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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 20/02/2024 às 15h50

Um balizamento para o futuro

A vida é uma composição eterna de valores que vamos aperfeiçoando a cada etapa, com coragem; prudência; competência e humildade. Esses são alguns valores essenciais para o exercício diário da sobrevivência, posto que o próprio ritmo da vida como um todo sofre alternâncias com frequência, então ganhar todas as lutas não é nem de longe possível, porém, desistir das nossas convicções não é nenhum antídoto contra possíveis eventuais fracassos no futuro porque estamos suscetíveis às condições temporais da labuta pelo êxito. 

Tentamos ficar em pé o tempo todo durante nossas jornadas, mas vez por outra os tropeços acontecem e isso não é prejuízo e nem fim de jornada, é aprendizado. Viver é a arte de escrever o seu próprio livro, e cada página desse livro, vai nos aproximando do ponto convergente com a sabedoria. Assim é a vida com as suas fórmulas diversas buscando a eterna aproximação da perfeição.  

O futebol tem também os seus princípios fundamentados nessas mesmas circunstâncias porque foi idealizado como jogo de entretenimento – para a sociedade de um tempo romanticamente pueril – onde se ganha, empata ou perde. Entretanto, o objetivo é ganhar sempre, se possível. Querer vencer todas as batalhas não é autossuficiência do indivíduo, isto é obstinação pelo seu objetivo e isso o fortalece mentalmente no desenvolvimento de um trabalho duro para cumprir suas metas e contagiar também pessoas que vivem no seu entorno.  

Reflexões à parte, vamos abordar a partir desse ponto o Bahia e as SAF, e no final um pouco do Rogério Ceni como um ser humano capaz de falhar em suas convicções. Nessa Era em que o futebol se tornou definitivamente um dos maiores negócios do mundo a ponto de vermos o capital entrar sem nenhuma cerimônia nessa globalização antes impensável, temos de compreender que num futuro não muito distante todos os clubes do Brasil terão de seguir o exemplo do modelo da SAF do Bahia e negociar com investidores, cada um ao seu modo de entender o melhor negócio para ter um clube confortavelmente sem dívidas e com capacidade de investimento no mínimo razoável. Fora disso, a inviabilização tornar-se-á real para o clube que não aderir às novas fórmulas da realidade do futebol atual. 

Por aqui – à época – o presidente Guilherme Bellintani salvou o Bahia de uma debacle ao conseguir que essa onda capitalista, que chegou forte no Brasil pela rota do Nordeste, cujo porto foi a Bahia, tivesse como destino final o E.C. Bahia. Algum mortal brasileiro imaginaria o Tricolor da Boa Terra pertencendo ao maior conglomerado esportivo do mundo? Não, né! Esse é um privilégio para todo o Nordeste – tão discriminado historicamente –, muito bom para a Bahia e para o futebol brasileiro – especialmente para o Tricolor e sua imensa nação, é claro. 

– O Flamengo, que de fato possui a maior torcida de toda a América do Sul e nos últimos anos tem tido ótimos administradores à sua frente, dignos da grandeza do clube, pode ser a exceção da regra, mas ainda assim deverá se transformar em SAF e escolher modo de parceria e o tipo de investidor que quiser. Outro clube bem administrado e que pode escolher um investidor sem nenhuma pressa é o Athletico do Paraná, com Mário Celso Petraglia à frente do clube desde 1984, quando assumiu como Diretor de Futebol, e, em 1995, tornou-se presidente, talvez, o mais festejado na história do clube. 

Cito o modelo da SAF Tricolor porque este é o melhor do Brasil no momento e dificilmente será superado. A SAF Tricolor não é algo que foi trocado por um cheque de 1 bilhão, foi uma venda construída ao longo de quase dois anos e tem um projeto estrutural que foi discutido em penosas e longas reuniões entre as partes envolvidas até encontrar o ponto de convergência ideal. O Grupo City não é um investidor cuja finalidade é injetar dinheiro ao seu bel prazer e quando quiser, ele é o dono Bahia e isso é o que os neófitos provincianos ignorantes do assunto necessitam saber. Por favor, não coloquem a SAF Tricolor como projeto estrutural na mesma panela de outras Sociedade Anonima do Futebol.     

Não sabemos exatamente qual será o tamanho do Bahia em 2028 – por exemplo –, mas sabemos que a sua capacidade de investimento já assusta todo o Brasil desde agora. Há um projeto de grandeza, dentro e fora de campo, extraordinário, estrutural e empírico pela experiência que ele arrasta consigo. Não existe a possibilidade de fracasso porque a competência administrativa é a mesma que fez do Manchester City o campeão que é, e isso é um balizamento para o futuro Tricolor, quer queiram ou não os apologistas do “apocalipse” no Bahia.  

ROGÉRIO CENI 

Foi muito mal inspirado para o clássico do domingo passado, 18, errou tudo que podia erar e mais um pouco na coletiva para fechar com vãs respostas à tarde/noite do domingo desastrado para o Bahia. Torço de verdade para que tenha sido apenas um momento de infelicidade. Não aceitei a escalação do time, mas admiti pelo crédito imenso que Rogério Ceni tem, inclusive, pela sua história e a seriedade com a qual trata o seu trabalho, a imprensa e o clube que dirige, tecnicamente. Não considerar Ceni como um sujeito competente é um equívoco, mas é um ser humano, e erra, e vai errar também em algumas outras oportunidades na tomada decisões durante a sua carreira no futebol. 

Nada, porém, se perdeu a não ser o jogo em si. Perdemos no momento que podíamos perder, embora não devêssemos porque, se não nos decepcionamos, sem nenhuma dúvida ficamos frustrados com algo que o treinador poderia ter evitado. Fica a lição como aprendizado para que Rogério entenda que jogar e perder para qualquer outro rival fora da Bahia é uma coisa admissível, mas perder para o rival local em tais circunstâncias como a do domingo passado, não é admissível e muito menos aceitável.

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