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Publicada em 22 de julho de 2026 às 18:51 por Djalma Gomes

Djalma Gomes

Aproveitar o Legado da Copa e Quebrar Paradigmas






O recesso ocorrido entre junho/julho não só serviu ao Bahia para um bom descanso, mas principalmente para melhorar comportamentos técnico e tático, bem como reparar o estado mental dos jogadores que se verifica, principalmente, nos clubes de massa.  No caso do Bahia, também deve ter servido para que Ceni tenha feito boas reflexões, inclusive, sobre quando falou em coletiva que não poderia se utilizar de alguns jogadores prontos pela Base de Formação, colocando-os no time titular em detrimento da “hierarquia” dos jogadores mais “velhos”.   

Que estranho essa inversão de valores de baixo para cima quando o chefe hierárquico deveria ser o próprio treinador! Saint Exupéry nos ensina que “a linguagem é uma fonte de mal-entendidos”. Cadu Santoro precisa entrar em cena – ou já entrou, acreddito – para tratar desse assunto como diretor e não como expectador nas entrevistas de Rogério Ceni. Até mesmo para tirar um pouco da carga que seu subalterno carrega nos ombros seria ótimo. Assim Rogério falaria só sobre o jogo rolado no campo e não do planejamento do clube. 

A ver pelo comportamento do treinador no jogo contra o Atlético Mineiro, deu a impressão de que haverá mudanças conceituais. O clube pode investir tanto na Base, revelar craques de bola e não serem aproveitados na medida que surgem porque na cabeça do treinador o talento só amadurece após os 21 anos de idade. Os aspirantes do Bahia são selecionados e convocados cada vez mais pela CBF, passam 30 dias disputando competições internacionais, e quando voltam à origem ficam no ostracismo imposto naturalmente pelo treinador. Servem lá e não servem cá, é isso? Bem, veremos a partir de então.     

Sempre esteve muito claro para este colunista que o City veio à América do Sul para investir no potencial do maior celeiro do mundo e não para concorrer no mercado comprando ferro nas mãos do ferreiro a peso de ouro. E se assim o é, o Bahia precisa ser oxigenado pela Base porque qualquer jogador mediano que se busque no mercado não estará à venda por menos de 15 milhões de dólares.  

–  Não é à toa que o Grupo City está investindo 300 milhões num novo CT para inaugurar um marco histórico no futebol da América do Sul. O celeiro brasileiro e dos demais países da América do Sul fornecerá a matéria prima e o Bahia passará de importador à exportador.       

 Observando esse contexto por outro prisma: o descontentamento do torcedor, causado pela perda de confiança no time e no seu treinador, precisa e deve ser considerado, inclusive por Ceni. Seria uma insensatez imensurável por parte de quem de direito não corrigir o rumo do futebol no Tricolor nesse momento. As mudanças se fazem necessárias já, agora, para atualizar esse modelo filosófico e desatualizado do treinador do Bahia. Ele já deixou claro nas entrelinhas que o amadurecimento do jogador sub-20 não ocorre antes dos 21 anos.   

A Copa do Mundo é inferior ao campeonato brasileiro a ponto de não ser referência? Claro que não, né! Quero crer de todo coração que Rogério Ceni deve ter mudado seu pensamento padrão ao tomar conhecimento, bem atento como é, dos seguintes jogadores na Copa de 2026 com menos de 20 anos de idade. Mas caso não tenha atentado ao detalhe, aqui está ao alcance dos seus olhos a cristalina verdade capaz de estabelecer no Bahia novos paradigmas.  

São esses: Gilberto Mora (México) – 17 anos e 240 dias  

Hugo Sochurek (Tchéquia) – 18 anos  

Lennart Karl (Alemanha) – 18 anos e 109 dias  

Ibrahim Mbaye (Senegal) – 18 anos e 138 dias  

Hamza Abdelkarim (Egito) – 18 anos e 161 dias  

Bara Sapoko Ndiaye (Senegal) – 18 anos e 162 dias  

Mladen Jurkas (Bósnia e Herzegovina) – 18 anos e 247 dias  

Ayyoub Bouaddi (Marrocos) – 18 anos e 252 dias  

Kerim Alajbegovic (Bósnia e Herzegovina) – 18 anos e 263 dias  

Rayan Elloumi (Tunísia) – 18 anos e 267 dias  

Lucas Herrington (Austrália) – 18 anos e 279 dias  

Behruzjon Karimov (Uzbequistão) – 18 anos e 308 dias  

Lamine Yamal (Espanha) – 18 anos e 333 dias – Titular no Barça há 3 anos.  

Kendry Paez (Equador) – 19 anos e 38 dias  

Tyler Fletcher (Escócia) – 19 anos e 84 dias  

Luka Vuskovic (Croácia) – 19 anos e 107 dias  

Pau Cubarsi (Espanha) – 19 anos e 140 dias – já considerado como o melhor zagueiro do mundo.  

Yan Diomande (Costa do Marfim) – 19 anos e 209 dias  

Rayan (Brasil) – 19 anos e 312 dias  

Endrick (Brasil) 18 anos  

Se a Copa do Mundo é o parâmetro revolucionário, sobre todos os aspectos, para o futebol desenvolvido mundo afora, por que não seguir a tendência? Toda a vez que uma onda de mudança predomina numa determinada instituição, é relativamente fácil de prever um padrão de desenvolvimento no futuro. Não obstante os conflitos que surgem. No futebol, ciclos não têm prazos predeterminados. São os resultados que determinam o que se encerra ou o que continua.  

O futebol é uma instituição social, cultural e econômica de proporções colossais. Ele transcendeu sua origem como mero esporte para sustentar um pilar que movimenta a sociedade, influenciando identidades, economia, políticas e até mesmo a legislação, através de entidades reguladoras. Mais do que uma modalidade do esporte jogada por milhões, o futebol cria ritos e molda a identidade de comunidades inteiras.  

É por esses aspectos que venho insistindo no mesmo assunto sobre o projeto de longo prazo no Bahia SAF, me opondo ao imediatismo. Chego ao ponto de pensar que Rogério Ceni seria adepto do modelo precedente ao projeto de longo prazo do Bahia, já que afirmou que não iria renunciar à hierarquia do seu time titular. Que bom que é só imaginação minha, pois algum sentimento me conta que alguma coisa parece estar mudando a favor da Base de Formação. Mudando, pode ser que a temporada seja encerrada com o Bahia no G-5 ou no G-4. É só aproveitar o legado da Copa, mudar o conceito e quebrar seus próprios paradigmas. 

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