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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 12/09/2021 às 18h56

Tranquilo, tranquilo...

O triunfo contra o Fortaleza e o empate de sábado passado contra o Santos, embora façam parte da trajetória inicial de recuperação do tricolor no campeonato brasileiro, devem ser analisadas sob perspectivas diferentes, seja a partir do comportamento do time em campo, seja com base no trabalho realizado até agora por Diego Dabove. O jogo contra o “Peixe”, na Vila Belmiro, serviu para apresentar ao torcedor um Bahia diferente na escalação, na postura ofensiva de alta intensidade no primeiro tempo e no competente posicionamento defensivo do segundo tempo, sem apresentar falhas. Não é pouco. Após dois meses, o Bahia concluiu uma partida sem levar gols. A última vez em que isto tinha ocorrido havia sido contra o Juventude/RS, no já longínquo 7 de Julho.

É claro que o empate deixou um gosto de “quero mais” na boca do torcedor tricolor, tanto pelas chances criadas e desperdiçadas, quanto pela fragilidade do time santista. Mas, não dá para desprezar a visível evolução do time, decorridas três semanas da chegada de nosso treinador. Posso estar enganado, mas Dabove dá a impressão de que, apesar do pouco tempo de clube, já tem o time nas mãos, sabedor de quanto cada jogador pode contribuir positivamente para o conjunto e, também, das deficiências individuais que debilitam a equipe. Não tivesse essa confiança, ele não correria riscos numa escalação tão ousada quanto a que levou a campo, com um volante de marcação (Lucas Araújo), um meia de transição (Mugni), dois meias ofensivos (Isnaldo e Ruiz) e dois atacantes (Rodallega e Gilberto). Arriscou, quase saiu com o triunfo e tirou pontos de um adversário direto na briga por não entrar na zona de rebaixamento. Só espero que não tenha sido uma exceção.

Como sabem os leitores dessa coluna, demorei a defender a troca de técnico. Em primeiro lugar, porque entendo necessário fugirmos ao padrão de administração de crises no futebol, em que a cabeça do comandante em campo é sempre sacrificada, na busca por mais paciência do torcedor e, também, para poupar os verdadeiros responsáveis pela formação dos elencos. Por fim, porque no caso específico do Bahia, eram evidentes as deficiências na estratégia de montagem do grupo de profissionais que estavam à disposição de Dado Cavalcanti. Mantida nossa recuperação no campeonato, já antevejo nossos dirigentes se vangloriando das recentes contratações que estão funcionando, caso de Rodallega, Mugni e até de Isnaldo, que mal chegou e já se tornou titular.

Alto lá. Essas novas peças são o reconhecimento do fracasso da diretoria na gestão do futebol. Ou alguém pretende convencer a torcida que contratar em setembro faz parte do planejamento? Ou ainda, que peças como Jonas e Galdezani cumprem papel relevante no clube, se nem fizeram parte do elenco à disposição do treinador na partida contra o Santos? E, para completar, onde estava o departamento de futebol quando permitia a Dado Cavalcanti escalar Lucas Araújo como segundo ou terceiro volante, quando está evidente que rende mais como primeiro homem, à frente da zaga? Enfim, são perguntas em busca de respostas, como que a evitar que venham nos iludir depois com o blá-blá-blá de sempre.

Voltando ao jogo de sábado, me surpreendi positivamente com a escalação inicial do time, embora reconheça que nem tiraria Daniel do time titular, nem escalaria Ruiz para começar o jogo. A menos que houvesse razões para poupar Daniel. Creio que, em campo, ele daria mais consistência ao meio e evitaria que o Bahia jogasse tão aberto e vulnerável ao contra-ataque, em alguns momentos em que não foi feliz na transição rápida defesa-ataque. No mesmo sentido, não gostei de algumas alterações, como a entrada de Luizão (outro recém chegado) no lugar de Ruiz. Para mim, era hora de tentar Maycon Douglas e lutar por uma bola, dado que o Santos, naquele momento, tinha o domínio da partida. Mas, nada que comprometa avaliar favoravelmente a evolução do time nas mãos de Dabove.

Embora tenha saído de campo sem o merecido triunfo, a postura do Bahia reacendeu o otimismo em seu torcedor. Temos, novamente, um time competitivo, capaz de não fazer feio no campeonato que efetivamente disputamos: a busca por uma vaga na Sulamericana e, claro, com isso, a permanência na série A do Brasileirão. Mais importante, a partida do tricolor deixou em nós a sensação de que falta muito pouco para podermos seguir a orientação de Dabove, em bom espanhol, na beira do campo: Tranquilo, Tranquilo! BBMP!!!

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