De Nelson Barros Neto, no jornal A Tarde deste sábado:
“Carro-chefe das acusações que motivaram o inquérito movido desde fevereiro do ano passado sobre a administração financeira do Bahia S/A, a venda do lateraldireito Daniel Alves ao Sevilla, da Espanha, ganhou um novo motivo para ser desconfiada.
A explicação é a seguinte: a Confederação Brasileira de Futebol mantém uma relação, em sua página na internet (cbf. com. br ), de todas as transferências internacionais realizadas por clubes do País desde o ano de 2003. Porém, quando se verifica a transferência do jogador recém-comprado pelo Barcelona, por 29 milhões de euros (mais 6 milhões variáveis em função dos títulos e classificações do clube catalão nos próximos anos), surge a surpresa: Daniel não teria saído do Bahia, mas de um obscuro Kawasaki Stell, do Japão.
O que eu sei é que ele saiu do Bahia direto para o Sevilla, diz o irmão do atleta juazeirense, Nei Alves, que acompanha o irmão a cada convocação do técnico Dunga, da Seleção Brasileira. Ele admite que Daniel está em férias em Salvador, porém não revela seu contato telefônico, além de estranhar história.
Na época da transação, viajaram junto com Daniel o empresário Eduardo Uram, famoso nas rodas futebolísticas pela esperteza nos negócios, e o então diretor de marketing do Basa, Paulo Carvalho, cunhado do banqueiro Daniel Dantas e um dos dois representantes do Opportunity na diretoria do clube, à ocasião.
Enquanto Uram, acusado especialmente na imprensa do Rio de Janeiro de criar times de futebol fantasmas para burlar a fiscalização da CBF e deixar seus jogadores ainda mais presos a ele, declarou que não lembra de nada errado, Carvalho não quis nem saber o assunto e prontamente desligou o telefone: Não posso atender agora não, meu amigo. Desculpe.
O responsável pelo setor de registros da CBF, Luiz Gustavo, também foi curto e grosso, sem garantir nada. Preocupado, sequer descartou um erro da própria entidade, fez questão de não estender a conversa e solicitou que se procurasse o assessor de comunicação Rodrigo Paiva, tarefa impossível por dois dias seguidos.
Superintendente do Bahia S/A na oportunidade, 24 de março de 2004, o empresárioMiguel Kertzman disse que sua única participação foi na antecipação do pagamento dos espanhóis culpa da crise tricolor.
Um dos sócios da Ligafutebol S/A, Luiz West, alegou, do Rio, que nada tinha a ver com o fato. Você está procurando a pessoa errada. E logo desligou.
Para o empresário Antonio Gustavo, um dos mais badalados na Bahia, mistério no ar. Também não entendi, não. Peça os papéis na CBF. Eles são obrigados a informar tudo.
O presidente da Federação Bahia de Futebol, Ednaldo Rodrigues, assegura que a venda passou normalmente por lá.
Cinco crimes teriam sido cometidos pelo Bahia S/A, segundo acusações da Frente Única Tricolor, que faz oposição à atual diretoria do Bahia. Seriam eles: manutenção de valores no exterior não-declarados (art. 22 da Lei 7.492/86); operações simuladas e/ou fraudulentas com a finalidade de obter vantagem ilícita ou lucro para si ou para outrem (art. 27-C da Lei 6.385/76); fraudes e abusos na fundação ou administração de sociedade por ações (art. 177 do Código Penal), crime contra o sistema financeiro nacional (art. 1º da Lei 9.613/98); e formação de quadrilha (art. 288 do Código Penal)”.







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