como acontece com a água morro abaixo. É só continuar com a atual filosofia para ver o que acontecerá.

O Bahia necessita ser dirigido à favor do sentimento da torcida, que precisa ser ouvida como mantenedora do clube. O que a grande massa Tricolor deseja é ver seu time triunfando em campo e conquistando títulos, e não o narcisismo do Presidente do clube que adora lacrar jogando para a imprensa do eixo Rio–São Paulo.
Nesso ponto lembro-me de uma curta frase de Dale Camegie: “Você pode fazer muito mais amigos em dois meses interessando-se pelas pessoas do que conseguiria em dois anos tentando fazer as pessoas se interessarem por você”.

Até recentemente, o Presidente do Bahia me parecia a fórmula ideal que o clube precisava para se destacar como um gigante, afinal o Tricolor já tinha cacife para tanto e seria somente uma questão de fazer com que a evolução chegasse também ao futebol  – não nos esqueçamos que na Era Paulo Maracajá o Bahia foi um dos fundadores do famoso Clube dos Treze, o que lhe deu status e o classificou entre os treze maiores clubes do Brasil e cobriu de êxito o trabalho que ele, Maracajá, já desempenhava há anos, inclusive, culminando em mais um título nacional –, mas me convenceram na pratica que eu estava equivocado quanto a “fórmula”.

Não tenho nenhum problema em mudar de opinião – só os tolos não mudam – e, no caso, gostaria de poder mudar.  Escrevo neste momento esta coluna com tristeza, prefiro tecer elogios a ter que criticar dentro de uma realidade tão incômoda. Porém, parto de um dos princípios de Einstein que diz que “O mais importante é não parar de questionar porque a curiosidade tem a sua razão de ser”, ou senão corro o risco de ser tendencioso e consequentemente acrítico, o que faria um mal terrível ao Bahia.

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