O Bahia usou e abusou de decepcionar seu apaixonado torcedor quando jogou fora dos seus domínios. Ainda bem que terminou a temporada. Frouxo e sem alma, a qualidade técnica virou mito e mico fora da Fonte Nova. Não dá para dizer que não causa indignação tanta demonstração de cognitivos desarmonizados com a bola na condição de visitante – com raras exceções. Colocar a culpa no treinador, por quê? As pessoas precisam entender que a parte que compete ao Técnico é disciplinar, técnica e tática, e se olharmos por esse prisma veremos um trabalho irretocável de Ceni e sua equipe.
O jogador precisa ser responsabilizado positiva ou negativamente por aquilo que ele faz dentro de campo. Os erros e equívocos de um treinador quando acontecem se limitam às escalações, substituições e conceitos metodológicos, e isso depende da capacidade intelectual do treinador. Dentro de campo o jogador executa certo ou errado porque todo plano tático é falível ou bem-sucedido. Consideremos que do lado oposto há um adversário com propósitos parecidos jogando o mesmo jogo de xadrez. Treinador de futebol e xadrezista se assemelham pelo fino raciocínio, conhecimento e estudo.
O elenco do Bahia é blindado por um mito emblemático personificado por Rogério Ceni. E como se só isso não bastasse, o time de futebol Tricolor tem um aparato hollywoodiano fora do comum, viajam confortavelmente em avião exclusivo, hotéis de alto luxo, com uma delegação de apoio que obriga o clube a ocupar dois ônibus para traslado no destino, enfim, com todos os cuidados necessários e ainda assim não corresponderam fora da Fonte Nova.
Perder fora de casa não é a discussão, é sempre perder fora de casa que é a discussão. Isso é uma dívida pendente na conta dos jogadores. Ceni cansou de dizer que não se pratica fora da Fonte Nova o que se treina exaustivamente no CT, em Dias d’Ávila, e nem o que se fala nas palestras pós jogo e nas preleções. Não se trata de indisciplina, é óbvio. Na sua última entrevista coletiva deste ano na Fonte Nova, Ceni deixou transbordar o copo externando sua franqueza batendo na mesa sob os olhares surpresos dos presentes, com plena concordância desses.
Apesar de tudo isso não há como negar o mérito de um o time que conquistou a vaga na Libertadores com três rodadas de antecedência para o encerramento da competição e não esteve fora do grupo dos 7 melhores em nenhum momento. Isto é fato. É a parte agradável da temporada. Mas também pudera, o Bahia deu todo um suporte de excelência e segue buscando melhorar o que já existe para que a nova temporada em 2026 seja sem a síndrome do amarelão enquanto visitantes. Esperamos que o espírito camaleão dessa já encerrada temporada sirva de exemplo, positivamente.
Apesar de discordar de alguns métodos de Ceni no que diz respeito ao excesso de cuidados que geram restrições aos jovens da Base de Formação, devido à idade que ele acha ideal para o jogador estar pronto, admiro-o como líder e como treinador. Ao contrário do brado corneteiro, entendo que Ceni tem muito repertório tático e profundo conhecimento do cargo que exerce, além de ser um estudioso que busca sem trégua incutir no jogador o mesmo perfeccionismo que lhe é peculiar. Não há dúvidas, o treinador Tricolor está entre os cinco melhores treinadores que atuam no Brasil, sem sombras de dúvidas.
De outro lado, a evolução do projeto é notável de ano para ano em todos os setores do clube, haja vista o alto investimento nas divisões de base desde os campos de bairros. Todos os acontecimentos que envolvem a administração do clube no âmbito geral têm de aflorar em cada torcedor a certeza de um futuro jamais sonhado no passado. O torcedor que ignorar esse progresso extraordinário precisa rever seus conceitos olhando pelo retrovisor a paisagem árida do passado para perceber quão positivas são as expectativas com o Bahia-SAF.
Em 2026 a ordem será a mesma que já acontece desde a chegada do Grupo City, ou seja: zero de retrocesso. Lixar os 500 tons de amarelo do time quando em outros estádios deverá ser uma das ações prioritárias . O Bahia tem de ser tricolor por dentro e por fora e não um time camaleão de acordo com o ambiente.
A BABAQUICE DE UM FRUSTRADO
O Presidente do E.C. Vitória, reeleito recentemente, demonstrando o mesmo sentimento de frustração e inveja absoluta desde que o City Football Group adquiriu 90% do Bahia SAF, ao invés de buscar soluções para os infindáveis problemas do clube que preside, preferiu insultar o Bahia e sua nação proferindo uma tolice que o deixou exposto ao ridículo quando disse que o Nordeste só tem um clube na série A porque o outro não é nordestino e sim inglês — senhor presidente, a nação Tricolor nunca foi tão feliz e segura do sucesso como agora o é sendo “inglesa”.
Isso foi apenas uma demonstração da incompetência, com as palavras, que rege o presidente do outrora rival na sua difícil jornada de frustrações na busca fracassada até então por um investidor. O Bahia nem só é da Bahia e do Nordeste, o Bahia é do Mundo!
O Bahia atual representa o desespero do presidente de um clube que está pelo menos 50 anos distante econômica e organizacionalmente do “time inglês”.
Essa gente vive presa a um passado em que as provocações entre diretores existiam. O Bahia avançou, seguiu a ordem do mundo globalizado e hoje você fala sozinho as suas bobagens e não obtém o retorno de quem você gostaria. Isso lhe frustra ou enraivece? Deixe as provocações no nível das torcidas e procure ser árabe, inglês, francês, italiano, Russo, chinês etc., ou o que quiser ser. Se conseguir. O Bahia resolveu atravessar o Atlântico para se transformar num gigante muito além da retórica.




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