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Coluna

Carlos Patrocinio
Publicada em 10/08/2021 às 11h05

Minhas impressões sobre trabalho do vilão favorito do momento: Dado Cavalcanti

Desde a pequena sequência de dois triunfos contra Chapecoense e Juventude o Bahia já amarga uma série de 05 jogos sem vencer pelo Brasileirão, com 04 derrotas e 01 empate. O momento é muito ruim, inegavelmente. Os problemas são inúmeros, mas não serei tomado por exageros, ainda que esteja extremamente chateado com o péssimo momento vivido, assim como não me deixava levar pela empolgação exagerada nos bons momentos. Se esperam apoio às “hashtags” que saltam por aí (#foradado, #forabellintani) ou a algumas ideias empobrecidas e enviesada que são requentadas em momentos de dificuldades (time lacrador, time de futebol não é empresa, rei do marketing, etc), antecipo que não verão nada próximo disso. Aqui, farei o que sempre fiz: colocarei minha opinião de torcedor que tenta se equilibrar entre a emoção e a razão.

E hoje vou tratar do primeiro vilão do momento: Dado Cavalcanti. Aproveitarei a deixa da notícia aqui do site (veja aqui) que traz os números do técnico tricolor, que completou 50 jogos no último sábado, com uma aproveitamento geral de 49,3% (21T, 11E, 18D, 80GP, 59GC).

Sobre o segundo vilão do momento (a gestão Guilherme Bellintani), vou me debruçar especificamente noutro momento. Mas já adianto que não serei tomado pelos excessos costumeiros. Inclusive, vejo mais pontos positivos do que negativos (já estou vendo as pedradas), o que não significa dizer que não deva ser cobrado, assim como sua Diretoria de Futebol, pelos erros na formação do atual elenco, notadamente pela grande quantidade de jogadores sem a intensidade que o futebol de hoje em dia pede. Mas isso será tema pra outra coluna. Aqui, como dito, o tema será o vilão favorito de hoje, o treinador Dado Cavalcante.

E sobre Dado, vejo como grandes feitos de seu trabalho, do ponto de vista estrito dos resultados, a recuperação promovida no Brasileirão/2020, quando salvou o time de um rebaixamento que parecia inevitável, e o título do Nordestão/2021. Acrescentaria, aqui, como pontos positivos, a capacidade de recuperar alguns jogadores (Juninho, Nino, Daniel, Rossi e Rodriguinho, por exemplo), assim como a de ter a coragem de usar jogadores do transição e da base no time de cima (Matheus Teixeira, Renan Guedes, Matheus Bahia, Patrick e Thiago, por exemplo). Além disso, mesmo com um elenco enxuto e com carências em algumas posições, o fato de ter encontrado um time competitivo em determinado momento desta temporada, que culminou no título do Nordestão e num início competitivo na primeira metade do Brasileirão.

É lógico que não acho que o trabalho dele seja só de louros. Inclusive, nos últimos momentos, acho que derrapou num ponto que tinha como positivo: usar os jovens com a perda de titulares. Entendo que ele tenha optado por tentar ser coerente e, diante da perda de titulares, dar minutos e mais chances a jogadores que já estavam no elenco de cima, como Lucas Fonseca (titular contra o América/MG), Lucas Araújo (titular contra o Atlético/MG), Edson (contra o Cuiabá) e Galdezani (titular contra o Flamengo), Oscar Ruiz (titular contra o Cuiabá). Contudo, para todos estes jogadores, penso que tínhamos opções que vinham/vem pedindo chances pelos seus desempenhos no transição, como Gustavo Henrique, Raniele e Ronaldo (que até teve uma chance como titular contra o Atlético/MG e não foi mal).

Ainda assim, confesso que, no geral, nestes cerca de 08 meses de trabalho, não vejo razões para uma demissão. Vejo motivos para cobranças e busca por correções em alguns pontos do trabalho, o que deve ser feito até mesmo nos bons momentos (e eu já falei isso em outras colunas, valendo destacar que sempre achei que o lado esquerdo defensivo precisava de ajustes, por exemplo).

“Ah, mas o Bahia está a 05 jogos sem ganhar no Brasileirão!”. Pode parecer um bom argumento para a maioria, mas não para mim. Imagine que a cada sequência difícil no campeonato um time demitisse um treinador? O Bahia pegou São Paulo, Flamengo e Atlético/MG nesta sequência. Tudo bem que perdeu para o Sport em casa. Para isso não tenho argumentos. O único que teria é que times não devem despedir técnicos a cada derrota inesperada.

A minha visão de futebol não consegue olhar apenas os resultados sem analisar contextos. E o contexto destes 5 jogos sem triunfo tem algumas variáveis importantes, como a perda de dois titulares importantíssimos (Juninho e Thaciano), uma parte da tabela que envolveu 03 dos melhores elencos do país e o elenco reduzido e com falta de qualidade em determinadas posições, como a volância e as beiradas ofensivas.

Já disse que Dado deve ser cobrado e penso que uma das cobranças deve ser sobre as dificuldades que ele vem encontrando em remontar o time após a perda destes jogadores. Inclusive, uma das coisas que vem me preocupando neste ponto é a insistência dele em escalar Rodriguinho fechando os lados.

Mesmo nos melhores momentos do time, era comum ver Rodriguinho fechar a linha de meio pelo lado esquerdo, formando uma linha de quatro jogadores (da direita pra esquerda, Rossi, Daniel, Thaciano e Rodriguinho, à frente de Patrick). Contudo, pela dinâmica do jogo, havia uma alternância com Thaciano neste movimento, o que permitia que o camisa 10 conseguisse ter um pouco mais de liberdade e possibilidade de transitar próximo de Gilberto.

Nos dois últimos jogos vimos Rodriguinho como meia direita (linha de meio com Rodriguinho, Daniel, Edson (Patrick) e Mugni, com Rossi e Gilberto (Ruiz) a frente), o que dificulta ainda mais sua movimentação, já que sua perna melhor joga pra fora. Inclusive, o gol do Cuiabá veio de uma quebra da linha naquele setor, já que o camisa 10 não recompôs bem e o Cuiabá explorou o desequilíbrio da marcação ali.

Vejo Rodriguinho muito mais como um segundo atacante, como um atacante recuado/falso nove, do que como um meia, principalmente como um meia aberto. Vejo que seria muito mais fácil pra ele eventualmente recompor uma linha defensiva pelo meio, dando mais atenção a um volante, do que pelos lados, como Dado vem fazendo nos últimos jogos. Um jogador que tem mais dinâmica pra fechar o lado direito seria Rossi, compondo essa linha de quatro jogadores com Daniel, Patrick e Mugni, tendo Rodriguinho e Gilberto à frente. Em determinados momentos, a fase defensiva poderia ter uma linha de quatro com Rossi, Daniel, Rodriguinho e Mugni à frente de Patrick. Seria uma formação mais próxima do que aquela que funcionou com Thaciano.

Outra opção, em determinados jogos, seria até mesmo abrir mão do camisa 10. Acho que há jogos que o time pode ter Daniel como armador aberto, com dois volantes pelo meio (Raniele e Patrick) e outro meia esquerda (Mugni), com dois jogadores à frente (Rossi e Gilberto). Nesta formação, com a bola, Daniel centralizaria e abriria o corredor direito para Nino, tendo Rossi à frente.

Eu, que sou só um curioso, consigo pensar em alternativas hipotéticas. Dado que sabe muito mais de futebol do que eu, obviamente, pode fazer isso. Será que discutindo o papel de Rodriguinho aberto, com ponderações contrárias a este posicionamento, essa utilização se manteria? Se sim, aí já começaria achar complicado.

Acho que hoje o grande problema do Bahia está na formação do elenco, principalmente na escolha dos volantes. Temos um grupo de volantes (Patrick, Lucas Araujo, Galdezani, Edson e Jonas) lentos, sem grande mobilidade, lenta, com  pouca capacidade de “morder” mais à frente sem expor a linha defensiva. Patrick tem bom jogo áereo e boa saída, boas características para um 1º volante, mas não tem a chegada, a mobilidade e a força pra roubar muitas bolas à frente. Jonas até tem bom poder de marcação, mas é lento e tem problemas com a saída. Ainda acho útil, mas precisa melhorar a parte física. Lucas Araujo e Galdezani são lentos demais, nada intensos. O segundo, pra mim, foi uma contratação inútil desde o início. O primeiro, por ser jovem, ainda pode evoluir. Só acho que, para tanto, deveria ir pro transição, sendo substituído no elenco de cima por Raniele. Talvez Edson pudesse receber mais chances, mas confesso que não vi muito futebol nas oportunidades que teve. Muito mais pelos problemas de Araujo e Galdezani, até acho que poderia ter mais oportunidades, mas é muito pouco para um time de Série A.

Assim, vejo o Bahia apenas com 02 volantes minimamente competitivos (Patrick e Raniele), no máximo 03 (se formos considerar Edson uma opção viável), de modo que traria urgentemente um cara pra posição. Já escrevi isso anteriormente, inclusive. Conclusão semelhante tenho com relação ás beiradas, já que hoje temos apenas Rossi confiável. Maicon Douglas teve seus brilharecos, mas Ruiz nada vem mostrando. Talvez Ronaldo possa ter chances, mas é muito pouco. Mesmo com a chegada de Mugni, que é muito mais meia do que atacante, precisaríamos de outro cara ali.

Neste contexto, penso que despedir um técnico que vem fazendo seu trabalho, com seus altos e baixos, seria um erro e uma verdadeira injustiça. Acho que é o caso da Diretoria de Futebol cobrar, ponderar os problemas e verificar se as soluções foram encontradas. O Bahia terá uma sequência de 04 jogos com semanas de trabalho cheias (Atletico/GO, Gremio, Fluminense e Fortaleza). Se estivesse no lugar da diretoria, analisaria o desempenho do time nestes jogos, as soluções encontradas pelo treinador, o desempenho do time, para, aí sim, tomar uma decisão.

Agora, que venham as pedradas.

@c_patrocinio

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