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Coluna

Carlos Patrocinio
Publicada em 08/04/2021 às 14h28

Tentando entender a diretoria de futebol do Esporte Clube Bahia

Já disse algumas vezes nos meus textos que consigo compreender as dificuldades que a transição atípica e sem intervalo nenhum entre a temporada anterior e a atual trazem para os clubes brasileiros, não sendo diferente no caso do Bahia. Até indiquei, em coluna anterior, escrita em fevereiro, que conseguia enxergar as dificuldades de se realizar uma renovação mais profunda do atual elenco. Mas, agora, em 07/04/2021, confesso que estou meio confuso com os movimentos do Bahia no mercado de transferência. Vou tentar explicar.

O Bahia trouxe, até aqui, 02 zagueiros (Conti e Luiz Otávio), 04 volantes (Galdezani, Jonas, Pablo, o menino lá do Grêmio que não sei o nome e nem sei se vem pro time de cima, assim como Pablo), 01 meia (Thaciano) e 01 atacante de beirada (Oscar Ruiz). Em contrapartida, durante a temporada e tirando os jogadores que não renovaram, se desfez de 01 volante (Gregore) e de 04 homens ofensivos (Gabriel Novaes, Marco Antonio, Clayson e Tiago). Com essas idas e vindas temos o seguinte elenco principal:

  • Goleiros: Douglas, Claus e Matheus Teixeira
  • Zagueiros: Conti, Luiz Otávio, Lucas Fonseca e Juninho
  • Laterais direitos: Nino e João Pedro
  • Laterais esquerdos: Matheus Bahia e Juninho Capixaba
  • Volantes: Patrick, Edson, Galdezani, Jonas, Pablo (que só jogou no transição) e Lucas Araujo (descobri o nome do menino que vem do Grêmio, ainda que não tenha descoberto se veio pro principal ou pro Transição)
  • Meias: Daniel, Thaciano e Rodriguinho
  • Beirada: Rossi, Oscar Ruiz e Alesson
  • Centroavantes: Gilberto

Só numa passada de olho rápida já da pra ver o desequilíbrio do elenco: temos, por exemplo, 06 volantes e 03 atacantes de beirada, sendo que um deles é Alesson, o que, com todo respeito ao jovem jogador, nos deixa com 02 jogadores de beirada.

Inclusive, seguindo essa lógica de analisar a qualidade de algumas peças e sendo bem generoso, dá pra dizer que, além de ter apenas 02 jogadores de beirada (tiraria Alesson, porque ele não tem condições de jogar Serie A), só temos 02 goleiros (acho que Teixeira é muito verde para a Série A), 03 zagueiros (tirando Juninho), só 01 lateral direito (tirando João Pedro), nenhum lateral esquerdo (e vou ser polêmico e dizer que, se fosse manter um dos dois, manteria Capixaba, que ainda tem alguma capacidade ofensiva, o que Matheus Bahia não tem, além de ser PÉSSIMO defensivamente, como o jogo contra o Fortaleza mostrou). Na volância, por ver que Pablo praticamente só tem sido utilizado no Transição e por não saber se esse menino do Grêmio veio pro time de cima, vou considerar que só temos em potencial (porque não acredito que Galdezani e Jonas sejam solução, mas vou dar o benefício da dúvida) 03 volantes (além das dúvidas sobre Pablo e Lucas, tiraria Edson que, pra mim, também não tem condições de ser jogador de Série A).

Feitas essas considerações, acho que de minimamente competitivos só temos o seguinte elenco:

  • Goleiros: Douglas e Claus
  • Zagueiros: Conti, Luiz Otávio e Lucas Fonseca
  • Laterais direitos: Nino
  • Laterais esquerdos: (talvez, na dificuldade de se livrar dos que temos e de achar opções, poderia manter 1 dos 2 que temos)
  • Volantes: Patrick, Galdezani e Jonas, (talvez Pablo, que só jogou no transição mas parece ter algum potencial para seguir no elenco, e Lucas Araujo, que não conheço e não sei se veio pro principal ou pro Transição)
  • Meias: Daniel, Thaciano e Rodriguinho
  • Beirada: Rossi e Oscar Ruiz
  • Centroavantes: Gilberto

Ou seja, na minha humilde opinião o elenco, hoje, só tem 15 ou no máximo 17 jogadores minimamente competitivos para a Série A. Talvez, mantendo um dos atuais laterais esquerdos como reserva, estourando 16 ou 18 jogadores. Mais: pela minha (irrelevante) avaliação, temos 5 ou 7 jogadores que não tem ou podem não ter a condição de entregar o que uma Série A de Brasileirão exige. Pior: mesmo que consideremos esses jogadores, teríamos, hoje, um máximo de 24 jogadores, sendo que boa parte deles se concentra da volância pra trás.

Uma coisa que está muito clara é que, sendo mais ou menos exigente, o elenco tem gravíssimas carências no setor ofensivo e nas laterais. Hoje temos apenas dois jogadores ofensivos de velocidade que são ou podem ser úteis. E pela falta de transparência dos movimentos da diretoria de futebol, sequer sabemos se há previsão de buscar suprir essas lacunas. Uma grande dúvida que tenho é se vão resolver usar o Transição pra isso, o que me dá calafrios, já que o setor ofensivo do Transição, notadamente as beiradas do ataque, é justamente o seu ponto mais fraco (de um time que vem se mostrando fraco). O próprio Belintani, naquela entrevista que disse muito pouco, não deu mostras que reforçaria as laterais e que traria mais de um atacante de beirada. A única negociação que os jornalistas indicam existir é de Abel Hernandez, que é centroavante (não que não precisemos de uma sombra pra Gilberto).

Me parece muito evidente que o Transição não apresenta condições de fornecer peças para o setor ofensivo do principal. Talvez, resolvendo a parte física, Ronaldo possa ser integrado ao elenco. Mas como um suporte, nunca como uma primeira opção para os titulares. Ainda no transição, consigo enxergar opções para a lateral direita (com a observação de Renan Guedes num primeiro momento), para a zaga (com Gustavo Henrique e, talvez com MUITA boa vontade, Ignácio) e para a volância (Raniele e, talvez, para ser observado, Bruno Camilo).

Destes, acho que, num primeiro momento, estes jogadores apenas fariam cessar a necessidade por zagueiros e volantes. Ainda vejo com urgência a necessidade de trazer 01 goleiro, 01 ou 02 laterais esquerdos, 02 jogadores de beirada e 01 centroavante. Talvez a lateral direita possa esperar o segundo semestre, mas se houvesse uma opção, traria.

E, sinceramente, se não estiverem com negociações para essas posições, era melhor ter mantido quem saiu e tentar recuperar os jogadores, do que se desfazer sem planejamento e sem reposição. Afinal, além de continuar com dificuldades do ponto de vista qualitativo, ainda temos carências quantitativas, falta gente.

O fato é que só resta torcer para que a diretoria esteja trabalhando em silêncio, senão só me resta a certeza que seremos facilmente eliminados da Sulamericana (a fase de grupos já é difícil e só classifica um time), correremos sérios riscos na Copa do Brasil (principalmente se pegarmos um time de Série B ou A em algum momento mais cedo) e será quase impossível sequer sonhar com o título do Nordestão.

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