As ondas no mar Tricolor mudam conforme os ventos, mas o barco segue firme na rota traçada. Entre a pressa do torcedor e a realidade do projeto existe um meio termo. É natural que parte da torcida queira mais rapidez, mas o contrato tem regras claras. O respeito às normas contratuais é o que mantém o Bahia evoluindo de forma segura. Entender o processo é o primeiro passo para o torcedor cobrar com justiça.
Achar que o City Football Group, na condição de empresa multinacional, vai despejar dinheiro sem fim no Bahia é um equívoco. O contrato prevê 1 bilhão para investimentos em até 15 anos. Só que esse processo vem evoluindo além do previsto. E como é bom constatar isso. O Bahia se desenvolve econômica e financeiramente sem sair do planejamento orçamentário e sem deixar de evoluir, também, tecnicamente em campo.
Nas mãos do Raul Aguirre, Carlos Santoro e seus colaboradores imediatos, está a responsabilidade de administrar o capital de giro incrementando meios que acelerem o crescimento. O principal incremento é na Base de Formação de atletas, e nesse ponto o trabalho vem acontecendo com intensidade surpreendente porque esse é o canal provedor da estabilidade para o Bahia alcançar metas e entrar no hall dos favoritos a títulos de forma definitiva.
Mas será que o Grupo City está fazendo o suficiente para trazer esses resultados? Obviamente, sim. Se antes o sonho era voltar à Libertadores, agora o sonho é conquistá-la. E vai. É só uma questão de maturidade das ações que o clube vem movendo de forma sustentada como acontece agora, mas que ainda não é suficiente para conquistar o Brasileirão. Por outro lado, devido ao modelo da Copa Brasil, há essa possibilidade de uma conquista nacional, já.
Só um fenômeno tira o título de Campeão Brasileiro de 2026 de Flamengo ou Palmeiras. É quase impossível um orçamento de 400 milhões competir contra respectivos 1,8 e 2 bi, aproximadamente, de Palmeiras e Flamengo. O Fluminense em 2023 e Botafogo em 2024 furaram essa bolha, é verdade. Mas há consequências negativas presentes nos dois clubes até hoje.
No caso do Botafogo, houve um gasto muito acima do limite orçamentário que acabou levando o clube à beira da insolvência financeira, motivo pelo qual, recentemente, Jonh Textor colocou a SAF botafoguense à venda. O Fluminense se encontra em fase de tramitação para se transformar em SAF que corre em segredo de Justiça – mas fora da bolha, nenhum clube cresce estruturalmente mais que o Bahia hoje no Brasil.
Não é nenhum absurdo quando parte maior da imprensa nacional afirma que o Bahia-SAF tem a melhor estrutura física e organizacional entre as demais SAFs brasileiras. Pois é. Não basta ser tão somente SAF, é preciso encontrar o investidor certo. O Fortaleza é SAF e não evitou a queda à Segunda Divisão e nem demonstra reação para voltar à série A. O Cruzeiro é outra SAF no meio de uma tormenta consequente do desconhecimento de causa. O dinheiro sozinho não é garantia de sucesso. É preciso ter quem saiba lidar bem com ele dentro da engrenagem do futebol de um clube.
No Bahia o ritmo não é de pressa, é de processo. A ideia não é torrar dinheiro em “medalhão” caro. É criar ativos. Jogador formado ou valorizado aqui vira receita e fortalece o projeto. O Grupo City usa o clube como vitrine internacional e isso não é segredo: é a prerrogativa do investidor e o motor do crescimento sustentável dentro de um contexto real. Procurar entender isso acalma a ansiedade e dá régua justa para se cobrar no tempo certo.





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