A revolta da torcida tricolor, porém, não se resume aos diversos grupos de oposição. As duas maiores facções organizadas do clube, Bamor e Povão, não só concordam com a realização da I Conferência Gigante Tricolor como estão apoiando oficialmente o evento.
Hoje, por exemplo, anunciam que não comparecerão ao Jóia da Princesa, para a partida contra o Fluminense de Feira, em retaliação à diretoria azul, vermelha e branca. A bronca é o preço do ingresso, em semanas majorado de R$ 10 para R$ 20.
Eles só se preocupam com o lucro, querem tocar o torcedor como se fosse gado. Domingo passado, o preço era um e, depois que já estávamos no estádio, foi diminuído pela metade. A ganância e a falta de planejamento da direção do Bahia é uma coisa que a gente cansa de falar, não é novidade para ninguém, diz o líder da Povão, Rosalvo Castro.
Mas tanto ele quanto o diretor da Bamor, Cristovão Contrareiras, admitem que o principal motivo do boicote é a violência promovida por uma uniformizada do Fluminense, a Falange Tricolor. Nome, aliás, que ambos preferem não mencionar, para não dar ibope a quem não merece.
O negócio foi feio nesse último jogo. Ir a um lugar para ficar sobressaltado, correndo risco até de vida, é complicado, explica Rosalvo. A presença da Povão ainda não está confirmada sequer para o clássico de domingo. Uma reunião amanhã, na sede da torcida, discutirá o assunto.
Na Bamor, o discurso é parecido. Só que, como Ba-Vi é uma partida diferenciada, aí nós vamos, contemporiza Cristovão.
EMBOSCADA Após o triunfo de 2 a 0 sobre o Touro do Sertão, membros da Povão teriam sofrido uma emboscada na saída do Jóia.Eles estavam do lado de fora com paus e pedras. Sorte que percebemos e retornamos. Chamei a guarnição policial e só aí pudemos voltar para Salvador. Ainda assim, alguns ficaram escondidos e arremessaram pedras contra o nosso ônibus, conta Rosalvo. O entulho acumulado nos arredores da praça esportiva serviu de municação aos agressores, acrescenta.
Prova disso foram os pedregulhos que atingiram ao menos dois torcedores do Bahia dentro do estádio, arremessados do lado de fora. Até fogo eles já atearam em ônibus de organizada. Nossa linha não é essa, engrossa o coro Cristovão.
Ele aproveita para negar que a Bamor tenha optado por não prestar queixa em relação aos incidentes do clássico do último dia 10, no Barradão. Na ocasião, dois integrantes foram baleados por suspostos membros da rubro-negra Os Imbatíveis. Não existe isso de justiça com as próprias mãos, garantiu.
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Matéria publicada originalmente, por esse mesmo autor, na edição desta quarta-feira 20/02/2008 do suplemento A Tarde Esporte Clube







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